Selfie sem noção

Pesquisa aponta que viajantes preferem tirar fotos a aproveitar o destino. Como postá-las nas redes sociais sem exagerar?


Por Eduardo Prestes / Fotos: Divulgação e Gettyimages

Viajar é ótimo. Além de ser um modo de afastar o estresse e descansar a mente, visitar outros lugares traz conhecimento de novas culturas e também diversão. Ver museus, paisagens deslumbrantes e lugares históricos gera um enriquecimento humano inestimável. Por isso, é comum fazer o registro fotográfico ou em vídeo dos locais visitados. Mas há quem esteja ultrapassando o limite do bom senso e postando fotos e vídeos nas redes sociais de forma exagerada e equivocada.

Uma pesquisa recente elaborada pelo site hoteis.com apontou que cerca de 41% dos viajantes acreditam que postar boas fotos nas redes sociais importa mais do que conhecer as atrações turísticas. O estudo incluiu 500 viajantes brasileiros: 309 mulheres e 191 homens.

Perigo
Para a psicoterapeuta e life coach Eliana Barbosa, (foto abaixo) há pessoas que vivem momentos apenas para tirar fotos. “Esse comportamento alimenta o narcisismo (admiração exagerada que o indivíduo nutre pela própria imagem) delas e é viciante. Os neurocientistas explicam que quando recebemos uma curtida nosso cérebro gera uma descarga de dopamina, que é o mesmo neurotransmissor produzido quando ganhamos dinheiro ou comemos chocolate. É verdade que receber um like ajuda a reforçar nossa autoestima, mas o perigo é passarmos a viver ansiosos na expectativa de um feedback positivo, de um elogio ou de uma curtida”, adverte.

Realidade maquiada
Postar tudo o que acontece na vida pessoal não é uma prática somente de quem costuma viajar. “Também é uma ação de vários internautas no seu dia a dia, mas acredito que a maioria das
pessoas, principalmente aquelas que se expõem o tempo todo, está maquiando a própria realidade. Essa necessidade de serem admiradas em tempo integral as afasta de sua essência. E, nesse afã de serem cada vez mais aprovadas, enveredam pelo consumismo, gastam até mais do que podem e fogem da realidade em que vivem”, analisa Eliana.

Transtornos
Para a especialista, dependendo da pessoa, esse vício pode levá-la ao transtorno de ansiedade e até a crises de estresse, bem como a episódios de tristeza e decepção. “Isso ocorre se ela não recebe o reconhecimento que espera nas redes sociais. Este comportamento revela também carência afetiva, baixa autoestima e grande necessidade de ser vista, admirada e aprovada. As consequências na vida dela, além dos transtornos decorrentes de qualquer vício, podem ser devastadoras. Há também o afastamento da realidade e daqueles que realmente importam em sua vida, o que a torna alienada”, explica Eliana.

Mais consequências
Também há outras consequências: “Existem pessoas que criam falsos perfis para vigiarem sua vida e até para testarem sua amizade ou fidelidade. Além disso, quem fica postando e conferindo as mídias sociais a todo momento acaba saindo do nível saudável do uso delas e pode ter prejuízos. Claro que existem os ‘blogueiros’ que, por força do trabalho que realizam, acabam expondo sua vida privada, mas imagino que isso, depois de certo tempo, deve ser angustiante para eles, porque a cobrança dos seguidores parece insaciável”, reflete Eliana.

Monitoramento
Para a psicoterapeuta, é preciso perceber se está havendo prejuízos por causa dessa conduta, seja no aspecto pessoal, social ou financeiro. “O ideal é que cada um monitore a si mesmo e identifique o momento apropriado de desligar seus equipamentos ou se está usando demais o celular e deixando de lado o contato com outras pessoas. Caso você não consiga identificar o exagero e se controlar, é sinal de que está na hora de procurar ajuda para entender por que está agindo dessa forma”, alerta.

Além da rede
Eliana avalia que a vida é muito mais do que é mostrado nas redes sociais. “Como seres sociáveis, nos sentimos mais alegres e integrados ao mundo com os recursos oferecidos pela internet, como as redes sociais, mas, como tudo na vida, é preciso sensatez no uso das tecnologias”, recomenda. Ela faz as seguintes orientações: “Defina o motivo pelo qual está usando a rede: rever amigos antigos ou familiares, fazer novas amizades ou divulgar seu trabalho? Evite expor sua vida, mesmo que seu círculo de amigos nela seja realmente de pessoas que você conhece. Use as redes sociais para aprender coisas novas e obter dicas que possam alavancar a sua vida. Neste caso, compartilhe-as com seus amigos sem fanatismo nem exageros.

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