Cuidado com os gastos de final do ano


Por Redação

Chegou o final do ano. Um período esperado por muitos. Um ciclo finda e outro se inicia. Nesta época, as lojas ficam abarrotadas de consumidores. Parece que os shoppings centers não têm lugar para as pessoas circularem. Nos centros de comércio de rua também não é diferente: há corre-corre e estresse. Quanto mais se aproxima a virada do ano, isso só parece piorar. Pessoas alvoroçadas, com listas de presentes nas mãos, disputam espaço, corpo a corpo, para comprar mercadorias de todos os tipos. É o presente para o amigo-secreto, o brinquedo que o filho pediu e quer desesperadamente, a “lembrancinha” para os parentes mais chegados e ainda algo especial para a esposa ou o marido.

Quando se fala em volume de vendas, as comemorações em dezembro ficam atrás apenas do Dia das Mães. No noticiário, os apresentadores de televisão falam como o comércio está aquecido e preparado para receber os clientes. Dirigentes do setor lojista falam de suas expectativas de vendas neste ano em relação ao mesmo período do ano passado e tecem comparações. Economistas falam do quanto essa área cresce nesta época gerando inúmeros empregos. Ao mesmo tempo, as propagandas trazem imagens carregadas de emoção, de carga sentimental em relação à família e à renovação da esperança para o ano que vai chegar.

Mas você já viu esse filme inúmeras vezes. Desde criança muitos são estimulados a ter sonhos de esperança e pedir presentes. Só que esses sonhos são carregados de pedidos materiais. Quando pequenos, começamos pedindo brinquedos. Ao crescermos, nossos sonhos vão mudando. Vamos ficando mais exigentes e nossas ambições se tornam outras, mais caras talvez, tudo porque quanto mais comprarmos para nós ou para darmos de presente, mais sentiremos, aparentemente, que nos tornamos felizes. Ano após ano, as propagandas mudam, mas parecem sempre estimular a todos para que sigam esse caminho.

Ao comentar esse assunto, você se julga plenamente consciente e totalmente imune a essa influência, mas a verdade é que não consegue escapar dessa toada. Em dado momento se vê na fila da loja, porque comprar parece ser a única ação certa a ser adotada. É tudo tão volátil que mal dá tempo de respirar e prever que, ao começar mais um ano, boletos de cobrança e de taxas serão enviados para você pelos Correios: é o IPTU, o IPVA, a escola do filho, a mensalidade da casa, as contas que não deixam de chegar. Talvez você só se dê conta de que aquele dinheiro gasto com presentes poderá lhe faltar quando for tarde demais. Não conseguiu pagar aquela dívida antiga e, pior, agora terá mais uma para pagar.

Até que ponto isso vale a pena? Você pode até pensar: “eu ganhei o meu décimo terceiro. Eu mereço”. Afinal, você trabalhou o ano inteiro para ganhar essa gratificação, é um direito seu e agora pode usar esse dinheiro para comprar algo para você. É um autocarinho, uma forma de fazer um bem a si ou ainda para quem você gosta: sua mulher, seus filhos, seus pais, seus amigos. É a demonstração perfeita de que o presente dado comprovará isso: o cuidado que você tem consigo e com aqueles por quem tem afeto.

Mas será que essa é realmente a medida a ser tomada? O amor realmente depende disso? Será que o simples fato de querer comprar algo para você não é uma forma de tentar remendar um furo que você cometeu ali atrás? Será que aquele presente que você dá ao seu filho, à sua esposa ou até mesmo ao seu amigo-secreto no trabalho não é só uma forma inconsciente de pedir desculpas por um descuido ou um deslize seu em uma situação em que poderia ter agido melhor ou a tentativa de preencher momentaneamente um vazio? É preciso se perguntar se esse dinheiro que você gasta agora, em uma compra, é para algo que você realmente necessita. Quanto dessa “necessidade” tem realmente a ver com você? Comprar não é tudo e nem tudo na vida pode ser comprado.

A verdadeira felicidade não tem relação nenhuma com isso. Aproveite esse período de mudança de ciclo e reflita para não cometer os mesmos erros que você já cometeu em anos anteriores. Agir sem pensar, movido apenas pelo impulso, pode ser prejudicial para você e para sua família. Se for praticar o consumo, prefira o consumo de amor, paz, alegria, prosperidade, união, família, perdão, carinho, compaixão, respeito e solidariedade.

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