A era do esgotamento: como descansar de verdade?

Quando o assunto são as preocupações, o descanso do corpo não é suficiente para recuperar as forças. Mas há um caminho para encontrar alívio e paz

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Depois de um dia cansativo, nada melhor do que tomar um banho, deitar e dormir para acordar revigorado no dia seguinte. Mas, e quando o sono não é suficiente para recuperar as forças? É o que acontece com muitas pessoas que dormem e continuam cansadas, passam o fim de semana longe do trabalho e chegam à segunda-feira ainda exaustas, ou tiram férias, mas retornam com a mente ainda acelerada.

Parte desse desgaste pode estar relacionada à hiperconectividade. Ao longo do dia, somos expostos a uma enxurrada de mensagens, informações e estímulos que mantêm a mente constantemente ocupada.

Mas existe um cansaço que ultrapassa isso: um peso que rouba a vitalidade, tira a paz e faz parecer que não há saída. Trata-se de um desgaste que não afeta apenas o corpo ou a mente, mas alcança o mais profundo do ser: a alma.

Como saber se este desgaste está presente em sua vida?

Faça o teste e descubra:

☐ Mesmo depois de uma noite de sono, não se sente realmente descansado, ou tem muita vontade de voltar para a cama.
☐ Passa muito tempo imaginando problemas e antecipando situações.
☐ Tarefas que antes pareciam simples ou administráveis agora parecem difíceis demais.
☐ Mesmo quando não há nada para resolver, os pensamentos continuam acelerados
☐ Quando algo não acontece como gostaria, surgem ansiedade e insegurança.
☐ Momentos de lazer, descanso ou convivência já não trazem a mesma satisfação.
☐ Sente que está apenas cumprindo a rotina, fazendo o que precisa ser feito, mas sem o mesmo ânimo ou entusiasmo de antes.

Resultado
Se você se identificou com um ou mais desses sinais, está carregando um peso maior do que deveria. O seu interior precisa de alívio. A boa notícia é que esse alívio existe.

O peso que ninguém vê

Enquanto, no mundo digital, as publicações exibem beleza, felicidade e sucesso, no mundo real o dia a dia é marcado por desafios. Na vida profissional, por exemplo, além das tarefas e responsabilidades, há metas a serem cumpridas, cobranças por resultados, conflitos interpessoais e inúmeras outras dificuldades. Tudo isso pode despertar sentimentos como medo, preocupação e estresse.

Esses fatores, por si só, podem ser suficientes para roubar o descanso, como explicou, em entrevista à Folha Universal, a psicóloga Camila Galhego: “Preocupar-se excessivamente e alimentar pensamentos negativos todos os dias, por exemplo, faz com que o nosso corpo sofra uma sobrecarga emocional e permaneça em constante estado de alerta e estresse, impedindo-o de alcançar o descanso necessário”.

E esse processo pode se repetir em outras áreas da vida, como na saúde, nos relacionamentos, na família ou nas finanças. Os problemas surgem e, diante da dificuldade de resolvê-los, sentimentos negativos podem se instalar e, pouco a pouco, roubar a paz.

Até onde conseguimos ir?

O impulso de buscar soluções para os problemas e correr atrás dos próprios sonhos faz parte da natureza humana. Dificilmente alguém desiste dos seus objetivos sem antes tentar alcançá-los. Mas, quando o resultado não vem como esperado ou no tempo desejado, a ansiedade pode tomar conta. Sem perceber, a pessoa passa a tentar encontrar uma solução para tudo, controlar o que está além do seu alcance e antecipar situações que sequer aconteceram.

Nessa busca incessante, esse sofrimento pode se intensificar. Uma preocupação se soma à outra, a frustração dá lugar à insegurança e, pouco a pouco, o peso se torna maior do que ela consegue suportar. É então que surge a pergunta:

“O que eu vou fazer?

A receita para o descanso

Quando se compreende que o cansaço não é apenas físico, mas também alcança a alma, torna-se evidente que o descanso precisa ir além do corpo. É nesse contexto que, no Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus faz um convite àqueles que estão cansados e sobrecarregados:

“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:28-30).

Esse convite vem acompanhado de uma promessa: Jesus chama para Si aqueles que estão sobrecarregados por pesos que já não conseguem suportar e lhes oferece um alívio verdadeiro. Ao convidá-los a tomar sobre si o Seu jugo, isto é, aceitar Sua orientação e caminhar sob Sua direção, Ele propõe uma troca: deixar para trás o fardo das preocupações, da ansiedade e das aflições. Assim, os que vivem angustiados podem encontrar n’Ele a paz que tanto procuram.

Entretanto, para desfrutar dessa paz, é necessário mais do que esperar que as dificuldades desapareçam. É preciso voltar-se para Ele, confiar em Sua Palavra e colocar a fé em prática.

Entrega e confiança

Confiar em Deus não significa abandonar responsabilidades nem deixar de agir, mas reconhecer que existem situações que fogem ao controle humano. Significa depositar diante d’Ele as preocupações, os planos e os desejos, seguindo em frente com a certeza de que Sua Palavra se cumprirá.

Assim, em vez de permanecer revivendo os problemas, tentando encontrar respostas para tudo ou antecipando situações que ainda nem aconteceram, é preciso descansar na certeza de que Deus cuida daquilo que foi entregue em Suas mãos.

O peso que ela carregava não aparecia para ninguém

Por muito tempo, Elisangela Maria Santana, de 51 anos, assistente administrativa, acreditou que conseguiria resolver tudo sozinha e do próprio jeito. Mas as perdas, os medos e a angústia foram se acumulando dentro dela, até que suas forças chegaram ao fim

Fé superficial

Passei muitos anos da minha vida frequentando a Igreja, mas não levava minha fé a sério. Assistia às reuniões, orava e saía do mesmo jeito. Não havia uma entrega verdadeira e isso se refletia em todas as áreas, inclusive na forma de eu enxergar a vida.

Busca pela felicidade

Sempre me esforcei muito para dar conta de tudo e alcançar os meus sonhos, mas era como se a felicidade estivesse sempre um passo à frente. Isso me tornou uma pessoa ansiosa e depressiva. Eu sofria por antecipação, pensando que algo ruim iria acontecer.

Medo e insegurança

Acabei me tornando muito insegura, desconfiada e instável. Ao mesmo tempo, eu me submeti a um relacionamento marcado por traições por achar que eu conseguiria resolver tudo sozinha.

Sofrimento silencioso

As pessoas sempre me viam sorrindo, mas eu vivia chorando. Houve uma fase em que recorria à bebida para conseguir dormir e outra em que saía à noite para tentar aliviar a angústia. Mas parecia que tudo era em vão.

O limite da dor

As coisas pioraram quando minha mãe faleceu e minha filha, já crescida, saiu de casa para estudar. Eu não conseguia ficar sozinha e me ocupava de todas as formas para não encarar a realidade. Eu me fazia de forte, mas sabia que precisava de ajuda.

A decisão

Em uma oração, disse a Deus que estava cansada de ser aquela mulher que vinha sendo, e Deus falou comigo: “Volta para mim”. Então, depois de 15 anos afastada, decidi não só frequentar as reuniões na Universal, mas colocar em prática o que aprendia. Eu abri mão do controle da minha vida e entreguei a Deus minhas perdas, culpas e medos.

Encontro com Deus

Em uma ocasião, me ajoelhei e falei tudo o que estava dentro de mim. Quando me levantei, todo o peso que carregava havia anos já não estava mais comigo. Entreguei a Deus a minha vida e Ele me deu paz.

Uma nova história

Já se passaram três anos desde meu Encontro com Deus e Ele continua me moldando. Os problemas ainda existem, mas hoje venço o meu eu e a vontade de resolver tudo do meu jeito. Coloco tudo no Altar, porque sei que ali estou segura.

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Autor

Cinthia Cardoso / Arte sobre foto: getty images / Foto: Ozair Junior