“Eu queria acabar com a dor”

O sofrimento de Luciana Terto durou 11 anos e era tão grande que ela pensou até em suicídio. Para sair dele, ela fez algo que não tinha a menor vontade

Imagem de capa - “Eu queria acabar com a dor”

Luciana Terto, hoje com 38 anos, frequentou a Universal dos 8 aos 17 anos enquanto morou com a tia em Belém, capital do Pará, depois da separação dos pais. Prestes a completar 18 anos, ela foi para a cidade de Parauapebas, no interior do Pará, para morar com a mãe e ajudá-la nas despesas domésticas, embora as duas tivessem uma relação difícil. Luciana começou a trabalhar e a nova rotina a afastou das reuniões da Igreja, até que ela parou definitivamente de ir.

Coração frustrado e vazio

Após se afastar da fé, Luciana tentou preencher o vazio emocional com relacionamentos e engravidou de um rapaz com quem teve um envolvimento conturbado. Durante a gravidez, por sentir aversão à presença dele, ela passou a rejeitá-lo, o que atribui hoje a fatores psicológicos e espirituais. “Quando ele estava longe, eu tinha saudades, mas não suportava quando ele estava perto. Vivemos por um bom tempo em meio a muitos conflitos. A comunicação entre nós era muito ruim, não havia respeito e tudo isso contribuía para aumentar ainda mais o ódio e a mágoa que eu sentia por ele”, conta.

Depois da separação, ela mudou seu comportamento: passou a ter crises de ansiedade, nervosismo, insônia, dores de cabeça e, posteriormente, síndrome do pânico e sintomas de depressão. Para tentar aliviar o vazio, ela buscava conforto bebendo, indo a festas e se envolvendo em relacionamentos. “Quanto mais eu buscava em coisas ou em pessoas, pior eu ficava. Cheguei a um estágio da síndrome do pânico em que já não saía mais de casa. Passei a me isolar até dentro do meu lar, ficava trancada no quarto, chorava muito e não dormia à noite”, lembra.
Nervosa, Luciana revela que muitas vezes descontava a frustração em seu filho: “Sempre que ele fazia algo que me irritava, eu falava palavrões. Quando vinham os pensamentos de suicídio, era como se ele não existisse”.

O Fim de 11 anos de dor

Ao assistir a um programa da Universal, um testemunho que descrevia uma situação semelhante à sua a motivou a retornar à Igreja após 11 anos de afastamento. Ao chegar, ela desabafou com o pastor, que orou por ela e a orientou a participar das reuniões de libertação, às sextas-feiras. “Eu não queria acabar com a minha vida, mas queria acabar com a dor. Mesmo assim, os pensamentos de suicídio vinham. Então, decidi participar das reuniões.” Apesar do desânimo, ela não desistiu: “Muitas vezes eu ia à Igreja chorando, mas dizia a mim mesma: ‘Eu dei a minha palavra e vou cumprir’.”

Durante esse período, ela entendeu que somente o Espírito Santo lhe daria a paz que desejava. Em dois meses, ela se batizou nas águas e recebeu o Espírito Santo. “Ali tive a certeza da minha cura. Ao receber a paz dentro de mim, a paz que tanto desejava e buscava, nasceu também o desejo de levar essa oportunidade a outras pessoas”, resume. Há nove anos livre da depressão e vivendo uma nova vida, Luciana atualmente é voluntária no Grupo Depressão Tem Cura (DTC).

Saiba mais

Leia as demais matérias dessa e de outras edições da Folha Universal, clicando aqui. Confira também os seus conteúdos no perfil @folhauniversal no Instagram.

Folha Universal, informações para a vida!

imagem do author
Colaborador

Núbia Onara / Foto: Cedida