Quando a infância termina cedo demais
Responsável pelos irmãos ainda menina, Bruna Melo enfrentou abandono, gravidez precoce e decisões que marcaram profundamente a sua história
A vendedora Bruna Melo, de 26 anos, foi criada pela mãe e pelo padrasto, que a registrou, assim como ao irmão mais velho, como filhos biológicos. Aos 11 anos, ela enfrentou a separação do casal e, a partir dali, sua vida tomou um rumo turbulento. Desempregada, a mãe passou a cuidar sozinha de seis filhos pequenos, sem qualquer apoio financeiro do ex-companheiro.
Responsabilidade antes da hora
Diante das dificuldades, a mãe de Bruna começou a viajar para trabalhar em cidades vizinhas. Assim, aos 14 anos, a adolescente assumiu a responsabilidade de cuidar dos irmãos menores e da casa. “Eu cuidava dos afazeres domésticos, levava meus irmãos à escola e administrava as compras. Era muita responsabilidade, mesmo sendo menor de idade”, recorda.
Nesse período, ela começou a se relacionar com um amigo do irmão que frequentava a casa da família. O namoro começou rapidamente, mesmo sem a aprovação da mãe. Ao mesmo tempo, as irmãs passaram a adotar comportamentos inadequados para a idade, o que provocava conflitos constantes dentro de casa. A sobrecarga e as discussões constantes a levaram ao limite. “Eu estava cansada de cuidar de tudo. Eu e minha mãe discutíamos muito, principalmente quando ela voltava de viagem”, conta.
Sem casa e sem apoio
A situação saiu do controle durante uma discussão, quando Bruna contou à mãe que não era mais virgem. Ela foi agredida e expulsa de casa, passando a morar com o namorado.
A agressão deixou marcas profundas
“Cresci com essa lembrança. Com o tempo, percebi que acabei reproduzindo cenas de agressão, porque eu não aceitava levar desaforo para casa”, reconhece.
Aos 15 anos, ela engravidou do primeiro filho. O relacionamento, no entanto, era marcado por brigas, ciúmes e xingamentos.
Em meio às dificuldades, Bruna decidiu procurar novamente a mãe, com quem não falava há muito tempo, e desabafou sobre o sofrimento que vivia. Foi quando voltou para a casa materna, já grávida do segundo filho.
Uma dor ainda maior
Com o emocional completamente abalado, Bruna abandonou os estudos e decidiu interromper a gravidez, tentativa que não se concretizou. “Depressiva e angustiada, eu tentei o aborto, mas isso trouxe graves consequências para a saúde do meu filho quando nasceu”, lamenta.
O bebê nasceu com Síndrome de Down e também enfrentou problemas cardíacos, passando por diversas cirurgias.
Foi durante uma internação do filho que Bruna teve o primeiro contato com a Igreja Universal. Voluntários do Grupo da Saúde oraram por ele e ofereceram apoio.
Naquele momento, ela fez uma promessa a Deus: se o filho recebesse alta, entregaria sua vida a Ele. Porém, não cumpriu a promessa imediatamente.
A necessidade falou mais alto
Depois de passar meses no hospital com o filho, Bruna voltou para casa e reencontrou antigas amigas que aparentavam ter conquistado estabilidade financeira.
Curiosa, pediu que uma delas a indicasse para trabalhar no mesmo lugar. Foi então que descobriu que as amigas eram garotas de programa. Mesmo assim, não recusou a proposta.
Então ela deixou os filhos sob os cuidados do pai e passou a viajar para outras cidades em busca de dinheiro. “Eu conseguia dinheiro rápido e fácil para comprar fraldas e sustentar meus filhos. Isso me dava condições de suprir as necessidades deles.”
Ela permaneceu nessa vida por cerca de cinco anos. Nesse período, também passou a se relacionar com mulheres. Até que foi evangelizada por voluntários do EVG Night, projeto da Universal que oferece apoio espiritual a homens e mulheres que vivem na prostituição. Mesmo resistente, começou a frequentar algumas reuniões.
O começo de uma nova vida
A mudança decisiva aconteceu quando Bruna passou a sentir fortes dores provocadas por um cisto e uma obreira insistiu para que ela fosse à igreja e chegou a buscá-la no dia seguinte. “Eu estava sem fé nenhuma, mas pedi a Deus que me curasse. No final da reunião percebi que a dor havia sumido. O cisto tinha estourado. Fui curada”, relata.
A partir dali, Bruna iniciou uma profunda mudança em sua vida. Ela terminou o relacionamento que mantinha com outra mulher, deixou para trás as mágoas que carregava do pai e do padrasto, por se sentir abandonada por eles, e, em menos de dois meses, se batizou nas águas.
Bruna também passou a colocar em prática tudo o que aprendia sobre como agradar a Deus. Meses depois, ao participar de um propósito em que escreveu uma carta para Deus, recebeu o batismo com o Espírito Santo.
Desde então, segundo afirma, sua vida mudou completamente. “Hoje eu tenho paz, tenho um emprego do qual não me envergonho e sou verdadeiramente feliz”, comemora.
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