A face oculta do Carnaval

Por Domingos Siqueira

Estamos vivendo a maior festa popular do nosso País. Os olhos do mundo inteiro se voltam para o brilho intenso da grande folia promovida nas cidades brasileiras: o Carnaval. Nesse período, sites, jornais, revistas e noticiários estão repletos de exemplos de pessoas que fazem de tudo para estar impecável para a festa. São homens e mulheres capazes de privar-se por longos dias de uma alimentação adequada, se entregando às famosas dietas, às vezes, malucas. Sem falar daquelas pessoas que fazem cirurgias plásticas para colocar e tirar o que não lhes agrada. Todo sacrifício é feito para que o corpo esteja perfeito para ser exibido.

Outros não podem investir tanto na aparência física, mas usam todo o salário e toda economia de um ano inteiro para garantir a fantasia ou o abadá – o passaporte para a suposta folia. Há até quem chegue a ponto de se endividar, pois não quer ficar de fora de um evento mostrado pela mídia como um dos mais importantes do ano.

Enfim, existem muitos outros sacrifícios feitos em busca de um prazer que dura poucos dias. Porém, o que pouco se comenta são os excessos e as extravagâncias cometidas durante a festa. A verdadeira face do Carnaval.

Começa com um peso enorme na saúde pública, pois é necessária a intervenção do governo na conscientização e distribuição de preservativos em massa. Todos sabem que as pessoas deixarão que seus desejos aflorem de tal maneira que farão sexo sem nenhum critério.

Muitos homens e mulheres serão contaminados por doenças sexualmente transmissíveis. Jovens perderão a virgindade sem ao menos conhecer o parceiro. Na tentativa de ajudar, o governo disponibiliza também a chamada “pílula do dia seguinte”, como forma de prevenção a gravidez indesejada.

Mesmo assim, não são poucos os casos de mulheres que, após o Carnaval, sujeitam-se às clínicas de aborto clandestinas e arriscam suas vidas.

Resta aos que nascem como consequência dessa orgia sem planejamento e amor terem seus destinos marcados por traumas e rejeição. A verdade é que o mundo da marginalidade e os presídios são povoados pelos filhos do Carnaval.

Soma-se a tudo isso os que terão seu primeiro contato com as drogas, como lança-perfume, maconha, anfetaminas, etc. Eles associam as drogas ao álcool para conseguir pular freneticamente dia e noite, sem parar. A partir daí, será dado um mergulho inevitável na escuridão dos vícios, que vai trazer sofrimento tanto para a própria pessoa como também para os seus familiares.

Enfim, diante das situações acima – cujas consequências talvez você já tenha sentido na pele –, acredito que você não irá mais “comprar” a ideia da mídia, a qual diz que o Carnaval é uma festa inocente, realizada apenas para que as pessoas se divirtam. Porque, certamente, quando a folia acaba, os danos físicos, psicológicos e espirituais permanecem por muito tempo e, em alguns casos, são irreversíveis. Cuidado, nem tudo que reluz é ouro.

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