O que os filmes românticos fazem com as pessoas

Por Núbia Onara / Foto: Thinkstock

Como você se sente depois de assistir a um filme romântico? Fica sonhando acordada (o) com o momento em que também encontrará a pessoa dos seus sonhos? Pedindo a Deus que você também encontre alguém que lhe compreenda só de olhar?

Pois bem, pesquisadores da Universidade de Heriot-Watt, na Escócia, afirmam que assistir a comédias românticas pode arruinar a vida amorosa, porque esse tipo de filme cria uma expectativa falsa sobre relacionamentos, gerando uma influência negativa, já que estimula um falso conceito de relação perfeita. As pessoas passam a acreditar que, se no seu relacionamento não acontece como no filme, logo ele não é o romance ideal.

Os pesquisadores analisaram 40 filmes românticos de grande sucesso. Primeiro, perceberam no roteiro alguns mitos bem perigosos, como o do amor à primeira vista; que o destino sempre une as pessoas que se amam; o da alma gêmea. Depois, colocaram cerca de 100 voluntários para assistir a uma famosa trama romântica – repleta desses mitos – e outros 100 para verem um drama. Logo após, os voluntários respondiam um questionário. Foi constatado que os que viram o gênero romântico apresentavam, de modo mais acentuado, convicções em mitos românticos, como, por exemplo, a ideia de destino.

Frustação garantida

Parece inofensiva aquela cena em que o galã demonstra saber tudo sobre a mulher em cena, inclusive na intimidade. Mas ela não é. E essa foi outra das muitas conclusões do estudo. Fãs desse gênero de filme muitas vezes não se comunicam eficazmente com os seus parceiros, por acreditarem que o outro deveria saber de suas necessidades no relacionamento sem que precisassem lhes dizer.

É algo tão sério que o psicólogo Bjarne Holmes, que liderou a pesquisa, explica que isso afeta a vida sexual de muitos casais, porque os mesmos acreditam que não precisam falar para o parceiro o que querem, como se fosse uma obrigação do outro adivinhar o que gostam na intimidade, e que o sexo deve ser sempre perfeito. É claro que isso é receita para frustrações.

“Se você acha que é assim que as coisas funcionam, pode se preparar para uma decepção”, ressalta Holmes, lembrando que relacionamento requer investimento de tempo e energia de ambas as partes envolvidas. Filmes românticos sugerem que confiança e comprometimento no amor são instantâneos, quando na realidade são qualidades que se desenvolvem ao longo dos anos de convivência do casal.

Comparação injusta

Qualquer que seja a comparação, ela carrega em si uma injustiça. Afinal, ninguém é igual a ninguém. E se comparar uma pessoa com outra já é ruim, imagine comparar alguém real com um personagem de ficção?

A escritora e apresentadora do programa “The Love School – A Escola do Amor”, Cristiane Cardoso, relata o quanto os filmes românticos criavam nela expectativas superficiais a respeito do marido, Renato Cardoso. “Olhava para o galã do filme, que sabia falar todas as palavras certas, e comparava com o Renato, o homem que não tinha feito a barba naquele dia, comendo pipoca sem parar. Eu me perguntava: ‘Onde está aquela paixão no meu casamento? Será que o Renato me ama mesmo?’”, recorda. “Chegava a testá-lo para ver se reagiria de alguma forma parecida com a do filme, mas, nada. E a cada filme que assistia, a cada romance que lia, mais frustrada eu ficava por não ver o mesmo acontecer no meu casamento.”

Até que um dia ela percebeu que estava sendo injusta ao comparar o real (o marido) com fantasias (personagens dos filmes). Cristiane alerta que os autores desses romances querem apenas tirar lágrimas dos nossos olhos e, por isso, pensam muito bem em cada detalhe das cenas, mas que a realidade não é bem assim.

“Quando estamos com o parceiro, não tem uma música para ajudar no clima. Quase nunca sabemos como nos expressar e, muitas vezes, falamos o que não queríamos falar. A correria do dia a dia nem sempre nos permite parar para olhar nos olhos do outro. Temos que aprender a apreciar o que chamo de romance real. O marido pode não lhe trazer flores nem escrever belas poesias, mas se ele a faz se sentir amada e valorizada, você está vivendo o seu próprio filme de amor”, conclui a escritora.

E não pensem que apenas casais podem sofrer com frustrações geradas por esses mitos incutidos pelos romances de cinema. Solteiros também podem ser vítimas de grandes decepções, resultado de expectativas não alcançadas, por acharem que o amor se desenvolve da mesma forma que nos roteiros dos filmes. Aliás, esclarecer sobre esses mitos que atrapalham a vida dos solteiros é um dos objetivos do livro Namoro Blindado, de Renato e Cristiane Cardoso.

Além disso, todas as quintas-feiras acontecem, na Universal, as palestras da Terapia do Amor, em que casais e solteiros aprendem sobre o amor inteligente, que é o que não se submete aos mitos que só dificultam na hora de alcançarmos a realização na vida amorosa.

Participe em uma Universal mais próxima. Em São Paulo, as palestras acontecem também no Templo de Salomão e são ministradas por Renato e Cristiane Cardoso, às 10h e 20h, na avenida Celso Garcia, 605, Brás.

E você, percebe que sofre ou sofreu influência de filmes românticos em sua vida amorosa? Relate a sua experiência nos comentários.

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