Jornalista Fabio Pannunzio questiona a veracidade das denúncias contra João de Deus

Comentário feito pelo âncora da Band gera indignação nas redes sociais


Por Núbia Onara / Foto: Divulgação

É dever de todo jornalista manifestar opinião em meios de informação com responsabilidade e tratar com respeito as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. Esses dois pontos são tratados nos artigos 10 e 12 do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Mas, ao que parece, o jornalista Fabio Pannunzio, âncora do Jornal da Noite, na Band, não atentou ao que está descrito no código, ao fazer um comentário desrespeitoso, na edição desta segunda-feira (17) do telejornal.

Após exibir matéria sobre a acusação de abuso sexual feita por mais de 500 mulheres contra o famoso médium João de Deus, o jornalista colocou em dúvida o depoimento das vítimas.

Assista no vídeo abaixo:

“Olha, eu não tenho dúvida nenhuma de que, entre esses relatos, tem muito trigo e tem também algum joio. Você acha crível mesmo que esse homem molestou 500 mulheres? Aos 76 anos de idade? É preciso mais que hormônios para se crer numa história dessas. E vamos devagar com o andor porque pode haver uma grande campanha contrária a esse tipo de religião. É só pra você pensar um pouquinho quando ouvir esses números muito altos assim”, disse ele.

O comentário já revela a falta de bom senso do jornalista, pois os abusos relatados pelas mais de 500 mulheres não foram cometidos pelo acusado aos 76 anos, mas ao longo de sua atuação religiosa.

E por que é mais fácil pensar que mais de 500 mulheres foram abusadas é um número alto demais, quando o acusado recebia por dia entre 2 mil e 3 mil pessoas?

Indignação nas redes sociais

Nas redes sociais é possível encontrar inúmeros comentários de pessoas indignadas com a opinião do apresentador do telejornal.

A revolta é grande entre os internautas, que acreditam que o âncora saiu em “defesa” de João de Deus.

“Parabéns Pannunzio, tinha várias  formas de você comentar isso e você escolheu a pior”, escreveu um internauta.

”Que horror, como a Band permite algo assim? Achar que as mulheres estão inventando?”, questionou outro.

Procurada a Band ainda não se manifestou sobre o assunto.

Dois pesos, duas medidas

Se não bastasse duvidar dos depoimentos de mulheres vítimas de abuso sexual, Pannunzio insinuou que isso pode ser uma conspiração contra a religião espírita.

O mais irônico é ver o mesmo jornalista se mostrar cético diante de denúncias tão cruéis de mulheres que foram devastadas por causa do abuso praticado por alguém em que elas confiaram em um momento de fragilidade e de busca por cura. Porém, o mesmo ceticismo não foi observado meses atrás, quando ele colocou em dúvida a atuação da Universal, uma instituição que há mais de 40 anos trabalha em prol de pessoas que estão marginalizadas e esquecidas na sociedade.

No final de 2017, a TVI, canal de TV português, exibiu uma série de reportagens em que apresentava supostas denúncias de adoções ilegais em um lar de recolhimento da Universal, em Lisboa. Em suas redes sociais, Pannunzio fez questão de compartilhar as falsas denúncias.

Entretanto, as autoridades judiciais portuguesas concluíram “não existir quaisquer indícios de uma rede de adoções ilegais, nem irregularidades na retirada das crianças ou na atuação dos tribunais”.

Enfim, tal postura do jornalista Fabio Pannunzio de usar um veículo de comunicação para emitir opinião que mistura sexo com religião, e utiliza um raciocínio no mínimo machista, só  faz com que vítimas de crimes como esse relutem em denunciar.

Na Coluna do Fraga, no R7, com o título “Apresentador da Band defende João de Deus com raciocínio machista”, o autor do texto definiu bem o que fez o âncora da Band: “Fábio Pannunzio produziu uma obra irretocável do machismo mais desumano que ainda persiste no Brasil”.

Mesmo após a polêmica gerada nas redes sociais depois do infeliz comentário, o jornalista não se retratou, pelo contrário. Um dia após (18), no mesmo telejornal, Fábio Pannunzio disse que em nenhum momento quis defender o comportamento degenerado de João de Deus, mas reafirmou duvidar do número de denúncias – mais de 500 mulheres.  Porém, os argumentos expostos pelo jornalista também não foram bem recebidos pelo público nas redes sociais.

 

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