eb3c52f78ce3362254213324871c7984 Quem você quer que seu filho seja amanhã? - Universal.org

Quem você quer que seu filho seja amanhã?

Por Janaina Medeiros/ Foto: Demetrio Koch, Marcelo Alves, Fotolia, Reuters e Arquivo Pessoal

No último dia 14 de fevereiro, 17 jovens foram assassinados e pelo menos 15 ficaram feridos dentro da escola Stoneman Douglas, na cidade de Parkland, na Flórida, nos Estados Unidos. Mais um massacre com armas de fogo em colégios do país.

O responsável pela chacina é Nikolas Cruz, de 19 anos (foto abaixo), ex-aluno expulso daquela escola há cerca de um ano por indisciplina. Ele lançou bombas de fumaça e disparou com fuzil contra os adolescentes, logo depois foi preso a centenas de metros da escola.


Segundo relatos de alunos e professores à imprensa norte-americana, Cruz era obcecado por armas de fogo e facas e tinha sido punido várias vezes por ter um comportamento problemático. Os colegas o descreviam como uma pessoa solitária, calada e que já havia afastado amizades por sua conduta. Ele sofria de déficit de atenção, autismo e complexos por ter sofrido bullying.

Alguns de seus colegas afirmaram ao jornal Miami Herald que ele falava pouco da família: que o pai já havia morrido há 13 anos e a mãe, há três meses. E que Cruz e o irmão estavam sob os cuidados de James e Kimberly Snead, um casal amigo da família.

Ao jornal South Florida Sun Sentinel, Kimberly disse: “tudo o que todos sabem sobre ele era desconhecido para nós. Tínhamos um monstro vivendo sob o nosso teto e jamais vimos esse lado dele”.

As autoridades que o defendem alegam que o seu comportamento era derivado de uma saúde mental instável. Contudo, os motivos reais que levaram o jovem a disparar os tiros estão sendo investigados.

Reflexo dos pais

Não é possível apontar culpados por um jovem se transformar em um assassino, tampouco afirmar que o relacionamento familiar determinou seu comportamento destrutivo. Contudo, é preciso admitir que a ausência (não a física, mas a emocional) dos pais pode ter interferido em seu desenvolvimento psíquico. Então, é necessário que os pais tenham um relacionamento contínuo com os filhos para que cresçam psicologicamente saudáveis. “Crianças que crescem sem a adequada supervisão dos pais têm maior risco de terem problemas escolares, tanto de aprendizado quanto de comportamento, e desenvolverem até problemas psiquiátricos”, alerta Jackeline Giust, psiquiatra da infância e adolescência.

Ela alega que a falta de suporte emocional dos pais pode fazer com que o filho se torne um adulto que não sabe lidar com as adversidades da vida. “Aumenta a chance dele se tornar inseguro, tímido e agressivo. Além disso, ele pode desenvolver a automutilação e tentar suicídio”, aponta.

Brigas, excesso de trabalho, desvalorização da família, entre outros problemas, também podem interferir no desenvolvimento da criança. Quanto mais os pais buscam para si um comportamento emocional saudável, mais fácil é para seus filhos crescerem seguros de si para enfrentarem adversidades. “É importante que os pais deem o exemplo, com condutas semelhantes às que cobram”, diz Jackeline.

Gisele Siqueira de Oliveira, de 31 anos (foto abaixo), via na sua mãe, Luzia Siqueira Balbino, de 54 anos, um modelo a ser seguido. “Minha mãe sempre foi um exemplo de perseverança. Por seu bom testemunho, hoje sou uma mulher que consegue enfrentar os problemas sem dificuldades”, conta.

Ela lembra que a mãe conversava com ela em momentos difíceis. “Uma vez eu fiquei chateada por algo que não aconteceu como eu gostaria e ela demonstrou que eu deveria perseverar, pois conseguiria vencer.”

Luzia se preocupava que sua filha passasse por situações semelhantes às que ela tinha vivido na juventude, como brigas e fracassos. “Eu era exigente, atenta ao comportamento dela, vigiava por onde andava, as amizades que ela tinha, etc.”, ressalta a mãe.

A disciplina que Gisele teve a fez se tornar uma adulta consciente. “Uma coisa que aprendi foi ter respeito ao próximo. Cresci querendo ajudar e dar atenção às pessoas.”


Diálogo é essencial

A Bíblia diz:

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for velha não se desviará dele. Provérbios, 22.6

Isso quer dizer que, ainda que o filho sofra influências externas, é preciso que os pais mostrem a melhor forma de se tornar um adulto consciente de seus direitos e deveres.

Um fator muito importante para o aprendizado é o diálogo. Mesmo que seja difícil conversar com um adolescente emburrado, por exemplo, é preciso ao menos tentar falar com ele. Naturalmente, nessa fase eles escondem seus conflitos e não querem ter seus pais como confidentes, no entanto, é fundamental dar abertura para que eles se aproximem.

A psicóloga Maria Tereza Maldonado ressalta que os pais devem encorajar o filho durante esse processo. “Quando ele começa a falar alguma coisa que fez de errado, por exemplo, em vez de censurar, os pais podem perguntar: ‘o que foi que aconteceu?’ Dessa forma, ele vai ficar mais à vontade para falar e, então, refletir sobre o que fez”, instrui.

Katia Fernandes da Cunha Carvalho, de 39 anos, e seu marido, Vagner Tadeu Carvalho, de 42 anos, sempre mantêm o diálogo com a filha Thifany, de 14 anos (foto abaixo). Como ela é adolescente, eles a instruem sobre os riscos da internet. “Procuramos orientá-la com relação aos perigos do mundo virtual. Ela não tem acesso a tudo ainda, porque nem tudo que há na internet é saudável. Fazemos uma espécie de monitoramento”, relata a mãe.


Durante as conversas, eles mostram que toda ação tem uma consequência. “Explicamos o que é certo e errado e que vamos colher o fruto do que semearmos.” Quando percebem que ela se desviou de alguma regra, mostram-lhe o erro. “Se verificamos que algo saiu da curva, penalizamos com a proibição do uso do celular, por exemplo.”

As experiências que o casal teve servem de exemplos para a menina. “Com os fatos que presenciamos, a ensinamos que é possível superar certos problemas, passando uma visão otimista e deixando-a consciente de que algumas situações difíceis podem até nos auxiliar no crescimento”, explica a mãe.

Pais, não amigos

Os filhos devem aprender a lidar com as frustrações desde pequenos, pois é o desconforto diante dos conflitos que vai fazê-los amadurecer. Um “não”, por exemplo, já é um obstáculo a ser encarado por eles, enquanto ser permissivo demais poderá torná-los mimados e mais propensos a desistir.

A psiquiatra Jackeline Giust afirma que a permissividade pode gerar uma sensação de abandono. “Indiretamente o que eles mais pedem com suas reivindicações são limites. Crianças e adolescentes que recebem um ‘não’ sentem que são bem cuidados e que se algo der errado terão os pais para pedir ajuda”, informa.

Não é fácil dizer não para um filho. Mas é preciso considerar que a disciplina é importante no processo de educação. “Para que os filhos cresçam sensíveis, humanizados, com respeito, caráter, empatia, é necessário haver cumprimento de regras”, defende a pedagoga Jane Ribeiro Barreto.

Por isso, explique o motivo de cada não que der a eles. “Se desde o início de vida a criança desenvolve vínculo e confiança, ela passa a aspirar a autoridade do adulto, observando, se inspirando nele e imitando-o. Aí, é possível ter regras de convivência, acordos e combinados”, orienta a pedagoga.

Para ensinar a criança a lidar com os problemas desde cedo, incentive a sua autonomia. “Se ela aprende a fazer escolhas, desenvolve condições de amadurecer durante o enfrentamento das situações conflituosas”, explica Jane.

A forma de se aproximar do filho também é importante. Procure saber de seus conflitos não apenas em uma conversa, mas também pelas atitudes. “A maior demonstração de sintonia e proximidade entre duas pessoas se dá no silêncio. O abraço, o toque e o afeto abrem caminho para o diálogo”, afirma a profissional.

Quando notar a criança ou o adolescente cabisbaixo, eleve sua autoestima. “É importante ressaltar os talentos dele, o quanto você, pai ou mãe, percebe o que ele faz de construtivo ou o quanto vocês aprendem também com ele”, exemplifica.

O melhor caminho

Para preparar um filho para enfrentar adversidades é preciso mais do que uma educação natural. A educação espiritual irá ensiná-lo a viver pela fé em um mundo cada vez mais conflituoso, já que a televisão, as amizades, a internet, entre outros estímulos, expõem valores que, na maioria das vezes, o prejudicam.

Educar um filho com base nos preceitos da Palavra de Deus irá ajudá-lo em todas as fases de seu desenvolvimento. Assim agiram o bispo Beneilton Rodrigues da Silva e sua esposa, Neide Rodrigues (foto à direita), durante a criação de Igor, de 25 anos, e Natália, de 27 anos, ambos já casados. “Sempre mostramos o quanto Deus, com Seu amor, fez com que fôssemos uma família, e que essa família era diferente, pois teríamos respeito um pelo outro, alegria de estarmos juntos e que agradeceríamos a Ele por tudo”, explica Neide.

Ela conta que Natália, desde o primeiro ano de vida, sempre frequentou a Escola Bíblica Infantojuvenil (EBI) e seu filho sempre acompanhava os pais nas reuniões da Universal. “Fiz questão de mostrar que Deus cuida dos Seus, em toda e qualquer situação, mesmo que no momento não pareça.”

Eles mostravam que o respeito e a obediência eram essenciais e que os deveres como filhos, independentemente de ser menina ou menino, deveriam ser cumpridos. “Sempre pontuei o que era certo ou errado, o que convinha ou não e se as amizades agradavam a Deus”, finaliza Neide.

Construa uma relação com seus filhos de diálogo, respeito, de limites, amor e ensinamentos de Deus. Mostre para eles que valores familiares, ética, moralidade e fé são importantes para que ele se torne um adulto vencedor.

Para aprender mais sobre relacionamento entre pais e filhos, participe da palestra “Transformação Total de Pais e Filhos”, que acontece todos os domingos, às 18 horas, no Templo de Salomão, na capital paulista. Ou pelo univervideo.com.

ler mais
Reportar erro

comentários

Carregar mais

Comunicar Erro

Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente

Expediente

Editora Executiva:

Cinthia Meibach

Coordenadora de Conteúdo Web:

Ivonete Soares

Repórteres:

Andre Batista, Daniel Cruz, Débora Picelli, Jeane Vidal, Michele Roza, Rafaela Dias, Rafaella Rizzo, Sabrina Marques



E-mail para Contato: redacao@sp.universal.org.br

Telefone: (11) 2392-3372

Endereço: Rua João Boemer, 254 - Brás, São Paulo

Cep: 03018-000