77% das jovens paulistas podem desenvolver distúrbios alimentares

O problema pode ter causas emocionais, psíquicas e até familiares


Por Rafaella Rizzo / Fotos: iStock - Reprodução

Os distúrbios alimentares têm crescido na vida das jovens moradoras do estado de São Paulo. De acordo com um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde, 77% das jovens podem desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar. Alguns exemplos são anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Entre as garotas abordadas pela pesquisa, 39% estavam acima do peso, 85% disseram acreditar que existe um padrão de beleza imposto pela sociedade, 46% afirmaram que mulheres magras são mais felizes e 55% adorariam simplesmente acordar magras.

Influências externas (como a mídia) são uma forte motivação para o surgimento destes problemas. Entretanto, segundo a psicóloga Ana Maria Canzonieri, as causas também têm outras raízes.

“Podem ser de origem metabólica, psicológicas ou estar relacionado com a forma inicial de aprendizagem da relação com a comida no meio familiar, erros alimentares, exigências com a imagem corporal. Tudo isso transforma o processo natural de nutrição e as formas de compensação por meio da comida”, explica.

A especialista acrescenta que entender que o problema enfrentado é um transtorno alimentar leva a pessoa a não buscar ajuda especializada. Isso pode afetar os diversos sistemas físicos e psíquico, causando desajustes sociais, relacionais e até profissionais.

História de vida

Foi o que aconteceu com Maria Eduarda Lucas (foto ao lado), moradora do Rio de Janeiro.  Após sofrer com o bullying e a depressão, ela desencadeou hábitos de anorexia e bulimia. “Eu vomitava a comida na tentativa de expelir a tristeza, a angústia, a solidão que havia dentro de mim, mas eu não conseguia. Vivia trancada no quarto, fazia dele o meu refúgio”, lembra.

Um dia, porém, Maria Eduarda encontrou ajuda e o apoio que tanto precisava para vencer o problema. Ela conheceu o projeto Help, um dos departamentos do grupo social Força Jovem Universal (FJU), e sua vida mudou.

“Me ajudaram a entender que o padrão de beleza é aquele em que eu sou feliz, não o que agrada as pessoas. Encontrei paz, amor próprio, minha cabeça mudou. Não precisei mais da aceitação das pessoas para me sentir bem e consegui parar com os distúrbios alimentares”, conta.

Recuperada destas doenças, hoje Maria Eduarda faz parte do grupo de conselheiros do projeto e ajuda pessoas com sua experiência.

Acesse a página oficial do grupo no Facebook e acesse o Instagram.

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