Os exageros ao fazer as compras natalinas

Em época de Natal, vitrines decoradas e anúncios de presentes levam muitas pessoas a comprar além do necessário. Entenda o que pode estar por trás do consumismo e saiba como evitar as armadilhas.


Por Rê Campbell / Fotos: Fotolia e Cedida

Com o fim do ano, lojas e marcas aproveitam o clima festivo para estimular as compras. Vitrines decoradas, luzes piscantes e Papais Noéis ajudam a criar a atmosfera ideal para o consumo. Com tantos anúncios de presentes e ofertas, muitos brasileiros acabam extrapolando nos gastos. Por que o “clima natalino” pode levar algumas pessoas a comprar demais? Será que dá para se proteger da gastança nesta época?

Uma coisa é fato: a decoração de Natal desperta emoções em muitas pessoas. E isso tem um propósito, como explica o psicólogo e doutor em neurociência do comportamento Yuri Busin. “A decoração natalina tem relação com compras e consumo de presentes. Todos esses estímulos ajudam a criar um padrão de comportamento. Quando as pessoas veem as luzinhas e a decoração, elas pensam em compras”, diz ele, que é diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental –Equilíbrio (Casme).

O neurocientista Aristides Brito acrescenta que em nossa cultura os presentes funcionam como uma forma de reconhecimento. “Desde a infância, somos condicionados a aprender que ganhar presentes é legal. Quando crescemos, queremos presentear as pessoas à nossa volta e nos presentear, pois acreditamos que só assim vamos dar reconhecimento a quem amamos.” Ele explica que o presente funciona como uma recompensa para o cérebro.

“Quando recebemos ou damos um presente, o cérebro libera substâncias que trazem a sensação de prazer e bem-
estar. Esse processo de recompensa não é muito racional, ele está relacionado a uma parte do cérebro mais primitiva. O comércio e o marketing conhecem essa relação e exploram isso para vender mais”, avalia.

Ansiedade
O consumo em excesso pode estar relacionado a algumas dificuldades emocionais. A psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental Claudia Melo (foto a esq.) explica que pessoas que são muito ansiosas podem acabar perdendo o limite nas compras. “Quando a pessoa tem uma ansiedade fora do comum, isso pode levá-la a direcionar essa ansiedade para outras coisas e a desenvolver um comportamento compulsivo por compras. A pessoa sente tristeza, baixa autoestima e preocupação, mas não consegue olhar para dentro e resolver o problema, então as compras são uma tentativa de aliviar a ansiedade”, diz.

A psicóloga diz que o consumo compulsivo pode ser identificado por algumas atitudes. “Quem compra em excesso tem várias roupas com etiqueta, algumas que nem cabem nela. Essas pessoas se endividam, perdem cartões e pedem dinheiro emprestado para continuar comprando. Algumas chegam a cometer atos imorais”, alerta. Nesses casos, a sugestão é procurar ajuda especializada. “Muitas vezes, a pessoa se sente deprimida e ansiosa, mas tem vergonha de pedir ajuda. O profissional está preparado para ouvir sem julgar”, indica.

Obrigação
Muitas pessoas se sentem obrigadas a dar presentes e isso pode se tornar uma pressão extra para o consumo. Para Claudia Melo, é possível evitar essa armadilha com transparência e uma boa conversa. Ela lembra que as relações sólidas e verdadeiras não se baseiam em compras ou objetos materiais. “Em alguns casos, é importante deixar claro a situação em que você se encontra. Além disso, procure não gerar expectativas no outro. Muitas vezes, nós acostumamos a outra pessoa a determinados comportamentos, como entregar presentes. Será que as relações precisam se basear em presentes? Um encontro e um abraço sincero são suficientes”, pondera.

Novo significado
Para evitar as compras por impulso, Yuri Busin indica muita reflexão e planejamento. “Avalie sua renda e estipule quanto pode gastar com presentes. Coloque uma meta e cumpra-a para evitar endividamento”, afirma. Outra dica é avaliar se existe realmente necessidade de adquirir o produto. “É importante se perguntar como foram suas últimas compras, se você está usando ou não o que comprou. Se você constatar que comprar por impulso virou um hábito sem controle, vale procurar ajuda psicológica”, finaliza.

Aristides Brito sugere que cada pessoa busque compreender o verdadeiro significado desta época antes de fazer compras. “Para reunir a família, por exemplo, não é preciso gastar muito. Se você cresceu em uma família que sempre presenteou, é natural que você queira repetir isso. Entretanto, é importante ter consciência dos princípios e valores envolvidos, pois assim a pessoa não se deixa levar pelos apelos da publicidade”, comenta.

Evite o consumo excessivo

  • Controle sua renda e faça as contas dos gastos mensais
  • Se precisar comprar um presente, determine quanto vai gastar antes de sair de casa
  • Use a razão e pense bem antes de comprar.
  • Você realmente precisa do produto?
  • Identifique se você está comprando para esconder sentimentos como tristeza, ansiedade, medo e vazio. Se a resposta for sim, busque ajuda especializada
  • Aproveite esse período para reunir a família e os amigos e fortalecer as relações
  • Cuidado com vitrines decoradas e anúncios de ofertas, eles são feitos para estimular as emoções e as compras por impulso

Fontes: Yuri Busin, psicólogo e doutor em neurociência do comportamento; Aristides Brito, neurocientista; e Claudia Melo, psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental

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