Não basta parecer, tem que ser

Muitos perseguem e divulgam uma imagem física ou psicológica que nem sempre é a ideal ou corresponde à realidade, enquanto o mais relevante não é levado em conta


Por Marcelo Rangel / Fotos: Demetrio Koch, Fotolia e Cedida

Verão. Época de ouro para aqueles que fizeram de tudo para exibir a boa forma esculpida em academias ou até em mesas de cirurgia. Quem não conhece alguém que, pensando na estação mais quente do ano e nas praias, começou a malhação em meados do ano só para “secar” um pouco mais e ficar – segundo padrões vazios vendidos pela mídia – mais “apresentável”. Alguns, inclusive, recorrem a substâncias e tratamentos perigosos que nem sempre são realizados ou acompanhados de perto por profissionais da saúde.

Obviamente, não há nada de errado em manter a boa forma, desde que o foco seja a saúde e o bem-estar. Nesses casos, a boa aparência é uma consequência e não o objetivo.

Mas há outro tipo de aparência que muitos também perseguem: de ser uma boa pessoa, alguém honesto, cumpridor de seus deveres, carismático, “de família” e correto. E, como no caso do físico citado acima, o que aparentam nem sempre corresponde à realidade, pois muitos escondem atos que não fazem bem nem si mesmos nem a quem está perto.

Espiritualmente há lobos em pele de cordeiro. Podemos nos lembrar de “crentes” que parecem ser a devoção a Deus em pessoa, mas se escondem atrás da máscara da religião. Enquanto isso suas almas estão bem longe de um dia chegar à Salvação propriamente dita. Essa sim é a falsa aparência mais perigosa de todas, como descreve o Bispo Edir Macedo em um post no Facebook: “o hipócrita se caracteriza pela meticulosidade. São mestres em picuinhas, fiéis nas coisas mínimas, mas negligentes nas importantes. Fazem questão de mostrar exteriormente o que não são interiormente. Adoram cobrar dos outros o que não fazem pelos mesmos”.

Virtual versus real
Esses tempos de redes sociais favoreceram muito o aumento extraordinário de “personalidades virtuais” que vendem imagens, tanto físicas quanto psicológicas, que pouco ou nada têm a ver com eles na vida real. Não é incomum o uso de recursos eletrônicos que melhoram fotos de perfis nas contas do Facebook e Instagram. E lá as pessoas escrevem o que quiserem a seu próprio respeito. O teclado aceita tudo o que digitam nele.

Isso, inclusive, tanto favorece a quem quer espalhar uma reputação melhor de si mesma quanto ilude aqueles que se satisfazem apenas em conhecer – e “seguir”, como se diz na internet – esses personagens, sem a preocupação de aquilo seja verdade. Se ele parece ter uma boa imagem, não importa o conteúdo.

É como definiu em uma pesquisa sobre o assunto Utpal Dholakia, professor de marketing da Universidade William Marsh Rice, no Texas, Estados Unidos: “eu conheço as pessoas apenas por meio das mídias sociais e toda a informação que tenho sobre elas é baseada no que elas escrevem lá. Eu construo suas identidades por meio de seus posts, notas, tweets, etc. como elas também constroem a minha. Queremos ser estrategicamente lembrados da maneira que nos beneficia”.

O alcance da imagem
A própria Bíblia mostra em Mateus 23.25-26 que a falsa imagem é um costume bem antigo – e espiritualmente perigoso – nas palavras do próprio Senhor Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo”.

E continua no versículo 28: “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.”

O filósofo francês Montesquieu (1689-1755) explicou uma vez que não basta parecer algo, tem que ser esse algo e vice-versa: “O esplendor que envolve o rei é parte capital de sua própria pujança”. Ou seja: aquilo que somos – ou que parecemos – ultrapassa a nós mesmos e pode tanto enganar quanto influenciar outros. Inclusive, não é raro que a própria pessoa tenha uma imagem falsa de si mesma (para o bem ou para o mal) e prejudique seu desenvolvimento na vida terrena e sua ida para a vida eterna, pondo em risco sua Salvação. Veremos a seguir exemplos de como essas imagens prejudicaram ou ajudaram seus donos e quem estava próximo a eles.

A esposa tinha depressão e vivia à base de remédios

Rafael das Neves, de 41 anos (foto a dir.), de Jundiaí, de São Paulo, é um exemplo de quem tinha a melhor imagem para a sociedade, mas quem vivia sob o mesmo teto que ele sofria. “Eu era casado, mas pensava como solteiro. Saía para beber com os amigos, jogar futebol, fazer churrasco e, principalmente, acompanhar as partidas do meu time de coração. Não perdia uma e, se não conseguisse ir ao estádio, grudava na TV. Eu não ia aos programas de família, queria fazer as minhas coisas e achava isso normal. Eu pensava: ‘eu trabalho, não estou fazendo nada de errado’ e me sentia no direito de fazer só o que eu gostava.”

Contador bem-sucedido, fora de casa ele parecia o melhor exemplo de marido e pai de seus quatro filhos, pois não deixava faltar nada materialmente. Sua esposa, Kelli, de 40 anos (foto a dir.), conta sua versão: “minhas ‘amigas’ diziam que eu reclamava de barriga cheia, mas foram 12 anos de angústia, depressão, brigas, traições, rejeição e desprezo. Ele sempre foi trabalhador, tínhamos tudo o que o dinheiro podia comprar, mas e o principal?”

Kelli acrescenta dizendo: “eu procurava fazer a minha parte. Eu era casada com ele, mas ele não era casado comigo. De quarta a domingo, ele ficava com os amigos, no futebol, nos churrascos e voltava bêbado de madrugada. As crianças cobravam a presença do pai, que viajava muito só para acompanhar os jogos, inclusive para o exterior”. As atitudes dele a levaram a ter pensamentos extremos: “um dia ele chegou em casa às 5 manhã, embriagado, e disse ‘não existem ex-mãe, ex-filho e ex-time, não insista’. Me senti um lixo, pensei em até tirar minha vida e a dos meus filhos”.

Ela entrou em depressão, vivia à base de remédios, mas muitas pessoas e o marido achavam que fosse “frescura”. Ele dizia: “eu lhe dou tudo, você não tem motivos de ficar assim, para com isso”. Kelli descobriu, num e-mail deixado aberto por ele sem querer, uma traição. “Não dava mais. Pedi a separação. Meus filhos sofreram demais.” Depois, ela descobriu que até mulheres que se diziam suas amigas o assediavam.

Depois do baque “a ficha caiu” para Rafael: “colhi o que plantei. Perdi ‘meu chão’ na época, só dei valor à minha esposa a partir daquilo.”. Arrependido,durante um ano e nove meses ele tentou reatar, mas Kelli resistia, profundamente decepcionada.

Contudo ela começou a ver uma mudança: “ele estava mudando, já não insistia que eu voltasse. Achei estranho, mas respeitei. Quando conversávamos, já não brigávamos e a conversa parecia até interessante”. Rafael leu o livro Casamento Blindado, que o ajudou muito, e procurou conhecer o lugar do qual vinha aquele conhecimento. “Foi aí que ele me convidou para ir à Universal”, conta Kelli. “Aceitei na hora. Fomos ‘nos acertando’, ele já não saía mais tanto de casa, foi se afastando dos amigos, se aproximando dos nossos filhos e deixando os velhos costumes.”

Sete meses depois, aconteceu uma virada radical, segundo Kelli: “a restauração total veio quando me lancei numa Fogueira Santa. Hoje ele é um pai que consegue conversar com os filhos sem gritar, me ajuda nas tarefas do lar, não me deixa sozinha e tudo isso eu agradeço ao Senhor Jesus. Sou casada com um homem de verdade”.

Hoje a imagem de bom chefe de família corresponde à real, dentro e fora de casa. “Agora posso e tenho orgulho de dizer que sou mesmo casado. Depois do Altíssimo, minha esposa é minha prioridade. Não largo um programa em família por nada, nem futebol e muito menos por amizades de bar. Sou marido e pai, me transformei por completo e sou muito feliz, graças a Deus”, finaliza Rafael.

“Criei ódio por mim mesma”

Vanéli Caliari, de 48 anos (foto a esq.), da cidade gaúcha de Gramado, também vivia um conflito entre a imagem pública e a pessoal. De família rica, aos olhos de todos ela tinha tudo o que alguém pode querer. “Eu ganhava viagens ao exterior, carros importados, tudo que eu desejava do meu pai.”

A verdade veio à tona com um acontecimento na vida adulta: “aos 21 anos, recém-formada em direito, me apaixonei por um rapaz e começamos a namorar. Idealizei uma vida a dois e ela foi destruída quando descobri que ele me traía. O mundo desabou em cima de mim. Caí em depressão.”

Mas o mal em sua vida era anterior àquilo. “Quando minha mãe e eu íamos à casa de minha avó, que era espírita, nos consultávamos com os espíritos. Tempos depois, minha avó se suicidou por causa de uma profunda depressão.

Isso abalou muito minha família. Minha mãe também ficou depressiva e pensava em se matar”. Depois do namoro, foi a vez de Vanéli ter o mesmo problema.

“Por seis anos me consultei com psicólogos e psiquiatras. Vivia internada e à base de antidepressivos. As pessoas acham que dinheiro é felicidade, é tudo. Eu tinha e não era feliz, isso me angustiava. Por isso achava que eu era culpada por tudo pelo que passava e criei ódio de mim mesma. Me compensava com comida. Engordei muito e cheguei aos 116 quilos.“

Mas não era só fome de comida que ela tinha. “Frequentei espiritismo, muitas igrejas evangélicas, a católica, crenças orientais, fui a terreiros. Tinha insônia e em uma madrugada assisti à programação da Universal. Via as pessoas falando de suas mudanças de vida e decidi: ‘Eu vou lá’. Ali foi a última porta.”

Ela conta que foi só o começo: “lá dentro, senti uma paz que por muitos anos eu não sentia. Tive a primeira noite de sono sem precisar de remédios. Percebi que se eu não tivesse o Espírito Santo, não teria forças para permanecer na presença de Deus. Comecei a praticar a Palavra. Larguei tudo da minha vida anterior: as amizades e os hábitos. Realmente obedeci”.

Depois de receber o Espírito Santo, Vanéli enxergou além do que o espelho mostrava. “Dali em diante eu tive a certeza de que podia enfrentar qualquer luta, pois Ele estava comigo. Foi como tirar uma venda dos olhos. Só aí vi o que tinha feito com o meu corpo.”

Além de voltar ao peso saudável, ela obteve outra conquista: “conheci o André, hoje meu marido. Combinamos em tudo. Criamos uma operadora de cartão de crédito, vamos inaugurar um spa e montamos uma empresa nos Estados Unidos no ramo do entretenimento. Devo tudo ao Espírito Santo. Sem Ele, não sou nada. Hoje sou uma mulher realmente completa”.

À imagem e semelhança

É muito comum vermos imagens públicas que não têm nada a ver com seus donos na vida real. Mas, felizmente, há quem seja aquilo que parece aos olhos dos outros. É o caso de Cláudia de Andrade Soares, de 33 anos (foto abaixo), corretora de seguros de São Paulo.

Sua presença na Universal não era “para inglês ver”, a exemplo daqueles fariseus criticados pelo Senhor Jesus no livro de Mateus. Ela era assídua às reuniões, mas complementava o aprendizado espiritual moldando, segundo a vontade de Deus, seu caráter com fé, amor por si mesmo e pelo próximo, além de ser perseverante.

Aquele jeito de ser não passou despercebido e acabou fazendo a diferença para alguém bem próximo de Cláudia. Sua irmã mais nova, a assistente comercial Cleide, hoje com 30 anos (foto a esq.), foi seduzida pelos apelos do mundo e não dava o menor valor ao espiritual. Cláudia, revestida pela sabedoria do Espírito Santo, orava, mas resolveu não insistir diretamente para que a irmã deixasse os hábitos nocivos. Não mostrou a ela a Verdade com argumentos, mas com exemplos.

Cleide, mesmo cega pelas práticas do mundo, viu o brilho de Deus na irmã mais velha, que era um exemplo de fé verdadeiro, uma fé que nitidamente fazia bem a Cláudia. A mais nova passou a querer aqueles benefícios e aquela paz.

O fato de a família delas ter passado por muitas dificuldades e, mesmo assim Cláudia mostrar toda aquela paz, contribuiu para deixar Cleide positivamente intrigada, a ponto de querer sentir o mesmo. Aquele núcleo familiar chegou à Universal desmantelado e, apesar de frequentar a Igreja, a fé não era exercida de fato. Na época, as meninas tinham 7 e 5 anos.

Os desentendimentos e as tristezas eram abundantes, mas Cláudia, quando já estava com 12 anos, apesar de tão nova, não fraquejou na fé e nunca desistiu da família, ainda que lutasse sozinha nesse sentido, pois todos se afastavam da prática da palavra de Deus. Ela cresceu e se tornou uma jovem de Deus, apesar de o mundo continuar a chamar.

Sua irmã Cleide estava cercada de más amizades, enquanto Cláudia se dedicava à Obra de Deus, em ajudar outras pessoas e nunca deixava de lado os cuidados e o amor pela família. Aquela estratégia de não insistir com a irmã funcionou, segundo Cleide: “Ela não ficava me ‘enchendo’ para eu ir à Igreja, mas o modo que ela se comportava, suas amizades, a forma como cuidava da vida amorosa, me fizeram ter o desejo de ser como ela e não fazer mais aquele monte de coisas erradas que eu fazia”.

Só depois de despertar essa vontade na mais nova, Cláudia a convidou para sua consagração na Universal. O convite foi aceito. Começou ali uma conversão, que continuou e hoje quem as conhece já vê os frutos espirituais na vida de ambas.

As irmãs servem atualmente a Deus como levitas no Templo de Salomão. A família, testemunhando o que aconteceu com as duas, voltou para a presença de Deus dentro e fora da Igreja.

Hoje, ciente do que é a vida em Deus, Cleide entende o que aconteceu. “Cláudia me ensinou as bases da verdadeira fé, era ela que tirava as minhas dúvidas e me ajudou a ser quem sou. Hoje somos felizes em nossos casamentos e muito amigas. Ao enxergar os frutos do Espírito Santo na vida de minha irmã, tive vontade de também ter aquele Espírito de Deus em mim.”

Por que isso é tão  importante?

Mostrar verdadeiramente quem somos é somente uma questão moral ou muito mais? Por que isso é tão importante espiritualmente falando?

Em primeiro lugar, a falsa imagem nada mais é do que uma forma de mentir, algo que está muito longe da prática de alguém que é de Deus de fato. O Bispo Júlio Freitas esclarece em seu blog que perdemos algo muito precioso quando cultivamos e espalhamos um retrato “melhorado” irreal do que somos. “Deus não Se revela, não dá o Seu Espírito aos mascarados.”

Esse o ponto central e o Bispo diz o que pode estar atrás dessa máscara: “com certeza, estarão traumas, segundas intenções, malícia, orgulho, dúvida e, o mais grave, ela representa tudo aquilo que impede o indivíduo, mesmo estando na Igreja, de revelar quem realmente é! Por isso o Senhor Jesus disse que Deus busca os sinceros de coração. (Mateus 5.8)”.

O Bispo Júlio lembra que “os habitantes de Sodoma e Gomorra foram destruídos porque tinham uma máscara, diziam crer em Deus, mas estavam mascarados (e eram descarados), pois criam do seu jeito e, por isso, morreram, pois foram condenados”. Ele compara que não é mito diferente hoje: “isso também acontece com todo aquele que se aproxima ou tenta receber de Deus o Seu Espírito sem ter a iniciativa de antes retirar a sua máscara. Deus já sabe quem você é, mas Ele não lhe vai lhe desmascarar! A pessoa é que tem de reconhecer que esta máscara faz mais mal a ela mesma do que a todos ao seu redor. Ela é um verdadeiro perigo para si mesma, pois é hipócrita, encobre o próprio pecado e multiplica o seu erro por centenas de milhares de vezes”.

Quando alguém resolve dar um basta na hipocrisia, vem o benefício, segundo o Bispo: “se a pessoa retira a máscara, o seu rosto torna-se visível, ela dá a cara, reconhece e assume o seu erro e, assim, ela cresce, amadurece como homem, mulher, cristão, adolescente e cidadão. Ou seja, você só tem a ganhar, pois aprende e não volta mais à prática daquele erro, já que mostra quem verdadeiramente é e é beneficiado por isso! Neste caso, a sua vergonha torna-se uma superação pública! Todavia, caso você encubra, a sua vergonha torna-se uma humilhação pública. Para você, que toma esta decisão, há perdão e salvação, pois está fazendo o bem primeiramente a si mesmo e depois a todos os outros”.

E o Bispo deixa a mais importante recomendação: “sabe qual é a maior vergonha do cristão? Não ser batizado com o Espírito Santo! Por isso, pare de se esconder, de ver Deus através de uma máscara, dê a sua cara, pois só assim Deus vai lhe dar Seu Espírito.”

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