Quem luta pelos jovens que cometem crimes?


Por Eduardo Prestes / Fotos: Demetrio Koch, Cedidas e Arquivo Pessoal

Dificuldades sociais, educação deficiente, falta de orientação e estrutura familiar dilacerada são apenas alguns fatores que podem levar os jovens ao mundo do crime. Mesmo quando a condição social não é o fator principal, muitos deles acabam envolvidos com assaltos, tráfico de drogas e vão parar em instituições socioeducativas para menores. Para ajudar os que vivem nessa situação, desde 2017, existe o projeto Universal Socioeducativo (USE). Ele conta com quase 8,5 mil voluntários que visitam periodicamente estabelecimentos em que jovens estão cumprindo medidas socioeducativas. De acordo com o Pastor Ulisses Gomes, de 41 anos, coordenador do grupo no Brasil e no exterior, só em nosso país 7.846 pessoas participam voluntariamente de eventos que incluem jovens e seus familiares. “Temos outros 517 distribuídas na Argentina, Colômbia, Venezuela, no Uruguai e na Bolívia e que também desenvolvem atividades com a intenção de recuperar os jovens. Em outros países, onde o grupo não está presente fisicamente, a Universal conta somente com o trabalho de voluntários da Igreja que visitam as instituições para menores”, explica o Pastor.

Atividades
O USE incentiva a participação dos jovens em atividades culturais e esportivas. “Temos o projeto do futebol, a Sessão Cinema, com filmes cristãos; e as apresentações de dança e peças teatrais com voluntários e ex-internos.

Promovemos encontros dos jovens com ex-internos, para que eles troquem experiências de vida e vejam que é possível mudar o futuro. Realizamos cafés da manhã com funcionários e familiares, sempre levando palavras de conforto e motivação baseadas na Bíblia.”

Espaços Revitalizados
O grupo ainda mantém nas instituições socioeducativas os chamados Espaços Revitalizados, onde é possível evangelizar os jovens. “São 111 no Brasil. O nosso objetivo é afastar rapazes e moças da criminalidade, dando a eles perspectivas para suas vidas. Desde que o trabalho foi implantado, são mais de mil jovens, ex-internos, que estão firmes na Universal. Desses, 200 são voluntários do grupo e mais de 100 já estão trabalhando com registro em carteira.”

Formado no crime
Um exemplo da atuação do USE é o jovem Hugo Leonardo Soares (foto a dir.), de 26 anos. Ele passou por instituições para menores e também pelo sistema carcerário quando atingiu a maioridade. “Eu cometia estelionato, assaltos e sequestro. Era viciado nessas atividades. Fui para a Fundação Casa pela primeira vez aos 14 anos e adquiri mais conhecimento no mundo do crime. Fui me tornando mais revoltado. Quando tive liberdade assistida, eu aproveitava para cometer crimes durante o dia e voltava à noite para a Fundação para dormir, até que acabei fugindo.”

Vida velha
Na rua e já maior de idade, o pior ainda estava por vir. “Estava fugindo da polícia em uma moto, acabei batendo em um carro e tive a perna esmagada. Sofri duas amputações. Depois ainda fui para o presídio cumprir pena. Minha esposa, Naiara Costa (foto a dir.), de 25 anos, teve um papel fundamental quando começou a buscar a Deus por nós na Universal. Ela também participava dos crimes comigo, mas a mudança dela depois que começou a ir à Igreja também foi me influenciando. Ela mudou o jeito de falar e de agir, me levava a Bíblia e me despertou para a fé. Depois de cumprir pena, saí do presídio e me batizei. Hoje faço parte do Universal Socioeducativo, sou empresário e larguei aquela velha vida de vícios e de crimes.”

Drogas e prostituição
Quem pensa que o universo do crime está restrito aos homens se engana. A jovem Katiene Helena da Silva (foto a esq.), de 20 anos, mostra o contrário. Além de entrar para o tráfico de drogas, também se envolveu com a prostituição quando era menor de idade. Foi a maneira encontrada por ela para sustentar o vício. Para sua mãe, a faxineira Maria Helena da Silva, de 55 anos, a descoberta de que a filha tinha uma vida paralela foi terrível. “A Katiene nunca deu trabalho. Na escola, fazia as atividades dela, mas acho que quando começou a andar com algumas amizades tudo mudou. Começou a fumar cigarro, a se vestir de um jeito diferente e ficava de madrugada na rua. Tentei até prendê-la em casa, mas discutimos e brigamos muitas vezes por causa isso. Ela chegou até a fugir de casa.”

No Altar
A jovem foi presa por tráfico de drogas, mas não chegou a cumprir medidas socioeducativas, pois não havia um local específico para isso na cidade onde ela morava.“Toda semana eu comparecia para conversar com os assistentes sociais. Apesar dos apelos da minha mãe, eu não queria mudar. Isso só aconteceu quando eu conheci o trabalho da Universal. Na primeira vez, fui só porque minha mãe pediu e nem tinha vontade de ir. Na segunda, ainda cheguei a pedir a um homem casado com quem eu saía para me dar carona para ir à Igreja. Lá, comecei a fazer o que era orientado pelo pastor e isso foi dando resultado. Deixei de lado as velhas amizades e me engajei no trabalho voluntário. Decidi entregar a minha vida a Deus completamente, fui batizada e participo do USE evangelizando meninas na Fundação Casa. Meu único objetivo é servir a Deus no Altar.”

Olhos vermelhos
Em 2014, a diarista Renata Aparecida Louzeiro, de 44 anos, de São José do Rio Preto, notou que o filho Jeyel Louzeiro (foto a dir.) estava envolvido com drogas. “Ele sempre teve problemas de comportamento e acabou entrando para o mundo do crime. Eu e meu marido só percebemos quando ele começou a chegar em casa com os olhos vermelhos. Então o Jeyel foi pego por tráfico e passou várias vezes pela Fundação Casa, em São Paulo. A pior situação foi quando os policiais invadiram a nossa casa. Até o helicóptero Águia (da Polícia Militar de São Paulo) estava atrás dele. Foi um desespero.”

Propósito para Deus
Jeyel fumou maconha pela primeira vez estimulado por um colega. “Eu queria curtir a vida, ter roupas de marca e dinheiro fácil. Logo passei a traficar. Fui preso 35 vezes. No total fiquei na Fundação Casa 11 meses e 30 dias. Já fiquei na mira da arma da polícia em diversas ocasiões. Só não fui morto porque Deus tinha um propósito para mim”, conta. A mãe dele começou a orar na Universal para que o rapaz mudasse enquanto estava preso. “Antes ele não me ouvia nem atendia aos meus apelos. Eu chorava, mas isso não resolvia. Quando o trabalho do USE chegou na unidade até os funcionários notaram que ele estava mais calmo e mudando aos poucos”, relata Renata. Jeyel cumpriu as medidas socioeducativas e afirma que só pensa no futuro. “Estou livre do vício. Busquei o Espírito Santo, comecei a participar do grupo jovem e a ir á Catedral em São José do Rio Preto. Sou do teatro e do grupo de evangelização que visita as unidades para menores. Trabalho com meu pai e só penso em servir a Deus no Altar.”

Todo tipo de jovem
O crime é capaz de seduzir todo tipo de jovem, mas há muitos pais que não acreditam nessa possibilidade. A contragosto, a vendedora Evanilda Dantas, de 48 anos, se convenceu disso quando o filho dela, Marcelo Dantas, hoje com 26 anos (foto a esq.), se envolveu com drogas. “Ele não tinha nenhum motivo para isso. Nossa família era bem conhecida quando morávamos em Corumbá (interior do Mato Grosso), mas, de repente, com 10 anos, ele começou a roubar, a traficar e rapidamente entrou para uma facção criminosa.”

Assumindo a responsabilidade
Marcelo diz que só depois se deu conta de que estava sendo usado pelo crime. “Cada vez que tinha um problema com a polícia era um menor que assumia a responsabilidade. Um dia eu estava com um grupo de amigos e ficamos sem dinheiro para beber. Um maior de idade sugeriu o assalto a um cibercafé. Acabei indo na frente. A decepção da minha mãe foi muito grande quando viu as minhas imagens segurando uma arma e ameaçando uma funcionária. Naquele dia fui preso e assumi a responsabilidade pelos adultos.”

Inconformada
A mãe do rapaz estava inconformada e resolveu pedir orientação na Universal. “Fui até o pastor e ele fez um propósito comigo. Disse que eu levasse o documento do meu filho ungido por ele para que o Marcelo fosse solto e também para que ele mudasse para uma vida junto de Deus. E, se não fosse para acontecer isso, não era para ele ser solto. No dia da audiência no fórum, fiquei pensando se conseguiria colocar o papel na porta e pedir bem alto que a vontade de Deus fosse cumprida. Acabei conseguindo depois de relutar bastante”, relembra.

Usado por Deus
Evanilda conta que, na audiência, o juiz perguntou como o seu filho era em casa. “Eu disse que era um ótimo menino, mas que ele mudava quando estava na rua. Ele perguntou para o Marcelo se ele queria mudar, disse que daria uma chance para ele e que esperava vê-lo de novo apenas para a assinatura das medidas socioeducativas. O Marcelo deveria ficar seis meses em uma unidade, mas ficou só duas semanas. Quando saiu nem os policiais no nosso bairro acreditavam. Tentaram prendê-lo, pois pensaram que ele tinha fugido, mas mostrei o papel do fórum e tudo se resolveu”, relata. Marcelo decidiu mudar depois dali. “Resolvi entregar a minha vida 100% para Jesus. Sou líder de um grupo de ex-internos, trabalho com pintura e quero abrir minha empresa. Desejo ser usado agora só por Deus”, revela.

A casa caiu
Outro jovem que hoje faz parte do Universal Socioeducativo depois de ter perdido a liberdade temporariamente é Luiz Eduardo da Silva, de 19 anos (foto abaixo). Ele mora em Goiânia e, aos 14 anos, começou a fumar maconha por influência de um familiar. “Minha mãe trabalhava fora e eu passava muito tempo com meu tio. Ele fumava e me influenciou. Me envolvi rapidamente com o tráfico de drogas e pequenos assaltos para manter o vício”, conta. Ele lembra que a primeira vez em que traficou foi para comprar droga para um colega de escola. “Fui até a ‘biqueira’ que eu já conhecia e depois disso também comecei a vender crack. Minha mãe só descobriu quando encontrou a minha carteira cheia de dinheiro. Com 17 anos, fui acusado de tentativa de homicídio quando cobrava uma dívida e foi aí que a casa caiu. A polícia me prendeu de madrugada. Eu estava na cama, drogado, já que tinha usado LSD, e nem lembrava do que havia feito”, afirma.

Diferente
Luiz Eduardo foi para uma unidade socioeducativa. O que ele pensava em relação ao crime só começou a mudar depois que conheceu o trabalho do USE. “Minha mãe (Maria Rosilene da Silva, de 45 anos) lutava por mim aqui fora e eu ouvia os pastores evangelizando. Isso foi mudando aos poucos a minha visão e conduta. Hoje, aqui fora, todos falam como estou diferente até na maneira de falar. Fui batizado, participo das ações do USE e costumo visitar as instituições com jovens para ajudar na evangelização. Minha mãe sempre me fala o quanto eu me transformei.”

Convite
Para o Pastor Ulisses, em vários casos, o responsável por fazer o jovem se aproximar de Deus é realmente um familiar. “A família é o esteio do jovem, é ela que o garoto mais ouve. Quando uma mãe trava uma guerra para acompanhar o seu filho, o trabalho é muito mais fácil. Graças a isso conseguimos dar continuidade ao que estamos fazendo. É uma corrente do bem, em que a família e a fé andam juntos conosco para alcançarmos o resultado. Por isso, fazemos um convite para quem quiser participar voluntariamente do USE: se você quer saber mais do que fazemos ou como deve proceder para participar do grupo, entre na nossa página no Facebook e faça contato conosco”, conclui.

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