Não foi amor à primeira vista, mas é amor para a vida toda
A história do Bispo Edir Macedo e de Ester Bezerra mostra que grandes histórias de amor nem sempre começam de forma previsível, mas podem transformar vidas e inspirar gerações
Quando o Bispo Edir Macedo viu Ester Bezerra pela primeira vez, pensou que ela seria sua esposa, mas logo rejeitou a ideia: embora bonita, ela não fazia o seu tipo. Como relata no livro A Dama da Fé, na época ele ainda não havia tido um encontro pessoal com Deus. Ester, por sua vez, reparava naquele rapaz magrinho que, nos cultos, sempre ia ao Altar entregar a vida a Jesus. Ela fazia isso não por atração, mas por imaginar que ele enfrentasse conflitos em sua fé.
Um olhar diferente
No início dos anos 1970, ambos haviam terminado seus noivados. Já convertido e em busca de alguém para dividir a vida, Macedo passou a observar Ester com outros olhos. “Tinha me decepcionado com o que os olhos podiam ver, queria alguém que tivesse uma beleza que não se vê.
Mesmo achando Ester uma jovem linda, fiquei atraído mesmo pelo seu jeito de ser”, revela.
Ele chegou a consultar o cadastro dela na Igreja e descobriu sua origem em uma família evangélica. Depois, aproximou-se dela. “Ele me seguia na hora de sentar no culto. Eu ia para um lado, ele ia também. Eu ia para o outro, e lá estava o Edir”, recorda Ester.
A aproximação
Aos 21 anos, Ester procurou Edir, então com 26, para pedir ajuda com matemática. Ela não sabia que ele já a observava. “Não foi amor à primeira vista (…). Mas foi um dia impossível de esquecer”, relata. No dia da aula, Edir colocou o braço sobre seus ombros. “Você é muito abusado, hein!”, reagiu ela. “Sou mesmo”, respondeu.
Pouco depois, ele telefonou: “Ester, quero namorar você. (…) Vou falar com seu pai”. Com a autorização dos pais, eles começaram a namorar e, uma semana depois, deram o primeiro beijo. “Parecia que procurávamos um pelo outro fazia tempo e, enfim, havíamos nos encontrado. Para nunca mais nos separarmos”, conta Ester, que buscava em oração uma união segundo a vontade de Deus.
Para o Altar
O caminho até o casamento também teve dúvidas. Diante do receio de Ester em relação ao temperamento de Edir, ele respondeu: “Mas eu tenho certeza que é a vontade de Deus!”. Segundo ela, a frase dissipou a dúvida.
Em 18 de dezembro de 1971, 232 dias após a primeira conversa, eles se casaram na Igreja Nova Vida, em Bonsucesso, no Rio de Janeiro (RJ). No Altar, Ester guardou uma imagem: “Edir sorria para mim. Sereno, elegante em seu terno e gravata. (…) Um sorriso inesquecível. Meu amado comigo até o fim”.

Dois sendo um
Ester define o início do casamento como “um ajuste entre duas pessoas que pensam de formas diferentes”. Macedo reconhece: “Eu sou arrojado, por exemplo, e Ester é o oposto. Ela me acalma (…). Ester é o meu porto seguro”.
Em 1975, o nascimento da filha Viviane, com fissura labiopalatal, trouxe dor, mas também foi um divisor espiritual. Segundo ele, a experiência fortaleceu o casal, o amor pelas almas e o propósito de levar fé a quem sofria. Nas crises que vieram depois, Ester permaneceu ao seu lado. “Suportei o que suportei porque eu tive uma esposa, uma companheira, uma verdadeira mulher ao meu lado”, diz o Bispo.
As duas hastes da cruz
A vida do casal também expressa a mensagem que defendem sobre amor, companheirismo, confiança e fidelidade, tornando-se referência para pastores, bispos e membros. O Bispo Macedo traduz esse princípio pela cruz: a haste vertical representa a comunhão com Deus; a horizontal, a união entre marido e mulher. Para ele, ambas precisam ter a mesma “madeira”, nascer da mesma fé. Mais de cinco décadas depois, a trajetória dos dois pode ser resumida nas palavras de Ester: “Um amor para toda a vida”.
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