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Notícias | 8 de abril de 2018 - 03:05


Negócio de família

Entenda como lidar com os desafios de trabalhar com cônjuge e filhos e o que é preciso fazer para que alcancem juntos o sucesso da empresa

No mundo dos negócios, há diversas formas de ter uma organização empresarial. Uma delas é a familiar, em que membros de uma mesma casa trabalham em conjunto e, muitas vezes, no mesmo local.

Esse tipo de organização vem crescendo nos últimos anos. Isso porque, geralmente, trabalhar em família traz mais segurança para o empreendedor, por causa da confiança que ele já tem em seus entes queridos.

Contudo ter uma empresa em conjunto com cônjuge e filhos, por exemplo, requer flexibilidade para lidar com os desafios do dia a dia.

Os conflitos surgem da mesma forma que em qualquer outro tipo de empresa. Entretanto, se não houver estratégias bem definidas, o negócio pode findar e toda a família ser prejudicada de alguma forma.

Um dos fatores que podem trazer desentendimentos na organização familiar diz respeito à indefinição dos papéis de cada um. Se cada integrante não tiver consciência do seu papel, tampouco saberá quais são seus direitos e deveres, como explica o consultor empresarial Leonardo Satti Junqueira: “Às vezes, o pai leva os filhos para a empresa sem dar-lhes uma função clara. Se os seus papéis não estão previamente combinados, as decisões deles podem entrar em conflito com as do pai”.

A falta de regras também é um erro comum em empresas familiares, o que acaba gerando desentendimentos. “A informalidade nos procedimentos faz com que cada um acabe fazendo o que quiser. Só que a empresa vira terra de ninguém, o que é prejudicial”, defende o especialista.

Para evitar desentendimentos, é necessário que todos estejam focados nos mesmos objetivos. “É importante que eles falem a mesma língua, em prol dos interesses e valores da empresa”, aponta.

Além disso, o líder deve estar sempre pronto a agir com ética, clareza e profissionalismo com todos que estão no empreendimento, independentemente do vínculo afetivo que ele tenha com o restante das pessoas da empresa. “Se o pai é o chefe, deve ter a mesma conduta com os funcionários ‘estranhos’ e com sua esposa e filhos, por exemplo”, exemplifica.

Laços que dão certo

O empresário Volni Carvalho, de 46 anos, teve que aprender a lidar com os conflitos que surgem em uma empresa familiar assim que inaugurou seu restaurante, há cerca de nove anos.

Ele, sua esposa, Janete Basso Carvalho, de 43 anos, e seus dois filhos Igor, de 23 anos, e Yuri, de 19 anos, trabalham juntos diariamente no local. Por isso, é comum surgirem alguns desentendimentos, mas eles aprenderam a superá-los. “Se há algum problema, antes de tomar qualquer decisão, espero a poeira baixar. Afinal, mais do que funcionários, estou trabalhando com pessoas muito próximas”, conta Volni.

Como líder da empresa, Volni indica as tarefas de cada familiar com exatidão para o bom andamento das atividades. Sua esposa, por exemplo, fiscaliza o trabalho feminino no empreendimento, como a cozinha. “Ela se encarrega de fiscalizar a higiene, a limpeza, as compras, além do caixa de uma das lojas.”

Muitas ideias entre os dois são divergentes. Entretanto sempre conversam em casa para que ninguém seja prejudicado. “Procuramos nos policiar, pois temos que ter cuidado para que isso não abale a estrutura do casamento.”

Já os filhos lidam com a recepção e o atendimento, mas também estão treinados para realizar outras atividades. Até o caçula Icaro, de 11 anos, está sempre no empreendimento para que conheça o local em que vai trabalhar futuramente.

Volni tenta não ser autoritário e inflexível nem com os colaboradores nem com os filhos e tratar todos com respeito, mas diz que com sua prole é um pouco diferente: “reconheço que às vezes tento até cobrar mais dos meus filhos que de outro funcionário, mas procuro me policiar para que haja um equilíbrio, não os cobrando para renderem mais, mas também não passando a mão na cabeça deles quando erram”, justifica.

Ele admite que a união foi primordial para o sucesso do empreendimento. “Tenho comigo quatro pessoas da família que olham na mesma direção que eu, com os mesmos objetivos”, conclui.

Quando todos chegam em casa, os assuntos do trabalho dão lugar aos familiares. “Nós tentamos sempre deixar os assuntos profissionais na empresa. No dia seguinte tentamos resolvê-los”, declara.

Portanto, assim como acontece com a família Carvalho, gerir uma empresa familiar tem tudo para dar certo quando se aprende a lidar com os conflitos que surgem pelo caminho. Os laços afetivos são fortes para enfrentar o mercado competitivo e cabe a cada família administrar da melhor forma, visando um resultado comum a todos.

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  • Por Janaina Medeiros/ Foto: Marcelo Alves 


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