Ex-padre revela rede de corrupção entre Cabral e Igreja Católica

Wagner Augusto Portugal admite a participação em desvios de R$ 52 milhões no governo do RJ


Por Reprodução R7 / Foto: Reprodução Facebook Revista Época

O ex-padre Wagner Augusto Portugal, braço-direito de Dom Orani Tempesta, cardeal-arcebispo da Igreja Católica do Rio de Janeiro, admitiu que participava de esquema de corrupção na área da saúde do governo Sérgio Cabral e, com isso, se tornou delator premiado.

De acordo com reportagem da revista Época (foto reprodução ao lado), Portugal confessou participação no desvio de R$ 52 milhões dos cofres do Rio de Janeiro em contratos com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio com a organização social católica Pró-Saúde em 2013.

O MPF (Ministério Público Federal) do Rio investiga se parte dessa propina ficou com sacerdotes.

Ainda segundo a revista, Portugal era diretor de Relações Institucionais e de Filantropia da Pró-Saúde, frequentava o Palácio São Joaquim, residência oficial de Dom Orani, e o chamava de “você”, demonstrando, assim, intimidade, pois não usava o “eminência”. Portugal foi afastado do sacerdócio pelo Vaticano por desobediência.

Segundo as investigações, o ex-padre entrou para os negócios com a saúde pública em Belém (PA), quando atuou como arcebispo, entre 2004 e 2009, e assumiu a gestão de seis hospitais públicos paraenses.

Depoimento reforça denúncia de Cabral

Na última terça-feira (26), o MPF divulgou o depoimento do ex-governador do Rio Sérgio Cabral em que ele cita um esquema de propina com a OS (organização social) da Igreja Católica, a Pró-Saúde.

 

A publicação ainda diz que o empresário Miguel Iskin “tinha influência tanto sobre o orçamento e a liberação de recursos pela Secretaria de Saúde quanto sobre as contratações pela Pró-Saúde.” Por isso, ele indicava empresas e fornecia a documentação necessária para a contratação.

De acordo com a revista, um dos trunfos da investigação foi a delação do ex-padre e da irmã dele, Wanessa Portugal, que morreu em janeiro passado. Eles detalharam o esquema de corrupção e de prestação de serviços para o desvio dos repasses do governo do Rio.

Presentes para Dom Orani

A Revista Época afirma ainda que Portugal era influente nos bastidores da Igreja Católica e visto como o homem forte da Pró-Saúde. Ainda segundo a publicação, o ex-padre afirmou a amigos que “comprava sistematicamente roupas para Dom Orani, principalmente camisas, acrescentando que o arcebispo do Rio transpira muito. Numa única ocasião, Portugal disse ter adquirido 52 camisas em Roma.”

Portugal também teria presenteado o arcebispo com báculos — espécie de cajado — comprados em uma loja especializada em artigos religiosos de Roma, na Itália. Ele ainda teria comprado passagens aéreas e contratado voos fretados para viagens de Dom Orani pelo Brasil.

Os procuradores da República investigam a relação do ex-padre com a Igreja Católica e um suposto crime de peculato, pois entidades filantrópicas não podem ter lucros.

Em nota ao R7, a Pró-Saúde diz que “tem colaborado com as investigações e, em virtude do sigilo do processo, não se manifestará sobre os fatos. A entidade filantrópica reafirma neste momento o seu compromisso com ações de fortalecimento de sua integridade institucional, bem como com a prestação de um importante serviço à saúde do Brasil”.

Ainda de acordo com a publicação, Wagner Portugal está impedido de falar devido à colaboração premiada e, por isso, “indicou os advogados da Pró-Saúde para falarem por ele. Alegou que o processo canônico de seu afastamento citado ocorreu em período anterior ao vínculo institucional dele com a Pró-Saúde, razão pela qual não se manifestaria”.

Assista à reportagem especial do Jornal da Record sobre o assunto:

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