Meu namorado é viciado em pornografia — o que eu faço?

Bispo Renato Cardoso orienta sobre os riscos de levar um relacionamento adiante enquanto o parceiro ainda enfrenta o vício

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Descobrir que a pessoa com quem você planeja se casar enfrenta um vício em pornografia pode trazer dúvidas, medo e até o desejo de ajudá-la a qualquer custo. Mas até que ponto permanecer no relacionamento é realmente a melhor maneira de oferecer ajuda?

Durante uma orientação, o Bispo Renato Cardoso respondeu à dúvida de uma mulher que vive exatamente esse dilema. Após três anos de namoro e planos de casamento, o namorado confessou que era viciado em pornografia. Além disso, ele decidiu terminar o relacionamento por temer não conseguir mudar e acabar fazendo-a sofrer.

Apesar da decisão dele, ela afirmou que não conseguia superar o fim do relacionamento e acreditava que deveria permanecer ao lado dele para ajudá-lo.

A sinceridade antes do casamento

Ao analisar o caso, o Bispo Renato destacou inicialmente um ponto importante: o rapaz reconheceu o problema e revelou a situação antes do casamento.

“Que bom que ele foi pelo menos sincero com você e falou com você antes.”

Segundo o Bispo, muitas pessoas descobrem problemas semelhantes somente depois do casamento, quando as consequências do vício já interferem diretamente na vida conjugal.

Por isso, considerando que o vício seja realmente a razão para o término, ele avaliou que o rapaz agiu corretamente ao reconhecer que, naquele momento, não estava preparado para assumir o casamento.

O vício não deve ser ignorado

Em seguida, o Bispo ampliou o alerta. A orientação não se restringe à pornografia, mas também se aplica a outros tipos de dependência que ainda dominam o comportamento da pessoa.

Isso porque, conforme explicou, uma dependência não afeta apenas quem enfrenta o problema. Ela também pode comprometer as prioridades, as escolhas e, consequentemente, os relacionamentos.

“O vício sempre será primeiro na vida do viciado.”

Assim, entrar em um casamento acreditando que a situação será resolvida naturalmente depois pode trazer frustrações. Na avaliação do Bispo, enquanto a pessoa continua dominada pelo vício, ela ainda precisa vencer essa condição antes de assumir um compromisso como o casamento.

É possível ajudá-lo?

A mulher também perguntou se deveria lutar pelo namorado, já que ele precisava de ajuda. De acordo com o Bispo Renato, ela pode incentivá-lo a buscar auxílio, mas isso não significa manter o namoro ou levar adiante os planos de casamento.

Além disso, há um ponto fundamental: a pessoa precisa querer ajuda.

“Você só pode ajudá-lo se ele quiser ajuda.”

Na orientação apresentada pelo Bispo, se o rapaz estiver realmente disposto a mudar, deverá reconhecer o problema e buscar ajuda para vencê-lo. Sob a perspectiva espiritual apresentada por ele, isso também envolve procurar orientação pastoral, falar abertamente sobre o que enfrenta e buscar em Deus a transformação necessária.

“Ele tem que buscar livramento, libertação desse vício, ir até a igreja, expor isso para o pastor, expor isso a Deus.”

O Bispo Renato também explicou que considera o vício um problema que atinge profundamente a mente e, por isso, defendeu a necessidade de tratá-lo em sua raiz espiritual.

Não se case esperando que ele mude depois

Outro alerta é não minimizar a situação apenas porque o parceiro apresenta outras boas qualidades. Pensamentos como “ele é uma boa pessoa” ou “depois do casamento nós resolvemos isso” podem fazer com que alguém ignore um problema que ainda não foi superado.

“Não casar pensando: ‘Lá na frente a gente resolve’. […] Isso não é pouca coisa.”

No caso da pornografia, o Bispo Renato destacou ainda que o vício pode afetar a maneira como a pessoa enxerga a sexualidade, o relacionamento e o próprio parceiro. Por essa razão, a mudança precisa acontecer antes de um compromisso tão sério quanto o casamento.

Mudança exige sinais reais

Diante disso, quais caminhos a mulher poderia seguir? Segundo o Bispo Renato, ela pode aceitar o fim do relacionamento, pedir a Deus que cure o seu coração e, futuramente, conhecer alguém que esteja preparado para o casamento.

Por outro lado, caso decida esperar enquanto o rapaz busca transformação, a orientação é não retomar o namoro nem avançar para o casamento apenas com base em promessas de mudança.

“Não seguir até que, de fato, você tenha sinais reais de que ele venceu a pornografia.”

E esses sinais, segundo ele, não se resumem a alguns dias ou semanas sem consumir pornografia. Para o Bispo, a verdadeira transformação envolve uma mudança profunda de vida, de comportamento e de domínio próprio.

Portanto, o sentimento pela outra pessoa não deve fazer alguém ignorar sinais importantes antes do casamento. Ajudar quem enfrenta um vício não significa assumir a responsabilidade por sua mudança. O primeiro passo precisa partir de quem reconhece o problema e decide verdadeiramente buscar transformação.

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Redação / Foto: imagem gerada por IA