A inteligência artificial está mudando as tarefas, não as profissões

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“Meu nome é Patricia Lages e sou jornalista”. É assim que quase todo mundo se apresenta. Nós nos acostumamos a resumir quem somos pelo ofício que exercemos ou pelo cargo que ocupamos. Mas esse formato começa a perder força à medida que a inteligência artificial afeta a maneira como trabalhamos.

O título do cargo já não explica mais o trabalho, como defendem os autores do livro Open to Work – Como o LinkedIn Pode Ajudar Você a Prosperar na Era da IA, Ryan Roslansky e Aneesh Raman, altos executivos do LinkedIn, a maior rede social profissional do mundo. “De repente, se definir por um cargo que significa menos a cada dia que passa não é só limitante, é até perigoso”, afirmam.

Na era da IA, é preciso se perguntar “quais tarefas você realmente realiza?” em vez de focar no cargo que ocupa. Essa mudança de perspectiva ajuda a enxergar quais das nossas atividades podem ser automatizadas, quais serão potencializadas pela IA e quais continuarão dependendo essencialmente da nossa própria capacidade. Para essa tarefa, o livro propõe um exercício simples que vale a pena pôr em prática.

O método dos três baldes

Divida o seu trabalho em três “baldes”. O primeiro deve reunir suas tarefas rotineiras e baseadas em regras que a IA pode executar sozinha. O segundo deve concentrar as atividades feitas em parceria, aquelas em que a IA amplia a sua produtividade, mas o seu julgamento continua indispensável. Já o terceiro balde deve conter as tarefas tipicamente humanas, como criatividade, inteligência emocional, construção de confiança, pensamento estratégico e tomada de decisões.

Depois, calcule quanto tempo de trabalho você dedica a cada balde. Se a maior parte da sua rotina está concentrada no primeiro, é sinal de que a IA pode fazer, sozinha, boa parte do seu trabalho. Isso o coloca em situação de vulnerabilidade profissional. Nesse caso, busque ampliar progressivamente as tarefas dos baldes dois e três, fortalecendo as competências que tendem a ganhar valor nos próximos anos.

Adaptação vale mais do que previsão

A obra afirma que tentar adivinhar quais profissões desaparecerão com a IA é menos útil do que desenvolver a capacidade de adaptação. Um exemplo são os caixas de banco, que tiveram as tarefas repetitivas substituídas pelos terminais eletrônicos.

Hoje, o trabalho humano passou a se concentrar nas atividades de relacionamento, orientação e solução de problemas dos correntistas. Ou seja, o emprego mudou porque as tarefas mudaram. E quem se adapta com mais rapidez passa a ter uma grande vantagem competitiva.

Em vez de apostar na estabilidade de um cargo, é preciso investir em aprendizado contínuo e no uso de novas tecnologias tão logo estejam disponíveis.

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Autor

Patrícia Lages / Imagem gerada por ia