A tragédia que há de ficar na memória

Desastre em Brumadinho (MG) pode ser considerado o maior do mundo em três décadas


Por Janaina Medeiros e Maiara Máximo / Fotos: Pedro Ladeira/Folhapress e Reprodução

É difícil imaginar um tsunami de lama invadindo tudo o que há pela frente. Só mesmo quem testemunhou as consequências do rompimento da barragem de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), no dia 25 de janeiro, sabe o que é isso.

A barragem, que ficava na mina do Córrego do Feijão, foi construída em 1976 pela Ferteco Mineração e adquirida pela mineradora Vale em 2001. A estrutura armazenava rejeitos de mineração até 2015, quando foi desativada.

O mar de lama formado por quase 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Até o fechamento desta edição foram confirmadas 121 mortes e 176 pessoas desalojadas, segundo a Defesa Civil do Estado. Entre as vítimas, estão pessoas que moravam no entorno e funcionários da mineradora. Segundo o órgão, 205 pessoas ainda estão desaparecidas. Outras 395 foram localizadas.

Entre os resgatados com vida ou que não estavam na área acidentada, 222 são funcionários da Vale e 173 são terceirizados da empresa ou membros da comunidade. Eles serão ouvidos pela Polícia Civil para ajudar nas investigações.

Por causa desses números, o Brasil pode ter a pior tragédia humana provocada por rompimento de barragens de minério dos últimos 30 anos. Dois engenheiros que atestaram a estabilidade do local e três funcionários da Vale responsáveis pelo licenciamento foram presos.

Livramento
Algumas pessoas escaparam por pouco. Uma delas foi o obreiro voluntário da Universal Junio Paulo Vilela, de 33 anos (foto abaixo). Ele trabalha como mecânico industrial para uma empresa que presta serviço à Vale e tinha o costume de almoçar com os amigos no restaurante da empresa por volta das 11 horas.

No dia da tragédia, eles almoçaram às 11h40. Após comer, resolveram descansar em um ponto alto do restaurante. Por volta de 12h05, ouviram três rapazes gritando que a barragem havia estourado. “Perguntei como eles sabiam, pois nenhum alarme tinha tocado. Me responderam que estavam no escritório quando ouviram um barulho e deduziram que era a barragem.”

Junio se recorda que, em poucos segundos, viu a lama chegar levando a estrutura do restaurante e, sob ela, um amigo que não conseguiu escapar. Ele afirma que correu, tropeçou, se machucou, mas escapou por um milagre. “Se eu tivesse almoçado no horário de sempre, não estaria aqui para contar a história. Quando cheguei no asfalto só olhei para o céu e agradeci a Deus.”

Ainda abalado, ele conta que há cerca de quatro meses teve um treinamento que costumava acontecer para cumprimento de protocolo. “Ter esse tipo de treinamento é normal, mas nunca fomos alertados para um possível rompimento. Na hora do desastre nenhum alarme foi emitido.”

Ajuda
Dois dias após o rompimento da barragem, 136 militares israelenses chegaram para ajudar nas buscas. Durante cinco dias, eles usaram cães farejadores e sonares de submarinos para localizar desaparecidos. O resgate também contou com tropas de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás e Santa Catarina.

Centenas de doações foram arrecadadas para as vítimas. Voluntários da Universal, por exemplo, enviaram a Brumadinho roupas, alimentos, produtos de higiene, colchões, travesseiros, cobertores e água potável – já que o Rio Paraopeba, que abastece as cidades da região, foi contaminado pelos rejeitos de minério.

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