Casamentos frágeis: Por que os matrimônios estão durando menos?

Expectativas irreais, dificuldade de diálogo e falta de preparo emocional ajudam a explicar por que tantos relacionamentos têm chegado ao fim

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A fragilidade dos relacionamentos tem se tornado cada vez mais evidente no Brasil. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em dezembro de 2025 com base em dados de 2024, revelou que o País registrou cerca de 428 mil divórcios naquele ano. Embora o número represente uma leve redução de 2,8% em comparação com 2023, outro dado chama atenção: o tempo de duração dos casamentos tem diminuído.

Segundo o levantamento, as uniões estão cada vez mais curtas no País. Em 2004, o tempo médio de um casamento era de 17,1 anos. Em 2010, passou para 16 anos; em 2014, caiu para 14,7; e, em 2024, recuou ainda mais, chegando a 13,8 anos.

Os bastidores da fragilidade

Esse cenário pode estar ligado a diversos fatores, como questões financeiras, dificuldade de comunicação, falta de atenção, propósitos distintos e, inclusive, a falta de preparo emocional para o matrimônio. Segundo a psicóloga Camila Galhego, muitas pessoas entram em uma relação sem desenvolver o autoconhecimento ou maturidade para lidar com os conflitos no dia a dia.

“Os problemas no casamento geralmente não surgem por questões superficiais, mas por conflitos mais profundos que cada pessoa ainda não resolveu dentro de si. Quando essas questões não são trabalhadas antes da relação, aumenta o risco de que o casal desenvolva uma dinâmica tóxica, porque ambos ainda não sabem se relacionar de forma saudável”, explica.

Outro ponto que pode fragilizar o relacionamento é a criação de expectativas irreais sobre o casamento e sobre o próprio cônjuge. Muitas vezes, as pessoas passam a comparar a própria relação com a de outras pessoas, celebridades ou histórias idealizadas vistas em filmes e séries. Nessa tentativa de reproduzir um modelo ideal, acabam tentando mudar o parceiro para que ele se encaixe no que foi planejado, o que naturalmente gera conflitos.

“Precisamos entender que o outro é diferente, veio de um outro ambiente, viveu outras experiências e por isso não pensará e nem agirá sempre igual a nós”. Quando o casal aprende a transformar essas diferenças em aprendizado, em vez de problema, o relacionamento tende a ser mais forte.

Desistir é melhor. Será?

Se um conflito isolado já causa impacto, imagine quando o casamento é marcado por brigas e discussões constantes. Com o tempo, o desgaste se torna inevitável. É como se um não ouvisse o outro, ou como se falassem línguas diferentes. É nesse momento que muitos veem a separação como a melhor solução. Mas na verdade ela costuma ser uma rota de fuga que deixa muitas marcas.

“Frustrações, falta de esperança em uma nova relação, baixa autoestima e até depressão são problemas recorrentes após o fim de um casamento”, explica Camila. Ela acrescenta que os filhos também podem sentir os efeitos da separação. “Muitos acabam carregando inseguranças que podem refletir em seus próprios relacionamentos no futuro, já que tiveram uma base de mãe e pai que ‘não deram certo’”.

Tornando o casamento forte

Para não entrar para as estatísticas e evitar uma vida marcada por tanta dor, é preciso aprender a investir no relacionamento. Há décadas, a Terapia do Amor se dedica a desmistificar o casamento e mostrar que é possível ter uma vida a dois realizada quando os cônjuges conhecem a si mesmos, compreendem o parceiro e conhecem a Deus, que é o Autor do Amor.

Em cada palestra, os participantes são incentivados a olhar para dentro de si, identificar traumas do passado, reconhecer as experiências que influenciam comportamentos e entender a raiz de certos hábitos. A partir desse processo de autoconhecimento, é possível iniciar mudanças que começam no interior e passam a se refletir também na forma de se relacionar com o outro.

O ingrediente que faz toda a diferença nesse processo é a fé na Palavra de Deus. Além de trazer ensinamentos importantes para a vida a dois, ela oferece direção para quem deseja reconstruir o relacionamento. Deus, criador do amor e do casamento, é também aquele que pode curar feridas e restaurar o que um dia se quebrou.

7 Ferramentas do amor inteligente

O livro Casamento Blindado 2.0 apresenta 27 ferramentas para ajudar na resolução de problemas. Selecionamos 7 delas para você. Confira:

1 – Não durma com problemas: Resolva os conflitos no mesmo dia. Adiar a conversa só faz o problema crescer e desgastar ainda mais a relação.
2 – Não generalize: evite frases como “sempre” e “nunca”. Foque na situação específica e trate o problema atual, sem atacar o caráter.
3 – Nunca ridicularize seu companheiro(a): respeito é essencial dentro e fora do relacionamento. Evite piadas, sarcasmo ou exposição de falhas.
4 – Inicie a conversa brandamente: o tom inicial define o rumo do diálogo. Comece com palavras calmas e evite acusações.
5 – Blinde-se na internet e redes sociais: estabeleçam limites claros no ambiente online. Transparência e respeito evitam desconfianças e conflitos.
6 – Resgate seu companheiro(a): em momentos de sobrecarga, ofereça apoio prático e emocional. Pequenos gestos fortalecem a parceria.
7 – Pare de reclamar e comece a orar: quando as conversas não resolvem, busque direção em Deus. A oração traz sabedoria, equilíbrio e mudança interior.

Para aprender mais sobre o amor inteligente, participe das palestras da Terapia do Amor, realizadas às quintas-feiras em todos os templos da Universal. Para encontrar o endereço mais próximo, acesse universal.org/localizar.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Arte sobre fotos: getty images