Curso de elétrica em presídio de João Pessoa amplia oportunidades de ressocialização

Apenas no primeiro semestre de 2026, a UNP já capacitou mais de 14 mil pessoas

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Dezoito detentos da Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa (PB), concluíram o curso de elétrica residencial, promovido pela Universal nos Presídios (UNP). Com duração de três meses, a capacitação foi realizada para internos do regime fechado e teve como objetivo ampliar as perspectivas de reinserção social por meio da qualificação profissional. O diretor do presídio, Gilberto Rios, prestigiou a formatura celebrada na última quinta-feira (30/7) e agradeceu em nome da Secretaria de Administração Penitenciária.

O interesse pela iniciativa resultou na abertura de uma nova turma na mesma unidade prisional, que já conta com 38 detentos matriculados. Para A. S., um dos concluintes, a iniciativa representa a oportunidade de construir um novo futuro. “A importância desse curso é nos educar e também conquistar um objetivo na nossa vida, porque muitos de nós não têm formação. Aqui dentro estamos aprendendo para colocar em prática lá fora, para trabalhar e viver do nosso próprio suor.”

Outra frente da iniciativa acontece na Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, também na capital paraibana, onde dez internas estão concluindo o curso de confecção de bijuterias. A formatura está prevista para este mês de agosto.

Mais de 14 mil beneficiados em seis meses

Somente no primeiro semestre de 2026, a UNP promoveu 398 cursos profissionalizantes em unidades prisionais de todo o país, beneficiando 14.434 pessoas privadas de liberdade. As atividades abrangem diferentes áreas, como pintura predial e reforma, marcenaria, empregabilidade e empreendedorismo, auxiliar administrativo, culinária, música, beleza e estética, jardinagem e paisagismo, corte e costura, entre outras formações voltadas à qualificação profissional e à preparação para o mercado de trabalho. Um estudo internacional mostra que os detentos que participam de programas de educação em presídios têm 43% menos chances de reincidir do que aqueles que não participam.

A empreendedora D.P., de 37 anos, que já cumpriu pena por tráfico de drogas na Penitenciária Feminina de Santana e hoje vive em liberdade, foi uma das alunas do curso de marmorato (ou efeito mármore). “Eu já trabalhava com gesso e pintura, mas também coloquei em prática aqui fora o que aprendi. Eu trabalho por conta própria, sou casada, tenho um filho e sustento minha família. Essa formação abriu a minha mente em relação à profissão”.

A atividade de ensino, atualmente em 1.450 unidades prisionais no Brasil, segundo Clodoaldo Rocha, responsável pela UNP, é uma ação social que pode mudar o rumo do pós-presídio: “Nós entendemos que, quando essas pessoas voltarem ao convívio social, elas vão precisar saber o que fazer, pois muitos encontrarão portas fechadas; então, por que não tornar essas pessoas independentes por meio de uma profissão? Há uma gama de cursos oferecidos pela UNP sem custo nenhum para o Estado, pois todos os insumos vêm diretamente de doações e da própria Universal”.

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UNIcom