Mortes, brigas e roubos: o saldo do carnaval

Os “dias de folia” sempre são “dias de violência”. Vale a pena participar?


Por Andre Batista / Imagem: iStock

Cinquenta e seis armas e 638kg de drogas aprendidos, mais de 1.100 pessoas detidas. Esse é o saldo inicial dos cinco dias de carnaval em São Paulo. Até a noite de quarta-feira (6) esses números devem aumentar.

Em Campina Grande, na Paraíba, o Hospital de Emergência e Trauma da cidade atendeu 867 pessoas, sendo 157 vítimas de acidentes automobilísticos, 24 agredidos fisicamente e 15 vítimas de ferimentos de armas.

Mais trágico ainda são os números da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro: 57 acidentes, 66 feridos e seis mortos.

A violência nesses cinco dias foi tão grande que até mesmo blocos de carnaval precisaram ser interrompidos. No Rio de Janeiro a cantora Ludmilla encerrou seu show 1h30 antes do previsto por culpa da briga generalizada que resultou em centenas de furtos e dezenas de feridos nos hospitais da região.

Em São Paulo, não foi diferente: outro cantor interrompeu o show pelo mesmo motivo. A falta de segurança em São Paulo também fez a prefeitura realocar blocos que aconteceriam no Largo da Batata, pois a polícia não conseguiu conter os criminosos.

Assista à reportagem especial da Record TV sobre os primeiros dias de carnaval:

Tanta violência se espalhou pelo Brasil inteiro. No Paraná, por exemplo, cinco pessoas ficaram feridas em um acidente de carro. Elas voltavam de uma festa de carnaval. Como pode ser visto na foto abaixo, por pouco essas pessoas não morreram.

carnavalForam, pelo menos, 13 acidentes que resultaram em 14 feridos e duas mortes em apenas 5 dias de festa.

Mortes e mais mortes

Faleceu na noite de terça-feira (5), no Rio de Janeiro, o menino de três anos que foi trancado em casa pelos pais que queriam curtir o carnaval. O casal Juliana Basílio Bezerra e Juan Ragner Basílio deixou o filho em casa. Ali aconteceu um incêndio que queimou 90% do corpo da criança. Ela foi socorrida pelos vizinhos e encaminhada ao hospital, mas não resistiu.

Os pais foram presos em flagrante por abandono de incapaz.

Já em Belo Horizonte, um rapaz foi morto após uma briga. O suspeito passou mal e vomitou no pé de uma garota. Seu namorado teria ficado nervoso e iniciado uma briga. Na confusão, outras pessoas se envolveram. No final, o jovem de 18 anos morreu.

Outra vítima foi a paulista Thaís de Andrade, de 29 anos. Ela e o namorado (Anderson Dornelos Urick, de 25) foram ao bloco de carnaval. Na volta para casa, em Borborema (interior de São Paulo), discutiram e ele a estrangulou. No momento ele está preso por feminicídio.

Infelizmente, toda essa violência já era esperada. Afinal, o mesmo aconteceu nos anos passados e, provavelmente, o mesmo ocorrerá nos anos vindouros. E poucos se importam. Muitas outras vítimas poderiam ter sido mortas. Somente no Rio de Janeiro, por exemplo, foram aplicadas 4.448 multas, sendo 3.865 por excesso de velocidade. Além disso, 539 motoristas foram autuados por ultrapassagens proibidas e 920 pelo não uso do cinto de segurança. Outros 59 motoristas foram detidos dirigindo alcoolizados. Todos colocando em risco a própria vida e a dos demais.

Será que vale a pena participar de um evento como esse?

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