Prejuízos com bets vão além do dinheiro

Apostas online podem comprometer o orçamento, afetar vínculos familiares e levar à dependência; enquanto isso, cresce a busca por atendimento

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As apostas online, conhecidas como bets, têm deixado uma conta cada vez maior para as famílias brasileiras. Segundo o ¹Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), a saída líquida de recursos das famílias para as plataformas de apostas foi estimada em R$ 62,5 bilhões em 2025.

O levantamento integra o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. Além disso, o estudo aponta que a transferência líquida média chegou a R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026.

No entanto, os prejuízos não se limitam ao dinheiro. Quando o comportamento de apostar se transforma em dependência, as consequências podem atingir os relacionamentos, a rotina, a saúde e toda a estrutura familiar.

Uma conta que atinge toda a família

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada pessoa que aposta em nível de alto risco, outras seis, em média, também sofrem consequências — mesmo sem apostar.

Além disso, a entidade aponta que os danos podem envolver dificuldades financeiras, rompimento de relacionamentos e conflitos familiares. Os valores destinados às apostas também podem comprometer despesas essenciais, como alimentação, moradia, saúde e educação.

Dessa forma, o impacto deixa de ser individual. Afinal, quando o orçamento familiar fica comprometido, todos ao redor podem sentir as consequências.

Quando a aposta deixa de ser diversão

O problema também preocupa as autoridades brasileiras. Segundo o Ministério da Saúde, o uso problemático das apostas pode afetar a saúde mental, a situação financeira, a rotina e as relações familiares e sociais.

Entre os sinais de alerta estão apostar por mais tempo ou gastar mais do que o planejado. Além disso, a preocupação frequente com os jogos e as mudanças no sono, no humor e nos relacionamentos também merecem atenção.

  • Diante desses sinais, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece teleatendimento para pessoas com problemas relacionados às apostas e seus familiares. O acesso ocorre pelo Meu SUS Digital. Além disso, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atendimento presencial.

É possível vencer o vício

Embora a dependência possa provocar perdas profundas, existem histórias de pessoas que decidiram enfrentar o problema e conseguiram reconstruir a própria vida.

Isaac também viu as apostas comprometerem muito mais do que seu dinheiro. O vício trouxe dívidas, afetou o sustento da casa e abalou seu casamento com Bruna. No entanto, quando a família chegou a um momento crítico, ele tomou uma decisão que marcou o início de uma transformação.

Assista ao depoimento completo abaixo.

O relato mostra que reconhecer a dependência e decidir enfrentá-la pode representar o começo de uma nova história. Para Isaac, a fé também fez parte desse processo de mudança.

Quando uma mudança alcança toda a casa

Nesse contexto, a Universal desenvolve o trabalho Vício Tem Cura, voltado a pessoas que enfrentam diferentes tipos de dependência, incluindo problemas relacionados a jogos e apostas.

As reuniões acontecem aos domingos, às 15h, e oferecem orientação espiritual a quem deseja abandonar o vício e reconstruir a própria vida. Para saber mais ou participar, encontre a Universal mais próxima.

Afinal, se a dependência de uma pessoa pode afetar toda a família, a mudança também pode produzir reflexos dentro de casa. Vencer o vício pode significar não apenas recuperar o controle financeiro, mas também reconstruir relacionamentos, retomar a rotina e fortalecer os vínculos familiares.

¹ Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros – 3ª edição (atualização), 2026. Dados sobre o impacto das bets na dinâmica financeira das famílias brasileiras.

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Autor

Ester Lima | Foto: iStock