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Sonhos destruídos pelo fogo

Por Katherine Rivas/ Fotos: Demetrio Koch

O edifício Wilton Paes de Almeida, imponente prédio que ficava localizado no Largo do Paissandú, na capital paulista, já foi sede da Polícia Federal e chegou a abrigar 146 famílias dos movimentos sociais de moradia, que ocupavam seus 24 andares. Mas toda a sua história ficou tragicamente destruída após a ocorrência de um incêndio, que consumiu toda a estrutura e gerou o seu desabamento, no último dia 1º de maio, causando mortes e deixando centenas de pessoas desabrigadas.

A Universal, por meio do grupo da Evangelização (EVG), liderado pelo Bispo Alessandro Paschoall, e do grupo Força Jovem Universal (FJU), prestou assistência às vítimas e aos bombeiros durante os dias de resgate e de retirada dos escombros.

A ação reuniu um grupo de 500 voluntários, que se mobilizou para dar suporte material e espiritual. Foram distribuídas 200 cestas básicas nos abrigos, além de roupas, garrafas de água mineral e alimentos para pessoas acampadas no local, bem como lanches e cafés para os bombeiros.

Nos dias seguintes à tragédia, cerca de 300 voluntários se revezavam para dar continuidade à ação social. A Universal se colocou à disposição com diversas equipes nos dias subsequentes.

“O Corpo de Bombeiros auxilia na contenção da emergência, porém o trabalho psicológico, de apoio à vítima, depende da ajuda dos voluntários. A iniciativa da Universal é fundamental”, afirmou Marcos Palumbo, capitão do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMES).

Palumbo agradeceu ao Bispo Alessandro pelo apoio e pela dedicação às vítimas. “Não é só pela ajuda material, água e comida, mas pela ação da Universal. Isso nos motiva a continuar trabalhando.”


Time de titãs

Voluntária do grupo de Evangelização do Templo de Salomão, Sandra Oliveira Melgaço foi ao local no dia do desabamento. O grupo de evangelistas chegou às 10 horas da manhã e permaneceu até às 20h30 ajudando na arrecadação e na organização de doações.

“Percebi que os desabrigados precisavam de apoio espiritual. Eles perderam tudo. Acredito que essas famílias precisam de acompanhamento para recuperar a esperança”, conta.

Leticia Brandão, que é voluntária da Universal, integra o grupo de Bombeiros Civis que estão atuando no local da tragédia. “Estamos aqui porque sentimos a dor da população. Percebo um apoio muito forte da Universal auxiliando os bombeiros, com alimentação e água. Precisamos ter amor ao próximo. Não é só falar, mas fazer.”

Foram muitas as marcas que o desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida deixou nos moradores.

A manicure Michele de Oliveira dos Santos, de 35 anos, vivia no 5º andar do prédio há 4 meses, ao lado do marido e da filha. Ela relatou à reportagem da Folha Universal sobre os momentos de pânico e desespero. “Ouvi um barulho parecido com uma explosão. Fiquei muito nervosa, sem conseguir achar as chaves. Meu marido me ajudou a encontrar e saímos correndo. Meu marido ainda voltou no local para pegar algumas roupas da nossa filha. Achei que ele pudesse morrer.”

Atualmente, Michele, o marido e a filha estão acampados no entorno dos escombros, ao lado de outros desabrigados. “Está sendo difícil. Assinei uma solicitação de documentos, porque eu perdi tudo, até a carteira de identidade. Estou vestindo roupas de doações e fiquei o dia inteiro sem tomar banho. Quero uma moradia de verdade, minha filha não pode permanecer na rua.”

Tragédia

Entre as vítimas fatais está Ricardo Oliveira Galvão, que estava sendo resgatado pelos bombeiros quando a construção desabou. O corpo dele foi encontrado já sem vida, dias depois, sob os escombros.

Até o fechamento desta edição, cinco pessoas ainda estavam desaparecidas.

Entre escombros e desaparecidos, o desabamento do Wilton Paes de Almeida reacendeu na sociedade o debate sobre o direito à moradia, especialmente para as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Para os moradores do prédio, fica uma certeza: a luta pela sobrevivência é algo que nunca acaba.


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