Será que sua fé não está no piloto automático?

Saiba o perigo que ela está correndo


Por Núbia Onara / Foto: Getty Images

Ter uma rotina não é ruim. Aliás, ela é essencial para o desenvolvimento não só de crianças, mas também de adultos. Todos os dias, há aquelas atividades que você tem de fazer, independentemente das circunstâncias. Se não as executa, a vida se torna um caos.

Contudo, o que pode trazer benefícios, pode também matar a sua vida espiritual, quando desvirtuada. Ou seja, esse é o resultado de quando a rotina com as coisas espirituais vira religiosidade.

No início da conversão, a rotina da fé é repleta de novidades. A leitura da Bíblia é feita com entusiasmo. Há disposição nas reuniões, um zelo pelas coisas de Deus. Orar, jejuar não são atitudes tediosas. Pelo contrário: há alegria naquele sacrifício que traz força espiritual. Mas, com o passar do tempo, essas mesmas coisas começam a ser feitas de forma automática.

É aí que reside o problema, pois se tornam hábitos religiosos. Dia após dia, a rotina é cumprida sem comprometimento de corpo, alma e espírito. São apenas “tarefas” que devem ser cumpridas diariamente. O perigo é que, nesta condição, situações podem surgir subitamente, sem a possibilidade de a pessoa conseguir revertê-las.

A automatização e as falhas

É possível fazer uma analogia com este procedimento na aviação. Com o avanço tecnológico, em prol da segurança, as aeronaves estão cada vez mais automatizadas. Porém, esta praticidade esconde riscos, pois, tende a diminuir a atenção dos pilotos, já que sua participação no controle é cada vez menor.

Espera-se, então, que em caso de falha, os pilotos assumam o controle e a corrijam. Mas, nem sempre dá tempo.

Quem não se recorda do acidente aéreo com o AirFrance 447, ocorrido em junho de 2009, quando fazia o voo do Rio de Janeiro até Paris (França). Após a decolagem, ao alcançar as condições normais de voo, o avião foi colocado em piloto automático (um procedimento normal).

Tudo corria tranquilamente quando, após três horas, ao passar por uma área de risco, a aeronave começou a apresentar problemas nos sensores, os quais desativaram o piloto automático.

Com o mecanismo desativado foi como se por alguns instantes não tivesse ninguém pilotando o avião. O que foi fatal. A velocidade caiu de 500 a 110 quilômetros por hora e, segundo investigações, neste momento, o comandante estava descansando fora da cabine de comando.

Os copilotos tentaram reverter a situação, sem êxito. Quando o comandante chegou na cabine, era tarde demais. Resultado: a aeronave caiu no mar e 228 pessoas morreram.

Semelhantemente acontece na vida espiritual. Por estarmos acostumados a fazer sempre a mesma coisa, é comum entrarmos em uma espécie de “piloto automático espiritual”. E é neste momento que a pessoa, sem se dar conta, fica mais vulnerável às investidas do diabo.

Pois, ao deixar tudo transcorrendo automaticamente, ela fica desatenta, e o seu maior inimigo aproveita para atacá-la. Quando tenta retomar o controle, não há mais tempo.

Éfeso: A Igreja que estava no “automático”

Ela estava situada na segunda maior cidade do mundo na época, conhecida por abrigar o templo da deusa Diana e ser um dos berços da filosofia. Paulo levou o Evangelho até Éfeso durante sua segunda viagem missionária. Durante três anos dedicou-se a ensinar e admoestar, fazendo com que a Igreja em Éfeso tivesse uma firme convicção espiritual.

Nas Cartas às Igrejas, descritas no livro do Apocalipse, a Igreja em Éfeso foi elogiada. O Bispo Edir Macedo, em suas anotações de Fé, explica que mesmo em meio à idolatria daquela cidade, “apresentava obras que agradavam ao Senhor. Por exemplo, não suportava homens maus, pois colocou à prova os falsos apóstolos e os achou em mentira; resistia às provações por amor ao Nome do Senhor Jesus; era perseverante e não se deixava esmorecer; e odiava as obras dos nicolaítas”.

Porém, embora fossem tão cuidadosos com a Santa Palavra que aprenderam, Deus tinha algo contra essa Igreja:

“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.” Apocalipse 2.4

O Bispo ressalta que, provavelmente, os cristãos de Éfeso não esperavam essa repreensão, pois, se sentiam irrepreensíveis no seu proceder, por causa do seu zelo e da sua disciplina a tudo o que relacionava à conduta cristã.

“É exatamente assim que muitos se sentem. Pelo fato de terem um bom caráter e uma boa conduta, pelas muitas responsabilidades que possuem na Obra de Deus e pelo intenso trabalho que desenvolvem, não conseguem perceber que estão se descuidando do principal: o seu relacionamento com o Altíssimo. Podemos fazer muitas coisas importantes para ajudar os aflitos e os perdidos a conhecerem a Verdade, mas, acima das nossas obras, deve estar a nossa vida com Deus”, explicou o Bispo.

Tudo é novidade no primeiro amor. Há prazer e alegria em tudo o que se faz para Deus. E foi justamente isso que essa Igreja tão dedicada tinha perdido. “Não há nada pior, diante de Deus, do que uma adoração fria e um serviço sem amor e devoção. A igreja em Éfeso, sem perceber, havia perdido o seu bem mais precioso, que era a sua intimidade com o Senhor Jesus”.

Saia do “modo automático”

Para sair daquela condição, foi dado o seguinte conselho à Igreja em Éfeso:

“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” Apocalipse 2.5

O Bispo explica que neste conselho estão as duas etapas pelas quais se deve passar para se voltar ao primeiro amor, e a consequência, caso isso não fosse feito.  São elas:

– Lembrar de onde caiu: ou seja, onde as coisas começaram a esfriar. Esse “lembrar” é para refletir sobre o que ocasionou esta queda.

– Arrepender-se e praticar as primeiras obras: o arrependimento é provado quando o arrependido volta a fazer o que é certo. Quando isso não acontece, a pessoa se engana, pois, na verdade, o que teve foi apenas remorso. Por isso, ao constatar onde começou a fazer as coisas de Deus de qualquer maneira, se ela reconhece que errou – e está arrependida – o que precisa fazer é voltar a fazer como no início da sua conversão.

Porém, se isso não fosse feito, brevemente Deus viria sobre eles e tiraria do seu lugar o teu castiçal, isto é, removeria Sua luz da presença deles.

Infelizmente, foi o que aconteceu com a Igreja em Éfeso, que acabou se rendendo às falsas doutrinas, divisões internas e perseguições que surgiram. A ausência do primeiro amor não a deixou permanecer.

Leia mais:

Três passos para voltar ao primeiro amor

“A igreja de Éfeso retrata o caráter de muitas igrejas e pessoas cristãs que pensam que, pelo fato de fazerem algo para o Senhor Jesus, como evangelizar, pregar, orar e visitar os aflitos em geral, estão aumentando o seu crédito com Ele, e que o que fazem já é o suficiente para Lhe agradar. Para Deus, o que somos e o que Ele representa para nós é mais importante do que o que fazemos”, concluiu o Bispo.

Não deixe sua fé entrar no modo automático. E caso ela esteja reverta essa situação.

Busque uma mudança

Todas as quartas-feiras, acontece a Escola da Fé Inteligente. Uma reunião voltada para aqueles que querem constantemente estarem na fé do primeiro amor.

No Templo de Salomão, localizado na Avenida Celso Garcia, 605, no bairro do Brás, zona leste de São Paulo, as reuniões acontecem às 10h, 15h e 20h.

Se preferir, compareça em uma Universal mais próxima de sua casa. Consulte aqui os endereços. Anote em sua agenda e participe, busque uma renovação!

 

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