Ela não aceitou depender de uma máquina para viver

Diante de um quadro grave, a cirurgiã-dentista Helen Lira enfrentou dias de medo, de incerteza e uma decisão que mudaria tudo

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Em 2018, o que parecia ser apenas um mal-estar passageiro se transformou em uma das fases mais difíceis da vida da cirurgiã-dentista Helen Lira, de 34 anos. Ela conta que estava em casa fazendo um alisamento capilar quando, após um enjoo, vomitou. Acreditando se tratar de algo simples, foi ao hospital em sua cidade, Rosário do Catete (SE).

“Me deram soro porque falaram que era problema de estômago. Voltei para casa, só que não melhorava. No mesmo dia, eu já estava vomitando a cada 20 minutos e não conseguia me alimentar. Se eu tomava um copo de soro, colocava o dobro da quantidade ingerida para fora”, relata.

No dia seguinte, um pouco melhor, ela foi à capital, Aracaju, a 37 km de sua cidade, onde passou por consulta com um especialista. A suspeita, porém, permaneceu a mesma, já que ela tinha histórico de problemas gástricos. Sem melhora, voltou para casa. No outro dia, retornou à urgência em sua cidade e recebeu novamente medicação e soro.

O fim de semana passou, mas os sintomas persistiam. “Passei a madrugada de domingo para segunda-feira sem dormir, sem comer e só vomitando. Ia do sofá para a cama, porque, se ficasse muito tempo deitada ou sentada, começava a sentir enjoo”, lembra.

O diagnóstico e o momento mais difícil

Somente na segunda-feira, já em outro hospital, em Aracaju, veio o diagnóstico correto: insuficiência renal aguda. Mesmo assim, Helen demorou a aceitar a gravidade da situação. “Na minha cabeça, era loucura o médico me dar aquele diagnóstico. Solicitei minha alta médica e voltei para casa”, conta.

Insuficiência renal aguda (IRA)

A insuficiência renal aguda, também chamada de lesão renal aguda, é a perda súbita da capacidade dos rins de filtrar resíduos, sais e líquidos do sangue.

Pode ser causada pela redução do fluxo sanguíneo para os rins, pelo uso de determinados medicamentos, por infecções ou por obstruções urinárias.

Os sintomas incluem diminuição da produção de urina, inchaço, cansaço, falta de ar, náuseas e confusão mental. Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões ou coma.

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames de sangue, urina e imagem, podendo, em alguns casos, incluir biópsia renal.

A prevenção envolve o controle de doenças como diabetes e hipertensão, o uso adequado de medicamentos e a adoção de hábitos saudáveis.

O tratamento depende da causa e pode incluir dieta específica, restrição de líquidos, uso de medicamentos e, em casos mais graves, diálise.

Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia

Sem apresentar melhora, ela procurou novamente atendimento no dia seguinte e recebeu um alerta decisivo: precisaria fazer hemodiálise. Internada, entrou no hospital sem previsão de alta. “Na verdade, o que eu ouvia era que poderia ficar, no mínimo, três meses ali”, revela.

Uma frase dita pela equipe médica marcou aquele período: “O caso dela é grave e precisamos correr contra o tempo”. Pelos exames, havia risco de sequelas, o que aumentava ainda mais a tensão.

Entre todos os momentos difíceis, a hemodiálise foi o pior. “Sem dúvida, foi o pior momento. Eu me vi em um lugar que nunca imaginei estar, cercada de pessoas debilitadas, passando mal. Ali, o medo apareceu: o medo de depender daquela máquina para viver”, relata.

O conflito da dor

Em meio ao sofrimento, Helen se apegava a Deus. “Desde o início, quando procurei ajuda médica, ao mesmo tempo me agarrei à minha fé: eu orava, me ungia com o azeite consagrado e bebia da água consagrada que minha mãe apresentava durante as reuniões de domingo na Universal. Fazia tudo o que estava ao meu alcance”, afirma.

Ainda assim, ela admite que viveu um forte conflito interior. “Como não havia melhora e ninguém me dava previsão de alta, comecei a sentir que minhas orações não estavam chegando até Deus. Era um conflito constante: de um lado, o que os médicos diziam; do outro, a minha fé no milagre.”

Sem poder sair do hospital, ela sentia que a vida havia parado. “Minha vida simplesmente ficou pausada até meus rins voltarem a funcionar.” O medo e o choro eram constantes.” Até que, sozinha no leito, Helen viveu um momento que considera decisivo: “Eu falei: ‘Deus, eu não aceito mais viver assim. Que a Tua vontade seja feita, mas eu não vou mais chorar’.”

Reação à fé

A partir dali, algo começou a mudar. “Comecei a ver pequenas melhoras nos exames”, relembra. Em seguida, ela se recusou a fazer uma terceira hemodiálise. “Conversei com a médica e disse que não queria. Se meus rins precisavam reagir, eu não queria mais que um aparelho fizesse o que eles tinham que fazer. A médica aceitou, sob a condição de que, se em 24 horas eu não melhorasse, voltaria para a máquina de diálise. No fim do dia, os exames foram refeitos, e os índices estavam melhores.”

Após uma semana internada, os rins voltaram a funcionar, sem necessidade de novas sessões, e Helen recebeu alta.

As causas só foram esclarecidas em 2022. A investigação apontou relação com o uso, nos cabelos, de um produto contendo ácido glioxílico, que foi imediatamente suspenso. Desde então, não houve novas crises.

Para ela, no entanto, a maior marca daquele período permanece viva: a certeza de que, mesmo em meio ao medo e a um diagnóstico grave, a fé a sustentou até a superação. “Hoje estou bem, saudável e vivendo minha rotina normalmente.”

A Universal ensina a prática da fé espiritual associada ao tratamento médico recomendado a cada paciente.

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Colaborador

Núbia Onara / Foto: Cedidas