eb3c52f78ce3362254213324871c7984 Por que estudar? - Universal.org

Por que estudar?

Por Eduardo Prestes / Fotos: Fotolia - Arquivo pessoal

A educação sempre foi vista como principal acesso para a mobilidade social. Essa era a lógica até agora, não é mesmo? No entanto, uma pesquisa recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que as diferenças sociais acabam sendo decisivas para aumentar o abandono escolar. Entre os brasileiros mais ricos, 85% finalizam a educação básica, ao passo que isso ocorre somente com 28% dos mais pobres. No ensino médio, o percentual sobe um pouco, mas não é nada animador, já que 58% dos estudantes concluem essa etapa.

Para a doutora em pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, Leunice Martins, uma das causas do problema é a falta de apoio familiar. “Enquanto as famílias mais ricas participam ativamente da vida escolar dos filhos, nas mais pobres, isso acontece com raras exceções. Os ricos cobram boas escolas, ao contrário dos menos abastados.”

Para Leunice, o fator principal para a evasão escolar é que o jovem não encontra atrativos na escola pública e acaba se desmotivando. “Por mais que a escola tente se modificar para trazer uma abordagem contemporânea, ainda trabalha como reprodutora de conhecimento e não desenvolve as habilidades dos alunos. Se há uma desconexão entre o que o aluno espera e o que realmente encontra na sala de aula, isso pode refletir-se mais à frente no mercado de trabalho, em que faltam profissionais qualificados.”

Um dos fenômenos observados pela doutora em educação é o aumento de jovens com idade entre 18 e 20 anos que voltam a estudar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), um projeto voltado, a princípio, para os mais idosos. “Quando tomam consciência de que perderam muito tempo fora da escola, eles querem estudar novamente, pois sentem que não têm a qualificação mínima que o mercado exige. Antigamente, eram dez pessoas executando uma tarefa, agora é uma pessoa realizando dez atividades ao mesmo tempo”, alerta.

De onde vem a mudança?

Para Leunice, as escolas têm que se adaptar aos novos tempos e oferecer condições aos alunos. “Muitos professores não estão preparados. O papel deles mudou. Diante das novas tecnologias, devem ser os responsáveis por atrair os estudantes para aprender. Muitas vezes, o aluno só precisa de um incentivo.”

A estudante Fátima Assis, de 31 anos, não teve muito apoio para chegar ao último semestre do curso de Produção em Mídia Audiovisual. De família simples, nascida em Santa Cruz do Sul (RS), nem sempre ela pôde contar com a ajuda dos pais para prosseguir em seus estudos. “Eles me incentivaram a concluir o ensino médio, mas, quando eu disse que gostaria de ir além, não fui levada a sério. Fui para o mercado de trabalho com 18 anos, sem muita experiência. Juntei tudo o que ganhava para garantir o pagamento da taxa do vestibular e o valor da matrícula. Deu certo.”

Ela conta que desde essa época trabalha para pagar os estudos. “A universidade em que estudo é particular. Os valores são altos e eu sempre fazia menos disciplinas, pois não podia pagar pelo semestre integral. Mas houve uma fase em que parei estudar, quando meu irmão morreu. Passamos por muitas dificuldades financeiras e emocionais. Tive que abrir mão de muitas coisas para ajudar minha família nessa época.”

Nesse período, a jovem conheceu o trabalho da Universal e hoje é obreira. “Eu coordeno o VPR do grupo Força Jovem Universal em Santa Cruz do Sul. Me identifiquei com o projeto, pois tem muita relação com a profissão que escolhi. Como tenho contatos na universidade, procuro sempre proporcionar oportunidades de aprendizado gratuito para os jovens que fazem parte do VPR, como passeios fotográficos e oficinas de edição de vídeo.”

Para a doutora em pedagogia Leunice Oliveira, participar de projetos educativos extraclasse é uma alternativa para desenvolver habilidades e compartilhar conhecimentos. “Estudar no Brasil, por mais difícil que seja, ainda é a uma forma de modificar a condição social e econômica, mas diante das adversidades, o aluno precisa ter força de vontade para manter o foco naquilo que quer”, conclui.

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