O poder da palavra

Por bispo Edir Macedo (*) / Foto: Thinkstock


Na manhã em que o Senhor Jesus e os Seus discípulos voltaram a avistar a figueira, na qual o Senhor buscara o que comer, um monte Lhe serviu para ensiná-los algo muito importante. E disse: "... em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele." Marcos 11.23

Os discípulos já haviam testemunhado que isso era realmente possível, pois a figueira, que naquele momento avistavam seca desde a raiz, conforme o Senhor havia ordenado que fosse feito – "Nunca jamais coma alguém fruto de ti!" (Marcos 11.14) –, era um exemplo real de que o Filho do Homem mais uma vez lhes falava com propriedade.

Na verdade, o Mestre estava ensinando o que deve ser observado por todos, cristãos ou não, que é o poder da palavra. A supremacia do seu uso é tão determinante em nossas vidas que o Senhor Jesus a relaciona com a oração, logo em seguida: "Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco" (Marcos 11.24). De forma abrangente, podemos definir oração como uso da palavra, de maneira consciente e ordenada, na busca de soluções práticas.

Platão, um dos primeiros filósofos gregos, apregoava a teoria das ideias, o mundo das ideias. Resumidamente, ele acreditava e ensinava que todas as coisas são, antes de tudo, concebidas no pensamento, e o que vimos, na verdade, é uma representação dessa ideia. Ora, essa ideia ao ser traduzida por palavras adquire automaticamente força substantiva, ou seja, materialidade. Vejamos um exemplo: o Senhor Deus disse: "Haja luz; e houve luz" (Gênesis 1.3). A fala pertence única e exclusivamente ao homem. Nenhum outro ser da Criação Divina tem essa habilidade. Esse é um fato que, de antemão, nos leva a uma reflexão sobre a sua importância.

O poder das palavras é ativado no exato momento em que as proferimos. Então, dependendo da forma como as falamos, ela pode se transformar em certeza ou dúvida; sucesso ou derrota; ações positivas ou negativas; cura ou doença; bênção ou maldição.

Se falamos baseados na fé racional, os resultados são, sem dúvida alguma, benéficos. Por outro lado, se proferimos maldição, nossas palavras são como dardos inflamados arremessados contra as nossas próprias vidas ou contra a vida das pessoas sobre as quais ou para as quais falamos, pois a palavra realmente tem poder.

Consciente disso, nada melhor do que a pessoa medir e comedir o que diz. Afinal, falar é concretizar o sentido das palavras, é dar vida ao que se pensa – e essas tanto podem edificar como destruir; podem, ainda, significar vida ou morte. Além disso, refrear a língua, como disse o apóstolo Tiago, é sinal de prudência, porque afasta o risco de ter o que dizemos mal interpretado por aqueles que nos ouvem. O conselho do apóstolo é ainda mais valoroso se o tomarmos como base para exercitarmos o ouvir mais do que o falar.

O Senhor Jesus também nos adverte: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mateus 7.1). Em outras palavras, o Senhor está nos dizendo que podemos ser condenados pelo que dizemos.

Conter as palavras, saber ouvir mais do que falar, como nos aconselha o apóstolo Tiago, são tarefas difíceis para o ser humano, principalmente quando se vê confrontado ou diante de uma injustiça. Contudo, o Senhor Jesus foi exemplo vivo de que isso é possível: "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Isaías 53.7). Mas Deus O exaltou sobremodo e hoje está assentado à direita do Seu Trono.

Portanto, se você deseja mudar a sua vida, pondere seriamente o modo de falar, de pensar e de agir. Faça uma limpeza no seu ser, adquira novos hábitos de fala, de pensamento, de ação. Sobretudo, cuide do seu interior, já que "a boca fala do que está cheio o coração" (Lucas 6.45). Deixe de lado os comentários e os impulsos negativos; aproveite as circunstâncias desfavoráveis para transformá-las em aprendizados significantes e práticos.

A fé traz à existência aquilo que não existe, disso sabemos. Também sabemos que a vida é feita de oportunidades. Portanto, não perca as suas. Use a fé e encare o desemprego, por exemplo, como uma oportunidade para a abertura do próprio negócio em vez de maldizê-lo. Isso é converter o mal em bem. Isso é fé.

Pare de dizer "não vai dar", "eu não consigo", "eu não posso"; que seu dinheiro não dá para nada; que as coisas não vão bem ou que o mundo está em crise. Se as pessoas resolvessem enxergar ou expressar só o lado ruim das coisas, uma grande corrente de negatividade envolveria a todos. Se a vida não lhe tem sido boa, pense no que você tem falado e de que tipo de sentimento você tem carregado as suas palavras.

Até na criação e na educação dos filhos há que se ponderar muito bem as palavras. Quantos não são os pais que, mesmo sem se aperceberem, amaldiçoam os filhos desde a mais tenra idade? Se existem desavenças familiares, não recorra a palavras que podem ser uma maldição na vida daqueles que você ama. Palavras, como "desgraçado" ou frases do tipo "um dia seus filhos vão fazer o mesmo que você faz comigo", expressam, por mais incrível que possa parecer a um pai, desejo sincero. E isso é muito triste.

Para terminar, evite dizer palavras ocas, vazias de sentido ou que expressem medo, dúvida, negatividade. Que de sua boca saiam somente palavras de edificação.

Se você plantar hoje a boa semente, amanhã colherá bons frutos. Essa é uma certeza que nos permite descansar sem a preocupação excessiva com o futuro, pois o dia de amanhã é consequência das ações do hoje, do agora. Então, não se preocupe com o futuro, se você tem vivido sob a fé aliada à inteligência do bom uso da palavra.

Enfim, o que pensamos, determinamos e falamos hoje é o que seremos e viveremos amanhã. Pense nisso. 

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(*) Texto extraído do livro "Mensagens do bispo Macedo"

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