Nem todo louvor leva a Deus
Mais do que cantar, é preciso entender o que a música desperta, ensina e alimenta dentro de você
Nem toda canção que menciona o nome de Deus conduz, de fato, a Ele. A música tem força para despertar sentimentos, mas emoção não é sinônimo de comunhão com o Altíssimo. Arrepios ou lágrimas podem surgir sem arrependimento nem mudança de vida. É aí que mora o perigo: confundir a sensação produzida pela melodia com uma experiência espiritual verdadeira.
Quando a letra da música não desperta a fé, não conduz o ouvinte à obediência à Palavra de Deus nem promove transformação de vida, o louvor corre o risco de se tornar apenas entretenimento com linguagem religiosa.
Um fio condutor da Palavra
Desde os tempos bíblicos, a música era usada para ensinar e memorizar a Palavra de Deus. Sem livros acessíveis ou gravações, os cânticos ajudavam o povo a guardar os ensinamentos divinos e transmiti-los às próximas gerações.
“Os cânticos não eram para levar as pessoas a um êxtase emocional. Eram para gravar a Palavra de Deus”, ensina o Bispo Renato Cardoso. A orientação aparece em Deuteronômio 31:19, quando Deus manda Moisés escrever um cântico e ensiná-lo aos filhos de Israel. Por isso, muitos hinos cristãos antigos reproduziam as Escrituras ou permaneciam fiéis a elas.
Quando o Altar vira palco
Hoje, a música gospel também faz parte de uma indústria movida por audiência, fama, shows e consumo. O crescimento desse mercado, por si só, não é o problema. O perigo é quando o louvor passa a ser consumido apenas como produto, tendência ou objeto de admiração pelos artistas, deixando de apoiar a adoração para competir com ela e transformando o Altar em palco.
Verdadeiros Adoradores
Os verdadeiros adoradores não são definidos por um repertório extenso nem pela emoção ao cantar. “Quando você faz a coisa certa, escolhe o caminho da verdade, rejeita a mentira e quer agradar a Deus, você está adorando a Deus ali, com a sua atitude”, explica o Bispo Renato.
Isso não significa que não podemos cantar para Deus. “A música tem que ser um apoio e um fio condutor da minha adoração. Mas não pode ser um fim em si. Eu não posso terceirizar o meu louvor a Deus para uma música só porque ela é famosa, toca no rádio e todo mundo está
ouvindo”, conclui.
Fique atento ao que você canta
A principal diferença não está no ritmo, no estilo ou no rótulo “gospel”, mas no centro, na mensagem e no resultado. Veja, no quadro abaixo, como identificar uma música verdadeiramente cristã:
Música que glorifica a Deus
- Tem Deus como centro.
- Está fundamentada na Bíblia.
- Ajuda a memorizar e compreender a Palavra.
- Conduz à fé, ao arrependimento e à obediência.
- Leva a pessoa a refletir sobre o que agrada a Deus.
- Prioriza a mensagem, não o intérprete.
- O cantor está a serviço do culto e da mensagem.
- Busca agradar a Deus, mesmo que isso não agrade às multidões.
- Desperta reverência e consciência espiritual.
- Leva o ouvinte a voltar os olhos para Deus.
Só tem o rótulo de “gospel”
- Coloca o cantor ou o ouvinte no centro.
- Usa linguagem religiosa, mas transmite ideias pessoais.
- É produzida para viralizar ou agradar ao público.
- Produz emoção sem gerar transformação.
- Reforça desejos de conquista e reconhecimento pessoal.
- Destaca a imagem e a fama do artista.
- O cantor se torna a principal atração.
- Segue tendências e atende a interesses comerciais.
- Busca provocar comoção ou entretenimento.
- Leva o público a admirar o artista ou a se concentrar em si mesmo.
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