2018 deixa legado de baixa cobertura vacinal

A meta de vacinar 95% da população não é alcançada pelo terceiro ano consecutivo


Por Katherine Rivas / Foto: Fotolia

Katiuska Sales, de 43 anos, optou por vacinar a filha Katarina Azevedo, de 3 anos, apenas até os seis meses. Ela justifica que teve medo de continuar com a vacinação depois que leu diversas notícias na internet que relatavam os efeitos colaterais das vacinas em crianças. Ela estava confiante de que apenas um longo período de amamentação e uma boa alimentação poderiam garantir a saúde da filha. “As vacinas não me passavam segurança de que ela estaria imune. Já ouvi relatos de crianças que mesmo vacinadas pegaram catapora e sarampo”, conta.

No entanto, quando o Ministério de Saúde alertou quanto à volta do sarampo e soube que para matricular a filha em uma creche pública precisava apresentar a carteira de vacinação regularizada, Katiuska teve que levar Katarina até o posto de saúde para tomar as vacinas. “Eu estava disposta a não levá-la, mas estou fazendo isso somente por obrigação e para que ela seja aceita na creche”, diz.

A filha de Katiuska quase fez parte do grupo dos 75% de brasileiros que não tomaram, este ano, as vacinas básicas recomendadas pelo Sistema Único de Saúde.

Para se ter uma ideia, por exemplo, nenhuma vacina do calendário infantil atingiu a meta de cobertura prevista. Segundo Carla Domingues, epidemiologista e coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), desde 2016 o nível de cobertura vacinal em crianças, que era o maior do País, atingiu entre 60% e 80%, quando a meta era vacinar 95%. “Em 2017, apenas a vacina BCG, contra a tuberculose, conseguiu atingir o objetivo”, explica.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, admite que é impossível não sentir os impactos da falta de vacinação. O sarampo e a pólio, que tinham sido erradicados, voltaram. O sarampo já afetou dez Estados (oito tiveram casos pontuais e Roraima e Amazonas apresentaram surtos). “Foram 13 óbitos no País por causa da baixa cobertura”, acrescenta.

Carla, do PNI, diz que só em 2019 será possível obter um balanço deste ano.

Ação
Para combater o problema o Ministério da Saúde traçou algumas estratégias de comunicação contra as fake news e está usando o site oficial, as redes sociais e o Whats-App. Também fez parcerias com as sociedades científicas, de pediatria, de infectologia e de imunizações, além de entidades da sociedade civil (Rotary, Lions e Pastoral da Criança). O governo federal também condicionou a regularização da carteira vacinal à obtenção de benefícios sociais, como o Bolsa Família, e à realização da matrícula em escolas públicas.

O próximo ano
Carla, do PNI, diz que a queda da cobertura vacinal tem várias causas (confira o boxe ao lado). Ela aponta ainda que o objetivo para o próximo ano é ampliar a obrigatoriedade de vacinação para outras faixas etárias. Já Kfouri destaca que o desafio será atualizar o sistema vacinal e entender os reais motivos da queda em cada município. “O Brasil é um país continental. Não podemos comparar as causas do Nordeste com as do Sudeste. E também são necessárias ações direcionadas”, conclui.

Principais causas

Falta de percepção de risco: muitas pessoas não conviveram com as doenças, que estavam erradicadas, e, por esse motivo, acreditam que não precisam se imunizar. Só se vacinam em épocas de surto

Horários de funcionamento: muitos postos só funcionam de segunda a sexta-feira em horário comercial, o que coincide com o horário de trabalho das pessoas

Fake news: muitas pessoas acreditam nos mitos de que as vacinas têm efeitos colaterais ou que são feitas apenas para os laboratórios conquistarem lucro

Logística e desabastecimento: questões regulatórias impactam no abastecimento dos postos e, por isso, a entrega de vacina de qualidade é um desafio

Profissionais da saúde: muitos não são enfáticos ao relatar aos pacientes a importância da imunização

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