Para fugir da solidão ele se casou com duas

Por Andre Batista / Fotos: Reprodução

Poucos homens conseguem viver como Davecat. Casado há 13 anos, o operador de torno mecânico ainda é completamente apaixonado por sua esposa. Compra para ela roupas, perfumes e joias, adora fazer massagens em seus pés e declara seu amor por ela todos os dias.

Ele tem 40 anos de idade e conheceu a russa Sidore Kuroneko aos 27 anos, em um clube gótico. Ficou encantado com a recatada moça e, mesmo ela não lhe dando muita atenção, resolveu se arriscar no relacionamento. Pagou cerca de R$ 13.200 e a levou para casa.

Não, Sidore não é uma prostituta. É uma boneca.

Conhecidas pelo termo “real doll”, as bonecas como Sidore são ultrarrealistas e podem ser encomendadas por qualquer um que queira esse tipo de brinquedo erótico. O interessado escolhe cor, traços e medidas e paga caro pelo objeto. O rapaz, que não é rico, economizou dinheiro durante um ano para realizar seu sonho. Como o vazio foi preenchido apenas parcialmente, comprou uma segunda boneca, que apresenta como namorada. Um relacionamento a três formado por uma única pessoa.

O psicólogo Luiz Ricardo Gonzaga explica que cada pessoa enxerga a decepção de maneira única. Ela se utiliza de sentimentos que já carrega dentro de si para lidar com a situação e a partir deles é capaz de lidar bem ou mal com a situação.

As decepções amorosas de Davecat o empurraram para sentimentos de inferioridade que na verdade ele já possuía e a forma que ele encontrou de conviver com eles foi criar fantasias e se afundar nelas. Ele realmente acredita ser casado com as bonecas e trocou a companhia do mundo pela delas.

Esse é um caso extremo de quem não soube enfrentar a solidão e se isolou ainda mais. Contudo, existem muitas pessoas que não sabem lidar com o vazio interior, sentem-se constantemente incompletas, isolam-se e passam despercebidas.

Segundo o doutor Gonzaga, vários sinais sutis podem ser observados assim que a pessoa inicia o processo de isolamento: oscilação de humor, corte de contatos sociais, choro e depressão, entre outros.

Viver sozinho é perigoso. O isolamento traz prejuízos sociais e à saúde, por isso, é preciso estar atento tanto a si mesmo quanto a pessoas próximas. É importante que o solitário enxergue seu problema e, para isso, a orientação de familiares e amigos é muito importante. A preocupação de um conhecido incentiva a busca de ajuda profissional.

Davecat não se isolou do mundo de um momento para outro, mas isso só foi percebido quando seu caso chegou ao extremo. Olhe ao redor: quantas pessoas do seu círculo de amizades estão seguindo esses mesmos passos?

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