Por que (ainda) nos importamos (tanto) com padrões

Por Flavia Francellino / Fotos: AFP, Arquivo Pessoal e Reprodução

Apesar de ganhar o título de Miss Reino Unido, Zoiey Worlds (foto ao lado), de 28 anos, decidiu abrir mão da coroa. O motivo? “Sugerirem” que abraçasse uma dieta e perdesse peso para participar do próximo concurso, que seria internacional.

Zoiey, que é figurinha carimbada no mundo dos concursos de beleza, foi rotulada gorda por usar o tamanho 40. “Podem pensar que fui covarde, mas não me sinto bem me apresentando em um concurso em que não acredito. Se eles não me quiserem por causa do meu tamanho, a perda é deles”, desabafou em sua rede social.

Padrões errados

Outro caso que ganhou os holofotes da mídia foi protagonizado no ano passado pela cantora nova-iorquina Alicia Keys, de 36 anos. Em carta aberta publicada no site Lenny Letter, de Lena Dunham, ela confrontou os padrões de beleza aparentemente bem-

vistos. “Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem meus pensamentos, nem meus sonhos, nem meus esforços. Nada”, declarou. Ela também parou de usar maquiagem pesada e tem estampado capas de revistas mundo afora com um novo visual. Alicia Keys disse que estava cansada do constante julgamento das mulheres. “O estereótipo nos faz sentir que o tamanho normal não é normal.”

A beleza vem de onde?

Acredite ou não, até mesmo a mulher dentro do padrão de beleza endeusado pela sociedade nutre inseguranças, como foi o caso da modelo Maria Helena Vianna (foto ao lado), de 35 anos. A alagoana, casada e mãe de dois filhos, reside nos Estados Unidos e engatou a carreira após ganhar o concurso Elite Model Look, o mesmo que descobriu tops como Isabeli Fontana, Adriana Lima e Alessandra Ambrósio.

Mesmo se enquadrando no padrão “Barbie” – alta, loira e magra –, ela conta que já sustentou pensamentos negativos sobre si mesma. “Eu não tinha controle próprio. Por mais que estivesse magra, me via gorda. Como resultado, passei a comer para esquecer dos meus conflitos e problemas internos e, claro, me sentia horrível logo em seguida”, relembra a jovem, que chegou a desenvolver bulimia nervosa.

Ela fala que só se livrou de tudo quando conheceu a Deus. “Nas primeiras reuniões que assisti com o Bispo Macedo, ele falou sobre a importância de valorizar a beleza interior. Nunca havia parado para pensar sobre essa beleza, aquela noite saí decidida a ser diferente.”

Hoje, Maria Helena integra o time das mulheres que não se curvaram para os padrões impostos pela sociedade. “Sou feliz e realizada em todos os sentidos. Sou segura, saudável e capaz de alcançar qualquer objetivo. Consigo me amar da forma que Deus me criou, pois Ele nunca erra em cada obra-prima que faz, Ele é perfeito. E essa segurança, paz e felicidade só podem ser proporcionadas por Ele”, finaliza.

Rotulagem questionada

Aqui no Brasil, País considerado de maioria negra, foram poucas as vezes que uma representante levou o título do concurso de miss, que existe desde 1954.

A atual Miss Brasil, Monalysa Alcântara – primeira piauiense a vencer a disputa –, é a terceira mulher negra a representar o País. "Através da minha história, preciso e devo ajudá-las (as mulheres negras) a se acharem bonitas e capazes, e irem atrás de seus sonhos", declarou durante o concurso. Já a Miss Município de São Paulo 2017, Karen Porfírio, fez uso das redes sociais para esclarecer a respeito de ser negra e assumir os fios naturais – padrão para o qual muita gente ainda revira os olhos. Karen conta que achou que talvez as pessoas não gostariam de seu novo visual, mas resolveu se assumir. “Sou a mulher mais feliz do mundo por representar (o black natural). Não sou obrigada a ser quem não quero só para seguir padrões”, afirmou.

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