Parece “coisa de criança”, mas não é

Muitos distúrbios mentais surgem na infância e podem continuar na fase adulta. Entenda a importância de preservar a saúde mental desde os primeiros anos de vida


Por Janaina Medeiros / Fotos: Fotolia e Demetrio Koch

Toda criança tem algumas atitudes repetitivas que caracterizam a infância: brincar, fazer birras, chorar…. Então, quando ela muda de comportamento, pode ser que algo incomum esteja acontecendo com ela.

Muitas vezes os pais não conseguem identificar essas diferenças. Quando veem neles um comportamento alterado acabam pensando que é apenas “coisa de criança”. Os filhos, com receio de terem consequências negativas por causa de seu comportamento, sofrem calados e sozinhos por muito tempo, às vezes até a fase adulta, quando seus problemas, enfim, são detectados. Aquela “coisa de criança” na verdade era um distúrbio emocional que persistiu ao longo da vida porque não foi tratado a tempo.

Atualmente, essa situação é bastante comum. De acordo com uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade dos transtornos que afetam a saúde mental aparecem antes dos 14 anos. O relatório informou que de 10% a 20% dos adolescentes sofrem de distúrbios emocionais, como depressão, ansiedade, psicose e autoflagelação. Porém, em sua maioria, os casos são detectados só na fase adulta.

Muitos desses transtornos podem ser consequência de experiências traumáticas. A neuropsicóloga Deborah Moss, especialista em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP), exemplifica que “uma criança que se envolve em um acidente de carro, por exemplo, pode desenvolver um distúrbio emocional caso tenha tido um estresse pós-traumático, todo mundo tenha ficado mal, alguém tenha morrido, etc”.

O transtorno mental é mais fácil de ser caracterizado se as situações de impacto negativo ocorrem de forma constante. “Se a criança sofre bullying na escola frequentemente, por exemplo, pode ter distúrbios como depressão, síndrome do pânico, fobias, entre outros”, aponta a profissional.

Fatores de influência
Para a neuropsicóloga, existem muitos fatores que podem influenciar ou não o desenvolvimento de um transtorno mental. “O fato de ter ao longo da vida um distúrbio depende muito de cada criança: se foi ou não amparada pelos entes queridos, se recebeu apoio afetivo, qual fase do desenvolvimento ela estava, etc.”, explica.

O ambiente em que a criança vive também exerce bastante influência. Se ela convive com pessoas agressivas, os distúrbios emocionais podem aparecer logo cedo. “As brigas entre os pais podem induzir os filhos a terem o mesmo comportamento, porque, para a criança, a casa onde ela mora é o mundo dela; ela não tem a percepção do que é lá fora”, argumenta Deborah.

Tudo fica ainda pior quando há quadros de abuso. Um estudo da War-wick University, no Reino Unido, mostra que adolescentes que passam por essa situação crescem com baixa autoestima e dificuldades de relacionamento social e de autocontrole – sentimentos que podem causar transtornos mentais ainda mais graves.

Foi o que aconteceu com Allana Silva Alves, de 22 anos (foto a esq.), após ter sofrido o primeiro abuso sexual aos 9 anos. Ainda na pré-adolescência, ela começou a se relacionar frequentemente com homens mais velhos e casados. Os distúrbios emocionais surgiram logo. “Aos 14 anos passei a ser depressiva e cheguei a tentar o suicídio”, cita.

Esses problemas comprometeram a sua saúde mental a ponto dela desmaiar em vários lugares. Em um dos desmaios, caiu próximo da roda de um ônibus e, por pouco, não sofreu um acidente. Allana, então, ficou internada em uma clínica psiquiátrica por mais de um mês, mas seus problemas só pioravam.

“Eu me sentia sozinha mesmo rodeada de pessoas, só queria dormir e não tinha vontade de comer. Ao mesmo tempo, tinha obsessão pelo corpo, passava seis horas na academia e tomava anabolizantes. Na mesma hora que eu ria, estava chorando e xingando. Era muito irritada e nervosa.”

Quando Allana chegou à fase adulta resolveu dar um basta àquela situação. Aos 19 anos, ela foi a uma reunião da Universal. Lá, recebeu orientações para conseguir se livrar de todos os transtornos.

“Passei a fazer as correntes, usei a fé, me libertei, me batizei nas águas e fui me envolvendo nos grupos da Igreja. Até que recebi o Espírito Santo. Desde então, minha vida mudou”, conclui.

Preservar a saúde
Como as relações que ocorrem na infância ou adolescência podem interferir no futuro só o tempo dirá. Mas é possível intervir naquilo que desencadeia um distúrbio emocional. “A forma como a criança reage diante de uma situação é o pedido de socorro dela. Então, se chegar nesse ponto, o cuidado deve vir o quanto antes”, avisa a neuropsicóloga.

Ela sugere como os pais devem agir com seus filhos: “é preciso permitir que sejam crianças, porque a infância é uma fase muito curta da vida. Brincar de forma espontânea, ter momentos de lazer, boas lembranças, família reunida e sempre colecionar bons momentos”.

Mas, para que os pais consigam influenciar seus filhos positivamente, também precisam estar bem mentalmente. “Os pais também devem receber cuidados, principalmente se estiverem com alguma incapacidade emocional”, alerta.

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