“Eu pedi para um traficante matar meu namorado”

Veja como Raiane Nascimento reescreveu a sua história longe do tráfico

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Raiane da Silva Rosa Nascimento tem 32 anos e trabalha como apoio escolar em um colégio particular de Salvador (BA). Quem a vê hoje, casada e mãe de duas filhas, não imagina que ela já se envolveu com o tráfico de drogas e escapou da morte várias vezes. “Tudo começou na adolescência, quando me afastei da presença de Deus e me envolvi com outras religiões por influência do meu namorado. Toda vez que eu terminava com ele, depois de traições e brigas, uma amiga que namorava um traficante me levava para um bairro vizinho, e eu ficava com outros caras. Lá sempre havia muita droga, mas eu não usava por medo do vício, embora bebesse e fumasse demais”, recorda.

Desejo de matar

Apesar de não traficar, Raiane estava cada vez mais envolvida com criminosos. “Eu guardava as armas dos traficantes, aproveitando que as mulheres eram menos revistadas pela polícia em festas, e estava sempre metida em confusões. Apesar de parecer alegre, sentia um imenso vazio, tinha pesadelos em que era baleada e fui desenvolvendo ódio e o desejo de matar, tanto que, após uma briga, pedi para um traficante matar meu namorado, oferecendo dinheiro pelas balas. Só não aconteceu porque o traficante teve que sair do bairro”, revela.

Última chance

Ela conta que sempre participava do carnaval. “Era a festa que eu mais amava. Em 2011, antes de ir, passei perto de uma Universal, pedi proteção a Deus e usei um azeite consagrado dado por um obreiro. Depois, à noite, um rapaz foi morto ao meu lado. Na madrugada seguinte, ao voltar para casa com amigas, ouvi dois homens planejando nos matar. Desesperada, vi um caminhão de lixo e orei a Deus por uma última chance, prometendo retornar à Universal. O motorista nos escondeu na cabine, impedindo que os homens nos encontrassem”.

Mais um livramento

Ao chegar em casa, Raiane viu sua mãe ajoelhada, orando por ela. “Confessei tudo o que havia vivido. No dia seguinte, fui à Universal e entreguei a minha vida a Jesus. Ao voltar para casa, descobri que um amigo que me convidara para sair na noite anterior havia sido assassinado e percebi que Deus tinha me dado mais um livramento. A partir daí, iniciei o processo de libertação, me arrependi das antigas ações, perdoei a quem me odiava e busquei o perdão de quem eu havia ferido”, relata.

Frutos do Altar

Raiane reencontrou seu antigo namorado, o mesmo que ela desejou matar, e, após cinco anos longe um do outro, resolveram reatar. “Propus que se ele quisesse algo comigo, teria que seguir o caminho que eu estava trilhando. Obedecemos a Palavra de Deus, e ele foi batizado com o Espírito Santo antes de mim. Hoje somos obreiros, a paz substituiu as brigas, e o vazio e a tristeza desapareceram. Edmarlen e eu não podíamos ter filhos, mas fomos abençoados e, milagrosamente, hoje temos duas filhas lindas que considero frutos do Altar. Deus sempre nos dá uma oportunidade de mudança e transformação”, conclui.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Fotos: Cedidas