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Notícias | 15 de setembro de 2019 - 00:05


Ameaça a quem?

Igreja Católica alega que presença evangélica na Amazônia prejudica cultura local e pega carona na ecologia para encobrir medo de perder a influência sobre o povo

A Igreja Católica entrou na falsa corrente mundial pró-Amazônia ao alegar que a ação de igrejas protestantes na região prejudica a população e a ecologia, segundo o artigo Missões evangélicas são uma grande ameaça à cultura amazônica, publicado no site de notícias católico Crux.

A acusação é bem oportunista, pois o Vaticano realizará de 6 a 27 de outubro o Sínodo da Amazônia, encontro de bispos para discutir assuntos relativos à região. O curioso é que políticos brasileiros cumprindo mandato atualmente tiveram a participação vetada.

Em entrevista concedida ao Crux, o bispo italiano Flavio Giovenale, atuante em Cruzeiro do Sul, no Acre, revelou as verdadeiras preocupações romanas: a presença evangélica crescente, enquanto a católica diminui. “Até a década de 1970, quando cheguei à Amazônia, o Brasil era quase completamente católico, mas a expansão das terras agrícolas na floresta desmatada mudou tudo. É quase como se os evangélicos tivessem o projeto de transformar a Amazônia em um território não católico”, acusa.

O bispo, porém, admite que “os evangélicos certamente preencheram os espaços que deixamos abertos. Os distritos históricos (os centrais) da maioria das cidades do Brasil estão cheios de igrejas católicas, enquanto os bairros pobres e distantes têm apenas as evangélicas”. Isso deixa claro o interesse católico mais intenso onde se concentra mais poder e dinheiro.

O artigo cita uma pesquisa que mostra que a porcentagem de católicos na população brasileira pode cair para 38,6% em 2032, enquanto a de evangélicos pode chegar a 39,8%, passando a ser maioria no País. Ivaneide Cardozo, antropóloga brasileira entrevistada pelo Crux, cita uma das razões da maior presença protestante no Norte: “eles (os evangélicos) passam mais tempo nas aldeias e investem muito tempo na conversão de líderes indígenas.”

Mas Ivaneide também diz que “a maioria dos pastores não condena eventuais irregularidades como roubar madeira, mineração ilegal e arrendamento ilegal de terras, por isso parecem ser melhores do que os missionários católicos, que pregam a proteção da natureza e reprovam condutas ilegais”. Entretanto ela não apresenta provas do que diz.

O bispo Giovenale declara: “na minha diocese temos em média um padre para uma área de 4.910 quilômetros quadrados. Os desafios do transporte são imensos.” Como ele explica, então, que os evangélicos conseguem chegar a mais comunidades indígenas, já que o acesso é tão “impossível” assim? Dessa forma, o religioso italiano deixa claro o que está realmente sendo ameaçado: a influência romana, cada vez menor. As referências históricas do Brasil, inclusive, não mostram que a ação católica portuguesa tenha sido positiva para as populações indígenas desde

O descobrimento
O próprio Giovenale disse ao Crux que sua instituição deve imitar a atitude evangélica que ele mesmo critica: “temos que deixar de ser igreja visitante e nos tornarmos igreja de presença.”

O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército brasileiro e assessor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, disse em entrevista recente que “o Sínodo escapou para questões ambientais e também tem o viés político”. Ele diz que o que for deliberado pelo encontro de bispos pode ser explorado pelos ambientalistas, pondo mais lenha na polêmica das queimadas que esconde os reais interesses do mundo nas matas brasileiras. “Que fique claro: não vamos admitir interferência em questões internas de nosso país”, alerta.


  • Redação / Fotos: Cedidas 


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