Golpe do falso advogado tem mais de 14,6 mil denúncias

Saiba como se prevenir para não ser vítima de estelionatários

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Golpes praticados por falsos advogados já motivaram mais de 14,6 mil denúncias à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 2025. Só em São Paulo, foram quase 4,4 mil denúncias no último ano e meio, segundo dados de fevereiro de 2026. Nesse tipo de fraude, os criminosos usam informações reais de processos judiciais, como número do caso e o nome dos envolvidos, para convencer as vítimas de que têm valores a receber. Em seguida, criam um senso de urgência e exigem depósitos para supostas taxas ou custas, direcionando o dinheiro para contas de terceiros.

Cooptação de operadores

Guilherme Gama, advogado especializado em Direito criminal e Processo penal e presidente da Comissão de Direito e Processo penal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, avalia que os criminosos obtêm informações sobre processos, especialmente aqueles com valores a receber, provavelmente por meio da cooptação de operadores do Direito pelo crime organizado. “Essas senhas podem pertencer a advogados, servidores, juízes, promotores ou policiais, e podem ter sido obtidas de forma voluntária ou criminosa”, observa.

Fraudes sofisticadas

Os estelionatários costumam se apresentar como advogados das vítimas e alegam ter mudado de número: “Eles informam que o juiz liberou um determinado valor, solicitando um depósito em dinheiro e prometendo reembolso imediato, mas o dinheiro é desviado. Em fraudes mais sofisticadas, eles se passam por juízes e podem usar a inteligência artificial (IA) para simular a voz dos advogados, dando mais credibilidade ao golpe, para induzir a vítima a clicar em links para compartilhar dados bancários e realizar transferências de
altos valores”.

Frequente e presencial

Gama sugere que os advogados reais elejam um determinado número exclusivo para contato com os clientes desde o início do processo. “Eles devem alertá-los sobre esse tipo de fraude, especialmente quando há valores a receber. A comunicação frequente e presencial entre advogado e cliente sobre o andamento do processo e os prazos reais é fundamental para evitar a ilusão de dinheiro rápido. Desconfie de qualquer contato que prometa liberação imediata, pois processos judiciais são geralmente demorados”, avisa.

Ferramenta de prevenção

O especialista considera a recuperação do dinheiro desafiadora, pois os criminosos dividem e investem rapidamente os valores em diversos ativos para dificultar o rastreamento. “É crucial registrar um boletim de ocorrência para que a polícia cruze informações e identifique padrões criminosos, além de avisar o advogado verdadeiro, pois seu nome também foi usado na fraude. Infelizmente, os golpes são uma realidade, mas a desconfiança e a comunicação eficaz entre advogado e cliente são as melhores ferramentas de prevenção”, conclui.

 

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Colaborador

Eduardo Prestes / Arte: Gean França