Usando a água como nos tempos bíblicos

Por Marcelo Rangel / Fotos: Demetrio Koch

Água é assunto sério em qualquer deserto, por conta da óbvia escassez. Captá-la nas raras épocas de chuvas e conservá-la para os tempos de falta, assim como promover sua permanência no solo e garantir a fertilidade, sempre foram grandes desafios.

No século 21, não desperdiçar o líquido tão necessário à vida continua sendo um desafio. O Templo de Salomão, além de preparado para captar e aproveitar água das chuvas que cai nos telhados e no chão (em cisternas que ficam sob o piso da área externa e em algumas colunas da fachada), adaptou seu Jardim Bíblico e canteiros a um sistema de irrigação utilizado há mais de dois milênios na Terra Santa.

O pesquisador Pedro Berliner, diretor dos Institutos Jacob Blaustein para Pesquisas do Deserto, divisão da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Israel, soube de um método usado pelos antigos nabateus, ancestrais dos árabes que habitavam não só a área onde hoje se situa Israel bem como partes das atuais Jordânia (onde construíram a bela Petra, com seu sistema de obtenção e estoque de água), Arábia Saudita e Síria. De modo simples e eficaz, eles faziam com que a água das raras chuvas permanecesse mais tempo no solo, garantindo a irrigação praticamente permanente de árvores e outros vegetais.

Em grandes áreas como lavouras, o sistema de otimização hídrica envolve sulcos de plantio com culturas diferentes entre as fileiras, o que evita a evaporação rápida das águas pluviais. O método atualizado compreende linhas de árvores maiores intercaladas com linhas de culturas de plantas menores, que previnem a evaporação precoce. Leguminosas entre essas culturas garantem folhas para compostagem, que cobrem o solo, fertilizando-o. “E não é preciso montar um sistema canalizado para a água”, considera o cientista da universidade israelense, que mantém uma lavoura modelo em Wadi Mashash, em pleno solo desértico.

No Templo

Em época com poucas chuvas, canos ou mangueiras levam a água até as plantas, intercalados entre elas, liberando-a por meio de furos na extensão dos tubos. Esse é o método utilizado no Templo de Salomão, que leva o líquido das chuvas estocado até os canteiros e o Jardim, fazendo com que a água tratada seja bem menos utilizada nas dependências do complexo sagrado do Brás.

O projeto de sustentabilidade do Templo de Salomão no que se refere ao consumo de água foi idealizado bem antes da recente seca que atingiu o Estado de São Paulo em 2013 e 2014. A ordem é economizar e nunca desperdiçar, independentemente de chover muito ou pouco.

Sustentável e simples, o método pode ser usado em outros países ameaçados pela desertificação para vários fins, como forragem para animais e produção de lenha. “Uma comunidade inteira pode ser mantida pelo escoamento da chuva do inverno”, explica Berliner, que conduz pesquisas com agricultores do Quênia, Turquemenistão, Uzbequistão, Índia e México. Ele acredita que o método pode ser usado por qualquer lavrador.

É uma alternativa mais sustentável que a dessalinização da água do mar, por exemplo, e de fácil aplicação – tanto que era executada com eficácia pelos nabateus há mais de 2 milênios. “Eles desenvolveram esse sistema e foram copiados no Ocidente ao longo do Império Bizantino. Grande parte do norte da África foi cultivada com essa técnica, vista até hoje, por exemplo, na Tunísia”, diz Berliner. Atualmente, em Israel, o sistema é usado por beduínos no plantio de olivais.

Sempre verde

Assim como água sempre foi assunto sério – na Terra Santa e fora dela –, há uma analogia feita na Bíblia ligando o líquido que torna a vida física possível com algo imprescindível à vida espiritual, com reflexo em todos os outros aspectos.

O trecho de Jeremias 17.7-8 mostra que desde aqueles tempos manter uma cultura sempre irrigada era importante para manter a vida vegetal, assim como “beber” constantemente, sem cessar, do conhecimento de Deus é o segredo para uma vida realmente fértil, em todos os sentidos: “Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.”

Veja as novas instruções para participação nas reuniões do Templo de Salomão clicando aqui. Para obter outras informações, você também pode entrar em contato com a Central de Informações do Templo de Salomão: (11) 3573-3535 ou info@otemplodesalomao.com.

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