O maior erro que você ainda pode evitar

Errar é humano. Mas não reconhecer o erro e mudar de atitude, ou seja, arrepender-se, prolonga as consequências do erro e aumenta o sofrimento. Saiba como quebrar esse ciclo e encontrar a verdadeira paz

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Ao longo da vida, o ser humano toma decisões equivocadas que trazem prejuízos, dor e, muitas vezes, consequências duradouras. No entanto, o problema não está em errar, mas em não reconhecer o erro, não mudar de atitude, ou seja, não se arrepender, e permanecer vivendo um sofrimento que poderia ser interrompido.

Para que a dor não se prolongue, é necessária uma ruptura definitiva com práticas que apenas aprofundam o sofrimento. Isso exige uma mudança de mente, de coração e de direção. Esse é o verdadeiro arrependimento: uma decisão consciente que vai além das palavras e se manifesta em atitudes concretas de obediência a Deus.

É quando alguém que vivia de maneira contrária à Palavra de Deus é confrontado por ela, passa a reconhecer o próprio erro, humilha-se diante d’Ele e decide abandoná-lo. Esse movimento interior dá início a uma nova vida, cuja transformação se torna visível no cotidiano: quem enganava passa a ser honesto; quem traía aprende a ser fiel; quem vivia segundo a própria vontade passa a alinhar suas escolhas à vontade de Deus.

Esse é o arrependimento que interrompe o sofrimento e conduz à verdadeira paz, como afirma a Escritura: “Arrependei-vos e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (Atos 3:19).

Arrependimento: Um dom divino

Se o ser humano não tivesse o poder de escolher qual caminho seguir, não haveria necessidade de arrependimento. Afinal, onde não existe escolha, não há decisão; e, sem decisão, não há erro consciente.

Por isso, quando alguém afirma que não teve escolha, na maioria das vezes essa declaração não corresponde à realidade. A sensação de estar “sem saída” costuma ser o resultado de uma sequência de decisões equivocadas. A pessoa faz escolhas erradas sucessivas até chegar a um ponto em que tudo parece irreversível. Ainda assim, permanece uma opção quase sempre ignorada: parar de fazer.

Esse poder de decidir é o que chamamos de livre-arbítrio. Ao criar o homem, Deus não quis robôs programados para obedecer mecanicamente, nem criaturas que dissessem “sim, Senhor” por falta de alternativa. Ele desejava algo infinitamente maior: um relacionamento baseado na escolha.

Por isso, a declaração de amor mais verdadeira que alguém pode fazer é esta: “Eu poderia não Te amar, mas escolho Te amar”. E, da mesma forma: “Eu poderia não obedecer, mas escolho obedecer”. Foi para isso que Deus nos criou: para que O amássemos e O obedecêssemos de maneira livre, consciente e voluntária.

No entanto, esse mesmo livre-arbítrio, que é um imenso privilégio, também carrega um risco. Por meio dele, o ser humano pode escolher o bem e se aproximar de Deus, mas também pode escolher o mal e se afastar d’Ele. Foi exatamente isso que aconteceu no jardim do Éden e continua acontecendo até hoje. As escolhas humanas têm produzido mais afastamento do que comunhão com Deus.

Sabendo disso, Deus também ofereceu um recurso essencial: o dom do arrependimento. Um presente adicional, como quem diz: “Se isso falhar, use isto para corrigir o caminho”. O arrependimento é esse recurso que permite reconhecer o erro, voltar atrás e fazer a escolha certa. E é o próprio Espírito Santo quem convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Diante disso, desprezar esse dom é desprezar o próprio Deus.

Categorias dos que não se arrependem

O arrependimento é o ponto de partida de toda aproximação sincera com Deus. Sem arrependimento, não há quebrantamento; sem quebrantamento, não há perdão; sem perdão, não há comunhão com Deus. E onde não há comunhão, não há paz, e muito menos salvação.

Esse princípio não é estranho nem mesmo aos relacionamentos humanos. Quando alguém erra e se recusa a se arrepender, demonstra que não reconhece o mal que praticou. Como consequência, tende a repetir o erro. Na vida espiritual ocorre o mesmo: enquanto a pessoa não reconhece, confessa e abandona o pecado, permanece distante de Deus.

Apesar disso, o ser humano costuma cair em três grandes enganos quando o assunto é arrependimento, mas que não correspondem à verdade:

1. Acreditar que não há mais jeito:

Essa é uma mentira que o diabo faz questão de incutir na mente das pessoas. Por isso, tantos vivem carregando uma culpa esmagadora, a ponto de perderem completamente a esperança. Mas, se Deus concedeu o dom do arrependimento, é porque há solução. Sempre existe a possibilidade de interromper o erro e escolher fazer o que é certo.

2. Pensar que pode se arrepender quando quiser:

Outro erro perigoso é adiar o arrependimento. Muitos pensam: “depois eu mudo”, “amanhã eu resolvo isso”. Mas ninguém tem controle sobre o tempo. A Bíblia apresenta exemplos, como Saul e Esaú, que desprezaram essa oportunidade e, quando buscaram o arrependimento, já não encontraram lugar para ele.

3. Imaginar que não tem do que se arrepender:

Há quem se orgulhe de afirmar que não se arrepende de nada. Em uma cultura que valoriza a ideia de viver “sem arrependimentos”, o arrependimento é visto como fraqueza. Mas, a verdade é que todos pecaram. A Bíblia afirma que não há um justo sequer, que todos foram destituídos da glória de Deus. Portanto, o arrependimento não é uma opção para alguns; é uma necessidade para todos.

Como acontece o verdadeiro arrependimento?

1. Reconhecer o erro

Assumir a responsabilidade pelos próprios erros nunca foi algo simples para o ser humano. Diante da culpa, a reação mais comum é se defender, se justificar ou transferir a responsabilidade para fatores externos, tentando aliviar o peso da consciência.

Desde o início esse comportamento já era evidente. No Éden, Deus deu uma ordem clara a Adão e Eva, e ambos a desobedeceram. Quando confrontados, ninguém disse: “eu errei”. Eva culpou a serpente; Adão culpou Eva e ainda insinuou que o erro era de Deus.

Esse padrão permanece até hoje porque reconhecer o erro fere o orgulho, confronta a autoimagem e exige humildade. Por isso, muitos preferem explicar o pecado em vez de abandoná-lo, racionalizar a falha em vez de confessá-la e comparar-se com os outros em vez de olhar para si mesmos.

Arrependimento verdadeiro não se resume a remorso, culpa ou tristeza momentânea. Ele começa quando a pessoa deixa de se colocar como vítima, admite com sinceridade a própria responsabilidade e decide mudar de direção. É abandonar o discurso do “todo mundo faz” e assumir, com humildade: “eu preciso mudar”.

Enquanto alguém insiste em se justificar, permanece preso ao mesmo ciclo. Mas, quando reconhece seu pecado diante de Deus, sem desculpas e sem máscaras, abre espaço para o perdão, para a cura da alma e para uma nova vida.

O arrependimento não enfraquece o ser humano; ele o liberta. Ainda assim, muitos o rejeitam e, por isso, permanecem distantes de Deus.

2. Humilhar-se diante de Deus e pedir perdão

“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

Quando a pessoa se humilha diante de Deus, confessa sinceramente os seus pecados e decide abandoná-los de forma definitiva, ela recebe o perdão divino. As Escrituras não apresentam outro caminho pelo qual o ser humano possa ser perdoado pelo Altíssimo senão este. Aqueles que perseveram em vencer a si mesmos são continuamente purificados pelo sangue do Senhor Jesus.

3. Detestar o pecado e mudar completamente de atitude

Quem abandona o pecado e se volta para Deus com sinceridade passa a viver de uma forma totalmente diferente, trocando a vida antiga do pecado por uma vida correta e digna. Por isso o arrependimento é diferente de remorso. O remorso é apenas um sentimento passageiro de culpa. Já o arrependimento produz transformação.

Aquele que realmente se arrepende não deseja voltar ao mesmo erro. O símbolo dessa decisão é o batismo nas águas, que representa o sepultamento da velha criatura e o nascimento de uma nova. E o selo dessa entrega é o Espírito Santo, que habita apenas na nova criatura.

Só aqueles que O têm foram gerados por Deus e fazem parte do Seu Reino. Portanto, quem diz que possui o Espírito Santo, mas não vive segundo a Palavra, engana a si mesmo. Assim, muitos passam anos na igreja, mesmo batizados nas águas, e não O recebem; outros pensam tê-Lo, mas continuam no pecado. Falta-lhes arrependimento verdadeiro.

Ela achou que estava arrependida

Há uma diferença silenciosa, mas decisiva, entre buscar a Deus por interesse e encontrá‑Lo de forma verdadeira. A copeira hospitalar Jamile Santiago, de 32 anos, descobriu isso na prática

Tive meu primeiro contato com a Igreja Universal aos três anos, levada pela minha mãe. Desde cedo, eu nutria o sonho de servir a Deus e sabia que, para isso, precisava me batizar nas águas e receber o Espírito Santo. Aos 13 anos, me batizei nas águas. A partir daí, foquei totalmente no Espírito Santo. Renunciei às minhas vontades e compreendi que somente Ele poderia transformar meu interior, pois eu era medrosa, ansiosa e insegura. Sabia que Ele supriria tudo o que me faltava, mas que isso exigia uma entrega completa.

Autoenganada

Fui levantada à obreira aos 16 anos. Pouco depois, ao conseguir um emprego, comecei a descuidar da minha fé. Eu percebia que estava me afastando de Deus, até por coisas pequenas, mas não tinha forças para reagir e, aos poucos, acabei saindo da igreja. Eu acreditava que tinha o Espírito Santo, porém logo percebi que não O tinha. Hoje entendo que o Espírito Santo é nossa base e sustento: com Ele vem uma paz que nada consegue tirar. Se me afastei por tão pouco, é porque, na verdade, nunca O tive.

Longe e vazia

Fiquei quase três anos afastada. Foi um período muito difícil, pois nada se compara à falta da presença de Deus. Tentei preencher esse vazio com distrações, saídas e festas, mas nada resolvia. Em casa, vinham as crises de ansiedade, as noites mal dormidas e o vazio constante. Eu sabia que precisava voltar, mas não conseguia. A vergonha falava mais alto e eu não me sentia digna. Até que as crises se intensificaram, a ponto de eu precisar de acompanhamento psicológico.

Arrependida de verdade

Ao retornar, entendi, pela primeira vez, o que é arrependimento verdadeiro. Não só reconheci meus erros; passei a ter nojo deles. Senti vergonha do que fiz e decidi nunca mais voltar àquela vida. Antes, eu pensava que podia errar, pedir perdão e depois repetir tudo. Hoje sei que arrependimento é decisão, mudança e amor por Jesus acima de tudo.

Eu provei das duas realidades: viver com Deus e viver sem Ele. E posso afirmar: sem Jesus não há vida. Tudo é vazio, tudo é ilusão. Por isso, hoje valorizo tudo o que tenho com Deus. Me batizei novamente nas águas e, após três meses, recebi o Espírito Santo. Ele se tornou mais importante para mim do que qualquer coisa ou pessoa. Hoje, finalmente, encontrei o que sempre busquei: a plenitude em Deus.

Arrependa-se antes que seja tarde

Deus concedeu ao ser humano a responsabilidade de decidir o seu destino eterno, e essa decisão passa, inevitavelmente, pelo arrependimento.

Trata-se de uma escolha pessoal que exige fé, coragem e determinação. Não é emoção passageira nem impulso momentâneo, mas uma decisão consciente de abandonar o erro e viver de acordo com a Palavra de Deus. Por isso, o chamado é urgente: o dia é hoje, a hora é agora.

Deus não tem prazer na morte do pecador; ao contrário, deseja que ele se arrependa e viva. Há alegria no céu quando alguém se volta para Ele (Lucas 15:7). Portanto, se arrepender é, acima de tudo, decidir viver.

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Colaborador

Núbia Onara / Arte sobre foto: kevron2001/getty images, serggn/getty images e cedida