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Notícias | 3 de novembro de 2019 - 00:05


Uma mulher é agredida a cada 4 minutos no Brasil

Uma morte é registrada a cada oito horas no País, segundo dados do Ministério da Saúde. O número pode ser ainda maior, pois nem todas as vítimas têm coragem de denunciar

Uma mulher é agredida a cada 4 minutos no Brasil. O dado é assustador, não é? Esse é o resultado do levantamento realizado pelo Ministério da Saúde. Mais triste ainda é pensar que muitas não figuram nas estatísticas porque têm medo de denunciar.

Em entrevista à Folha Universal, a advogada Cátia Vita afirma que essa violência acontece, principalmente, dentro de casa. “Ao contrário da ideia de que o lar é um local seguro para as mulheres, é justamente dentro de casa que ocorre boa parte da violência. Na maioria dos casos, conhecer o agressor faz com que muitas não denunciem o crime”, observa.

Segundo ela, normalmente, os agressores são os próprios companheiros. Identificar um agressor, nesses casos, não é tarefa simples, porque muitos aparentam bom comportamento quando estão fora de casa.

Um exemplo é o ator
norte-americano Jeremy Renner, que interpretou o personagem Gavião Arqueiro no filme Vingadores. Ele foi acusado pela ex-esposa, a artista Sonni Pacheco, de pôr em perigo a vida dela e da filha do casal de apenas 6 anos, Ava.

Jeremy Renner

De acordo com o site norte-americano TMZ, um dos episódios teria acontecido em novembro de 2018, quando o ator, que estava sob o efeito de drogas, ameaçou assassinar Sonni porque, segundo ele, “não conseguia lidar mais com ela”. O ator ainda teria colocado a arma na própria boca e ameaçado se suicidar.

Atitudes como a de Renner não são exceção. A psicóloga Flávia Sorrentino explica que a violência não existe só no campo físico e alerta que a mulher precisa ficar atenta para reconhecer quando está sendo vítima dela. “A violência pode se apresentar de formas diferentes, seja física, psicológica, patrimonial, moral ou sexual. E, se as agressões não forem interrompidas, podem levar ao feminicídio, termo para denominar assassinatos cometidos em razão do gênero.”

É preciso denunciar
Para interromper esse ciclo, a denúncia é importante. “Quando a vítima não procura ajuda das autoridades de segurança, a tendência é de que a violência se amplie e termine em morte. Qualquer cidadão pode entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180. A denúncia é anônima e gratuita e o serviço está disponível 24 horas em todo o País”, orienta Cátia.

Depois de denunciar, a mulher precisa aprender a recomeçar a vida longe do agressor. Para auxiliá-las, existem projetos como o Raabe que, desde 2011, proporciona uma estrutura segura e acolhedora para as vítimas de violência.

Segundo a coordenadora nacional do Raabe, Fernanda Lellis, o grupo oferece informações jurídicas e presta apoio emocional e espiritual.

“A maioria das mulheres que nos procuram chega psicologicamente transtornada e insegura. É necessário que a vítima pare de se culpar e comece a escrever uma nova história. Isso só é possível quando a ferida se torna uma cicatriz e o Raabe existe para ajudar nesse
processo de cura.”

Para obter mais informações, acesse universal.org/godllywood-raabe/.


  • Ana Carolina Cury / Foto: Getty Images 


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