O que você precisa saber sobre o câncer

Por Eduardo Prestes / Foto: Munir Chatak, Reprodução, Marcelo Alves, Demetrio Koch

Falar de câncer não é dos assuntos mais agradáveis. Afinal, a doença é responsável por milhares de mortes em todo o mundo anualmente. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, apontou 8,2 milhões de mortes em 2013. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa para este ano é de 576 mil novos casos de câncer no Brasil. A doença não escolhe classe social ou faixa etária. Atinge pessoas de diferentes raças e de ambos os sexos. Em homens, os tipos mais comuns são os de próstata, pulmão, cólon e reto, estômago e cavidade oral; e nas mulheres, os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e glândula tireoide. O medo de morrer vítima dessa enfermidade assusta tanto quem é detectado com o mal quanto quem é familiar ou amigo de um doente.

Em meados deste mês, a morte da atriz Betty Lago, de 60 anos, (Foto acima) vítima de câncer na vesícula, parece ter reavivado ainda mais o temor em relação à doença. A atriz era uma pessoa querida por todos. Começou a profissão trabalhando como modelo e trilhou a carreira internacional por mais de 15 anos. Na volta ao Brasil, enveredou para o meio artístico, participando de várias novelas em diversas emissoras de televisão. O seu trabalho mais recente na teledramaturgia foi na novela Pecado Mortal, da Rede Record.

Betty descobriu a doença em março de 2012, após sentir fortes dores abdominais. Na época, foi submetida a uma cirurgia e começou o tratamento com quimioterapia. Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, em abril daquele ano, a atriz falou sobre a descoberta do câncer e da vida agitada que levava: “Sempre preocupada em viajar, morar fora, mudar de país; tem o filho, casa, descasa, tudo rápido, tudo correndo”. Mas, com a doença, foi obrigada a mudar sua vida. “Você tem que repensar todos os seus valores. Encaro assim como uma doença que aconteceu comigo, que eu tenho que lutar contra ela, que eu tenho que derrubar ela, porque ela não pode ser mais forte do que eu e não pode ser mais forte do que a vida que eu quero viver.” Betty enfrentava a rotina com muita força e alegria. Mas, para tristeza dos amigos, familiares e fãs, Betty não resistiu.

De acordo com o médico Tiago Kenji, oncologista do Instituto de Oncologia Santa Paula, em São Paulo, o tipo de câncer da atriz é raro e agressivo, mas há algumas doenças de vesícula que são fatores de risco ao câncer, como cálculos biliares, pólipos e infecções crônicas, como salmoneloses. “Caso alguma dessas doenças seja diagnosticada é fundamental o acompanhamento com um especialista, como o gastroenterologista e o cirurgião do aparelho
digestivo”, afirma.

O que é o câncer?
O que muitos não sabem é que a palavra designa um nome genérico para mais de 300 doenças, com causas variadas, que podem ter tratamentos e prognósticos diferenciados. No entanto, para o oncologista Cid Gusmão, especializado pelo Inca e médico do Centro de Combate ao Câncer, em São Paulo, todos os tipos de câncer têm um aspecto em comum: “O crescimento desordenado de células que perderam suas características normais e não respondem mais aos estímulos que controlam a replicação e a morte celular. Elas adquirem capacidades como multiplicação celular rápida e descontrolada e invadem outros tecidos normais, determinando a formação de tumores”, explica.

Segundo o especialista, os tumores são causados por alterações genéticas no organismo. “Podem contribuir para isso fatores externos, como substâncias químicas, irradiação e vírus que estão relacionados ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo; já os internos relacionam-se com hormônios e a alterações que podem levar a mutações genéticas. Poucas são as de caráter hereditário, transmitidas de pais para filhos, que correspondem a cerca de 5% a 10% dos casos.”

O oncologista considera que a melhor forma de evitar problemas dessa ordem é manter uma dieta equilibrada e realizar exames periódicos. “Prevenir é sempre melhor que remediar. Quanto mais cedo for descoberto, maior é a chance de cura”, orienta.

Além do tratamento
O câncer talvez tenha se tornado a doença mais estudada da medicina e por isso aumentaram também as possibilidades de tratamento e de cura. “Hoje, cerca de 80% dos tumores infantis e 60% dos tumores em adultos são curáveis”, diz Gusmão. E, para ajudar nesse processo, além do tratamento médico, que pode envolver quimioterapia, radioterapia e diversos medicamentos, há outras medidas que podem ser tomadas. O médico Tiago Kenji entende que a família desempenha um papel fundamental nesse sentido: “Muitas vezes, a descoberta da doença pode unir mais a família. Além disso, em casos graves sem o apoio familiar o tratamento é inviável”, avalia.

Para a doutora Eunice Harue Higuchi, médica sanitarista e presidente do Hospital Moriah, em São Paulo, uma das estratégias é a política de acolhimento na hora de atender o paciente. “Trata-se de uma postura, de um jeito de ver o paciente de forma mais abrangente, levando em consideração questões culturais, físicas, emocionais e até espirituais. O objetivo é entendê-lo no seu contexto social e poder atendê-lo da melhor forma possível”, explica.

Poder de cura
A doutora Eunice ainda destaca outro fator: “A fé. Ela é decisiva para o sucesso em tudo na vida. Para um tratamento de saúde não é diferente. Há estudos que comprovam a importância dela no enfrentamento e na recuperação de doenças. A fé é essencial na vida das pessoas, estejam elas doentes ou não”, afirma.

Para o bispo Francisco Decothé, responsável pela “Sessão do Descarrego para a Cura do Corpo e da Alma”, realizada no Templo de Salomão, em São Paulo, o ideal é aliar o tratamento médico ao espiritual. “Não se pode abandonar a medicina, principalmente porque ela evoluiu muito para tratar o câncer. E alguns tumores são agressivos demais. É preciso fazer um paralelo e andar com as duas pernas: recorrer à medicina e ter fé em Deus. E se a pessoa está buscando a cura há muito tempo e ela não vem é preciso apelar para essa fé de forma veemente”, diz.

Foi o que fez o jovem Allan Cristian dos Santos, (Foto ao lado) de 23 anos, quando descobriu um tipo raro de câncer que atacou a sua medula. “Eu tinha 13 anos e comecei a emagrecer rapidamente e a me sentir muito fraco. Achei que era pela quantidade de exercícios físicos que eu fazia, mas os exames apontaram que eu estava com leucemia mieloide e linfoide. Eu não acreditei.”

O jovem começou a fazer quimioterapia, mas a demora em ser curado o angustiava e a seus familiares. “Como minha família era da Universal, ela começou a orar por mim enquanto eu estava hospitalizado e quando tive alta também comecei a participar das reuniões. Acredito que minha cura foi determinada nessa hora. Faz dez anos que estou curado”, relata.

Outro caso é o de Helena Soares Alferes, de 43 anos. (Foto ao lado) “Depois de sentir dores no ombro, uma mancha no meu pulmão, detectada no raio X, me levou para uma consulta com um especialista. Ele disse que eu estava com linfoma de Hodgkin. Passei por quimioterapia e radioterapia, de 15 em 15 dias.” Como os exames regulares durante o tratamento não apontavam uma resolução do problema, Helena procurou a Universal. “Meu marido já participava das reuniões enquanto eu estava internada e, quando pude, fui também. Recuperei meu peso e minha saúde hoje é perfeita”, afirma.

Sobre a postura que se deve ter diante da doença, o bispo Decothé finaliza: “Nunca aceite o fracasso, a derrota. Deus nos ensina que temos a fé para enfrentar esse tipo de problema. O fôlego de Deus está dentro de nós, por isso, enquanto estivermos vivos, não podemos desistir de lutar”, conclui.


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