Quando os excluídos da sociedade se tornam profissionais

Por Débora Picelli / Fotos: Marcelo Alves e cedidas pelo grupo Anjos da Madrugada

Uma análise publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no início deste ano projetou que mais de 100 mil pessoas viviam pelas ruas do País em 2015. Delas, 40,1% estavam em municípios com mais de 900 mil habitantes e 77,02% habitavam cidades com mais de 100 mil pessoas. Em locais com menos população, a porcentagem era menor: 6,63%. Com isso, nota-se que em todos os locais têm alguém morando pelas ruas.

Além desses dados, frequentemente, são realizados outros levantamentos - por outros órgãos específicos no País e até pela Organização das Nações Unidas (ONU) -, para verificar o número de pessoas que vivem nas calçadas, debaixo das pontes, ou fazem em outros espaços da rua como local de moradia. No entanto, mesmo sem pesquisas, é possível observar que o número de pessoas desamparadas pelas ruas aumenta a cada dia.

Além das dificuldades para se abrigar, se alimentar e se vestir, o problema é ainda mais preocupante. Muitos moradores de na rua são agredidos e parte deles tem suas vidas brutalmente interrompidas.

Ajuda a quem precisa

Como forma de ajudar cada uma dessas pessoas, o grupo Anjos da Madrugada, um dos braços da evangelização da Universal, semanalmente, realiza ações sociais nas ruas, distribuindo alimentos, vestuários e levando o mais importante aos necessitados: ajuda espiritual.

Recentemente, o grupo foi além e ofereceu o que parecia distante aos olhos de muitos: a oportunidade de formação profissional a essas pessoas. Por meio de parcerias realizadas com instituições de formação profissional, como o Instituto Bem Maior e entidades particulares, os moradores de rua puderam realizar gratuitamente cursos na área de informática, corte e costura, cabeleireiro, padeiro, limpeza urbana, pintura, eletricista predial, telefonista, entre outros.

O resultado foi positivo. Cerca de 226 pessoas, com idade entre 19 e 65 anos, se formaram na área de corte e costura, cabeleireiro, padeiro, limpeza urbana, entre os meses de outubro e novembro último, em todos os estados do País. A partir de agora, os que eram considerados excluídos pela sociedade se tornaram profissionais.

Para que essa ação acontecesse, mais de 21 mil voluntários do Anjos da Madrugada foram mobilizados em todas as regiões brasileiras. Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 2,1 mil voluntários do Anjos da Madrugada auxiliaram durante a formatura dos 51 formandos. No estado do Paraná, foram 453 voluntários. Na ocasião, 4 pessoas receberam seus diplomas.

Em São Paulo, uma das cerimônias aconteceu no Templo de Salomão (fotos acima e abaixo), zona leste da capital paulista. Na oportunidade, 69 voluntários entregaram a certificação para os formandos presentes, que ainda puderam realizar um passeio pelo Jardim Bíblico, no qual é possível conhecer a réplica fiel do Tabernáculo de Moisés, além de entrar no Memorial dos Templos de Jerusalém e caminhar pelo Jardim das Oliveiras.

Uma nova chance

Até o momento, 58 formandos já tiveram um recomeço e estão atuando em sua área de formação.

Segundo o bispo Luis Carlos Gomes, responsável pelo grupo de Evangelização (EVG) em todo o Brasil, a qualificação profissional é o que capacita a pessoa a ser introduzida no mercado de trabalho. “E esse foi o objetivo do curso, oferecer uma oportunidade às pessoas que não tiveram chances, devido a problemas familiares, vícios, entre outras situações, e acabaram perdendo tudo e indo parar nas ruas”, comentou o bispo.

Foi o caso de José Rubens Martins de Souza, de 26 anos, de Aracaju, capital do estado de Sergipe. Antes do projeto de ressocialização, ele era um morador de rua e ex-presidiário. Mas, ao receber a ajuda dos voluntários do grupo, ele teve uma nova oportunidade. “Fui encaminhado a um abrigo social e inscrito nos cursos de cabeleireiro (corte masculino) e oficina de bijuteria. Completei os dois cursos e hoje já exerço a profissão de corte”, comemora José.

Segundo ele, a chance que teve proporcionou a sua volta ao convívio social de forma digna, além de reencontrar a família. E mais do que isso: “decidi entregar a minha vida ao Senhor Jesus. Me tornei também um evangelista no grupo, levando para os outros a mesma oportunidade que tive.”

Amparo aos necessitados

O grupo Anjos da Madrugada é responsável por levar amor onde há dor e esperança a quem não acredita mais em mudanças. Como resultado desse esforço por parte do grupo, durante os encontros, muitos resolveram abrir mão do passado para viver uma nova história.

“Após 40 anos de sofrimento, resolvi morar na rua pois meus pais adotivos morrerem, e os filhos legítimos desse casal não me aceitarem mais em casa”, conta Antônio Joaquim Ferreira (foto acima), de 63, do estado do Rio de Janeiro, que também se formou nos cursos oferecidos pelo projeto.

Segundo ele, essa foi a única alternativa, principalmente pelo fato de não saber ler e mal escrever o próprio nome. Foi, então, que Antônio conheceu todos os tipos de drogas, como maconha e cocaína, além da bebida alcoólica. “Tomava cachaça e tudo que aparecia para fazer esquecer o sofrimento e passar o tempo. Para manter o vício, cheguei ao ponto de pedir esmola”, conta.

Foram 22 anos morando nas ruas. “Passei fome, comia coisas do lixo. Era tanto desespero e sofrimento, que cheguei a roubar roupas no varal das pessoas”, conta Antônio.

No entanto, foi com a ajuda dos voluntários do Anjos da Madrugada que ele encontrou a oportunidade de se sentir amparado e ser feliz verdadeiramente. Hoje, ele é uma nova pessoa e com outros pensamentos. “O projeto significa tudo, uma transformação de vida, com trabalhos, com esperança de casar, feliz e satisfeito, sem vontade de fumar ou beber e muito grato à Igreja e aos evangelistas pela nova chance de viver”, finaliza Antônio.

Seja um voluntário também. A Universal mantém outros projetos sociais com o objetivo de levar auxílio emocional, psicológico e material. Encontre aqui o endereço de uma Igreja mais próxima de sua casa e se informe.

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