eb3c52f78ce3362254213324871c7984 Pesquisa revela que brasileiro é contra a corrupção, mas a maioria admite obter vantagens de modo ilegal - Universal.org

Pesquisa revela que brasileiro é contra a corrupção, mas a maioria admite obter vantagens de modo ilegal

Por Ivonete Soares (*) / Foto: iStock

A greve dos caminhoneiros paralisa o nosso país e, em contrapartida, revela a esperteza de muita gente, muita mesmo. Infelizmente, essa cultura de se dar bem antes do outro, do semelhante, de “aproveitar a oportunidade”, tem estado ainda mais em evidência nesses dias de escassez.

E não precisa ir muito longe para se deparar com gente assim: basta ir ao supermercado, à feira livre, ali na vendinha da esquina de casa, na padaria e até na barraca do pastel, que logo vai perceber que vivemos num país em que, na maioria das vezes, “vence o mais forte, o mais esperto, o mais egoísta”.

De um lado, os comerciantes que aumentaram os preços de forma absurda - muitos (da noite para o dia) quadruplicaram ou até mais - simplesmente justificam que, o pouco que restou, é preciso vender caro e faturar, afinal, sabe-se lá quando conseguirão repor as mercadorias; do outro, o consumidor que, com medo de faltar o essencial, compra tudo o que vê pela frente e paga, sim, o preço que for sem se importar com ninguém, afinal, ele está “defendendo o seu, que mal tem?”, é uma “questão de sobrevivência”, alegam.

E quando o assunto é política, então, a reclamação normalmente é de que a corrupção é um problema grave para a administração do País, mas o que muitos não percebem é que as mesmas atitudes corruptas que criticam, praticam de outras formas no dia a dia.

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Data Popular, 7 em cada 10 brasileiros admitem já ter cometido atitudes corruptas em situações cotidianas. O Instituto ouviu 3.500 pessoas em 146 cidades de todo o País.

A atitude ilícita mais comum no dia a dia do brasileiro é comprar produtos piratas. O ato foi admitido por 67% dos entrevistados, enquanto 75% afirmaram que conhecem alguém que já cometeu essa atitude. O uso indevido da carteirinha de estudante também tem destaque entre as atitudes corruptas cometidas pelos brasileiros.

Em entrevista ao programa Brasil Notícias, da Rede Aleluia, apresentado pelos jornalistas Ana Carolina Cury e Fernando Silva, a educadora e diretora geral do Movimento Voto Consciente, Rosângela Giembinsky, ressalta que a ética começa nas atitudes individuais e, por isso, é preciso fazer uma autorreflexão.

“Eu penso que os brasileiros reclamam da corrupção e se mostram indignados; podemos notar isso nas redes sociais, mas não percebem que é preciso fazer a sua parte, não aceitando o comportamento sem ética no dia a dia, por exemplo: se fala muito do ‘jeitinho brasileiro’ que nada mais é do que querer privilégios para si e não cumprir regras; esse modo de pedir benefícios, vantagens para si e seus amigos nada mais é do que os primeiros passos da própria corrupção”, argumenta.

Mudança individual

Para o cientista político, especialista em estudos do poder legislativo municipal e educação política no Brasil, Bruno Souza da Silva, apenas a justiça não é suficiente para minar o problema da corrupção no Brasil. É preciso uma mudança individual.

“A gente sabe que a corrupção está presente desde elementos da vida diária, cotidiana, seja no momento que você não respeita, por exemplo, uma vaga que é destinada para o idoso ou quem tenha uma necessidade especial; ou quando você acaba ultrapassando o sinal vermelho; quando você fura uma fila, ou quando não devolve um troco, ou seja, são o que costumamos chamar de pequenas corrupções do dia a dia, isso também está presente na vida da sociedade brasileira”, destaca.

Para poder combater a corrupção, ressalta Bruno, precisamos não apenas de uma justiça eficiente ou que os corruptos sejam punidos, mas que haja uma transformação cultural. “Isso, certamente, vai ocorrer à medida que a gente transforma, sobretudo, a atmosfera cultural da nossa sociedade no que diz respeito à relação que a gente mantém com tudo aquilo que é público”, conclui Bruno.

(*) Com informações e entrevistas do programa Brasil Notícias da Rede Aleluia

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