Você vê a vida com bons olhos?


Por Marcelo Rangel / Fotos: Demetrio Koch, Fotolia e Cedidas

Como você percebe, com seu olhar, as circunstâncias à sua volta? E como vê as outras pessoas? E a si mesmo? E mais: como vê a Deus em sua vida?

A forma como você olha influencia e muito a sua vida e a de quem o rodeia. Há mais de dois mil anos alguém ensinava: “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mateus 6.23).

O próprio Senhor Jesus mostrou que a forma como vemos tudo e todos influencia não só a visão dessas coisas, acontecimentos e pessoas, mas pode lançar sobre elas mesmas algo imprescindível: a vontade de se verem diferentes, de um modo melhor. Assim como para elas, para nós isso influencia o nosso modo de pensar e administrar a nossa vida.

Algumas pessoas se veem como derrotadas, como se o estado em que se encontra suas vidas fosse irreversível. E se conformam com essa visão.

O Senhor Jesus tocou num ponto-chave: se “os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso”. Ou seja, é um fluxo de mão dupla. Ao ver o bem nos outros, eles verão o bem em você. Mas se a visão for negativa, não se admire se o rotularem de frio ou arrogante.

Reforçando o que o Senhor Jesus diz, o Bispo Julio Freitas explicou em seu blog que os olhos “são janelas… E, assim como deixam ver o que está dentro, também permitem olhar e avaliar o que está fora”.

O Bispo continua: “segundo o Senhor Jesus, os olhos são a lâmpada do corpo, pois da forma que cada um se olha a sua vida irá mostrar e refletir. O Messias diz que se os seus olhos são maus, se você olha para si e se vê como uma pessoa má, então a tendência será de piorar porque você olha com maus olhos para si próprio”.

Para o Bispo Julio “outras pessoas não olham para si mesmas com maus olhos, mas olham para o próximo desse jeito, criticando, julgando, condenando, etc. Porque dentro delas mesmas sentem-se superiores. Mas você não pode estar num extremo nem no outro. Não pode se inferiorizar nem superiorizar, mas estar equilibrado e se ver como Deus o vê. E você tem de olhar para as outras pessoas e vê-las como Deus as vê”.

Visão transformadora
Geovane e Luciana Sousa, casal de São Paulo, de 38 e 40 anos (foto a dir.), respectivamente, tinham um casamento muito bom e tranquilo, segundo contam. Casaram-se e, em dois anos, tiveram seu primeiro filho. A vida do casal era financeiramente modesta. Ele era pintor. Ela, professora. Ambos já frequentavam a Universal.

Geovane trabalhava pintando móveis na garagem da casa da sogra. Uma pessoa gostou muito do seu trabalho e o chamou para ser sócio de uma empresa de restauração de móveis. Nessa loja, conheceu um novo sócio com quem abriu outro negócio, especializado em artigos para decoração, num bairro nobre de São Paulo. Com essa segunda loja, a vida financeira da família evoluiu muito.

Mas Geovane conheceu pessoas do ramo da agiotagem. Trocava cheques, dinheiro “fácil” e carros clonados. Aí começou sua perdição. Endividou-se muito e a pressão era enorme. Ele começou a tomar vinho, mas depois passou a consumir cocaína. Já contava com mais de R$ 100 mil de dívidas. “Ele fazia isso escondido. Eu não sabia”, relata Luciana. “Como a loja ia bem, eu achava que o dinheiro vinha dela. O sócio de Geovane começou a reclamar comigo que ele estava sumido. Eu o questionei e ele sempre dava desculpas, me ludibriava.”

Luciana achou cocaína em casa. A verdade veio à tona e começaram os desentendimentos e os sumiços do marido. “Num aniversário de nosso casamento, fiz um jantar especial e o esperei. Mas ele simplesmente não apareceu. Fiquei até desesperada. Chegou depois das duas da manhã com uma desculpa muito esfarrapada. O pior é que eu acreditei e ainda pedi desculpas.”

Geovane estava viciado. Começou a sumir dias seguidos. Uma vez, voltou todo sujo para casa, tinha usado crack. Começou a tirar dinheiro da loja para comprar drogas, até os adiantamentos dos clientes e não trabalhava mais.
Resultado: “começaram a cortar nossa água, luz, etc. Perdemos automóveis e nossa casa. O sócio desistiu da sociedade. Íamos inaugurar mais uma loja, já pronta, e não conseguimos, entregamos o ponto. Eu não estava mais trabalhando, pois havíamos combinado de eu parar para cuidar de nossa filhinha que acabara de nascer. Tive que vestir minha filha com roupas doadas e passávamos fome, pois eu tinha vergonha de contar nossa situação para meus pais, parentes e amigos. Meus pais gostavam muito dele e não queria vê-los sofrendo”, diz a esposa.

O casal passou a viver de cestas básicas doadas, até uma moça que fazia a limpeza da casa que foi perdida ajudou com comida, pois gostava muito deles e dos filhos. Geovane chegou a passar mais de uma semana na rua. “Virei uma coitada. Emagreci demais. Não tinha mais amor-próprio. Não me cuidava mais. Disse a ele ‘para mim, chega’. Todo o amor e admiração que tinha por ele viraram raiva. Àquela altura, meus pais já sabiam de tudo”, conta Luciana.

Luciana começou a orar, mas para que Geovane pagasse pelo que fazia, até mesmo com a morte. “Cheguei até a ver um plano funerário. Tudo o que acontecia de ruim refletia em mim e em meus filhos. Até ameaças sofremos. Ia tirá-lo de delegacias, quando ficava preso. O cúmulo foi ir à Cracolândia, no Centro de São Paulo, buscá-lo várias vezes, onde morava em barracos improvisados com ratos e tudo. Ele, que antes era vaidoso e se cuidava muito, estava abaixo de um mendigo. Chegou até a ir para favelas e sumir lá. Eu ia atrás dele. Lá, apontavam armas para mim. Me submetia a isso e ele não dava valor.”

Passaram a morar de favor com os pais de Luciana. O pai dela não tomou partido diretamente, mas confiou no discernimento da filha: “‘você tem que vê-lo como ele era antes disso tudo, aquele marido e pai dedicado, e não como agora’, disse meu pai. ‘Agora ele precisa muito de você, que não pode fugir disso, a não ser que o casamento de vocês seja de fachada. E não é. Vou lhe respeitar quanto à sua decisão e vou lhe ajudar. Mas você tem que ajudá-lo’”.

Geovane reagiu, conta Luciana: “ele me pediu ajuda, disse que não conseguiria sem mim. Eu disse que, se ele quisesse tentar, que tentasse, mas que não esperasse nada de mim.” Entraram no Tratamento para Cura dos Vícios, na Universal. “Ele começou a tentar melhorar, pois não aguentava mais aquela vida. Recomeçamos, mas eu não o sentia mais como marido. Ficávamos juntos de aparência, mas não havia conexão entre nós. Ele voltou para o casamento, mas eu não.” Ela não o via com bons olhos, apesar do conselho paterno.

“Certo dia, uma esposa de pastor me questionou: ‘você não disse que o havia perdoado? Se perdoou, vai ter que apagar tudo o que aconteceu. Você o perdoou na teoria, não na prática. Pratique o perdão.’ Ele já havia parado com as drogas e estava saldando as dívidas. Vi que ele fazia a parte dele, mas eu havia desistido de fazer a minha. Ele se livrara do vício, queria recuperação plena, mas eu não dava espaço, não ligava mais.”

Luciana conta que Geovane a havia chamado para ir à Terapia do Amor, mas, no começo, ela recusou o convite. “Depois da conversa com a esposa do pastor, fui eu que o chamei. Entendi que precisava curar meu coração para voltar a lutar por nós. Fui muito sincera com Deus: queria amar meu marido de novo, mas estava sufocando aquele amor e pedi a Ele para me dar forças.”

“A emoção e a mágoa estavam escondendo de mim mesma o amor por ele. A razão me mostrou como trazê-lo de volta à tona”, diz Luciana.

As lutas por causa disso não foram fáceis, mas Geovane está plenamente recuperado. O casal que havia perdido tudo não só está livre de dívidas e tem bens melhores do que antes como em apenas dois anos começou um próspero negócio de móveis e acessórios para igrejas, com uma loja prestes a ser aberta nos Estados Unidos.

E o que aconteceu com Geovane, ao finalmente perceber que a esposa o via com bons olhos? “Vi que ela me enxergava de novo como capaz. A partir disso, decidi que não a decepcionaria de forma nenhuma e que toda aquela luta, embora difícil, teria que valer a pena.”

E ela? “Hoje, não o troco. É aquele homem ousado nos empreendimentos, que se cuida, um pai maravilhoso – que, justiça seja feita, nem mesmo durante a crise deixou de ser – e um marido e tanto. Agora trabalhamos juntos em nosso próprio negócio, nos vemos o dia todo no serviço e em casa. E eu sei que isso não é fácil para alguns casais, mas o quero cada vez mais.”

Decidir como ver
“Existem ainda aquelas pessoas que não olham de forma errada nem para si nem para os outros, mas para as circunstâncias e veem tudo com maus olhos, seja o casamento, seja o trabalho, seja os estudos, seja a igreja. Mas, segundo o Senhor Jesus, não podemos controlar as circunstâncias e o que nos rodeia, mas podemos decidir como reagir”, diz o bispo Julio Freitas. “Quem é responsável pelos nossos olhos não é Deus, a sociedade, a família. Somos nós mesmos! Você tem um instrumento poderosíssimo nas suas mãos, que são os seus olhos, não apenas os físicos, mas também os espirituais.”

Lembra daquele versículo bíblico que citamos? Ele tem outra parte: se seus olhos forem maus, há trevas em você. Particularmente se quem você enxerga assim é você mesmo, como na história seguinte, que pede muita atenção.

Sou fruto de um Altar
Hamanda Gabriela Rufino, de 22 anos, mora em Bauru (foto a dir.), cidade do interior paulista. Sofreu abuso sexual quanto tinha apenas sete anos. “Foi o começo de um inferno para o qual eu não via mais saída. O abuso aconteceu várias vezes. O ódio veio surgindo, eu queria que o agressor pagasse com a morte e assim os anos se passaram.”

Aos 15 anos, ela bebia literalmente até cair, começou a usar vários tipos de drogas e a frequentar “baladas” das menos recomendáveis, onde se relacionava sexualmente com muitas pessoas. “Eu bebia tanto que, várias vezes, no outro dia não me lembrava de nada do que havia acontecido. Me afundava mesmo.”

“Minha mãe sofria muito e minha família não acreditava em mim. Eu era, para eles, a ‘ovelha negra’. Mas tudo ficou muito pior quando comecei a me relacionar com outras mulheres. Tinha pensamentos ‘de homem’. Pensei em trocar meu nome, tirar meus seios e comecei a usar hormônio masculino clandestinamente. Cheguei a ficar viciada em pornografia. Minha cabeça era só droga, sexo e bebidas”, conta.

Hamanda conheceu uma moça mais nova e a namorou por dois anos e meio. “Foi o início de outro inferno. Ela me olhava e dizia que tinha desejo de me matar, eu ficava com o pescoço todo roxo. Durante uma relação sexual, ela olhou em meus olhos e me disse ‘quero beber seu sangue’. Cortamos nossos pulsos com uma lâmina de barbear e fizemos uma espécie de pacto. Tomamos o sangue uma da outra.”

Era um inferno mesmo. “Éramos incontroláveis. Brigávamos, nos agredíamos, chegamos até mesmo a derrubar uma porta durante uma briga. Não tínhamos recursos financeiros, pois não trabalhávamos. Chegamos a morar numa ‘biqueira’ de drogas (ponto de comércio de entorpecentes). Eu cheguei a usar maconha diariamente. Era uma pessoa completamente ‘largada.’”

A jovem diz que não suportava a própria mãe. “Ela lutava por mim com todas as forças. Ela me enxergava como uma obreira, servindo a Deus. Eu caía na risada quando ela dizia isso. ‘Nunca servirei a Deus coisa nenhuma’, eu respondia. Acontece que ela estava me vendo com os olhos espirituais. Mal sabia eu que ela estava sempre no Altar lutando por mim.”

Começaram os pensamentos de suicídio: “eu queria tirar minha própria vida, estava muito cansada de tudo. Não tinha mais objetivos ou sonhos. Não via mais um futuro. Um dia, tive uma arritmia cardíaca por causa do hormônio aplicado. Vejo isso hoje como Deus me dando uma segunda chance. Voltei para a casa da minha mãe”.

“Minha mãe fez votos no Altar por mim. Sou fruto de um Altar”, conta Hamanda. “Num domingo, fui à Universal. Eu me sentia sem força nenhuma. Entrei na igreja do jeito que eu era: com alargador de orelha, piercings, tatuada, careca, vestida como homem. Pensei que todos lá me julgariam e que Deus não me aceitaria. Mal pus os pés dentro da Universal, vi o Altar. Pus meu foco nele, só o via o tempo todo ao longo da reunião e mais nada. Nem esperei o pastor falar para irmos lá na frente. Eu mesma me levantei e fui, antes que ele chamasse.”

Diante do Altar, ele orou: “Meu Deus, eu dei tantas chances para muitas pessoas, mas nunca dei uma oportunidade ao Senhor. Sofri tanto sem precisar, simplesmente porque eu quis, enquanto o Senhor estava sempre ali comigo, dizendo ‘volte’. Pela primeira vez em muito tempo, senti uma alegria muito grande”.

Então ela também começou a se ver diferente. “Joguei fora alargadores, piercings e as roupas masculinas. Não conseguia mais me olhar no espelho e ver um homem. Não me identificava mais com aquilo. Via uma mulher.”

Aos poucos, ela começou a mudar de aparência. Enquanto isso, buscava a Deus, fazia propósitos, orava de madrugada. “Tinha sede dEle. Tive um encontro com Deus, mas sentia que faltava algo. Era o Espírito Santo. Fui batizada e partir dali percebi que já era outra pessoa. Quando fui sincera no Altar, veio aquela força, pois vi que Deus me abraçou, me amou de tal maneira que hoje sei que devo tudo a Ele.”

E agora os bons olhos se voltam para o exterior também: “com o Espírito Santo em mim, meu foco hoje são almas. Estou aqui para ganhá-las. Minha mãe e eu somos atualmente as melhores amigas. Conversamos sobre tudo. Para ela, hoje sou uma referência. E também para meus vizinhos. Um deles me disse: ‘Deus existe mesmo. Olho para você hoje, lembro de como foi e vejo uma nova pessoa. Agora eu sei que Ele existe’”.

Cuidado com o que vê
Hamanda se via antes como algo que não era e por isso acabou se tornando o que enxergava. O Bispo Julio Freitas relata que “as trevas aqui representam o mal e o corpo toda a sua vida. Quando você olha aquela imagem emite informações para o seu cérebro e, por isso, é preciso ter muito cuidado como se vê, como vê os outros e como vê as circunstâncias”.

A história do casal paulistano mostra duas formas de ter bons olhos. Geovane se viu como próspero sem suar pela prosperidade e se tornou “abaixo de mendigo”, além de quase destruir sua família. Ao se ver de novo como um homem de verdade – e a esposa ver o mesmo, segundo o sábio conselho do pai – tornou-se novamente um.

A jovem de Bauru traz quatro importantes ângulos da “boa visão”. Hamanda se via como homem, somente parecia um, teve a verdadeira imagem de mulher escondida de seus próprios olhos, mas a recuperou. A mãe nunca deixou de ter bons olhos para com ela e a filha hoje ganha almas. A vizinhança crê firmemente em Deus porque hoje vê uma mulher de verdade, quando isso parecia impossível. E ela mesma viu Deus com bons olhos e Lhe deu uma chance em sua vida. Essa é a primeira maneira como todos nós devemos usar os bons olhos que Ele mesmo nos deu.

O Senhor Jesus está a dizer não se engane, pois se você diz que tem luz mas a sua vida tem trevas, então, não há qualquer luz e os seus olhos são maus. Você tem que se olhar e se ver com bons olhos, tem que se perdoar! Tem de perdoar a si mesmo e aos outros também. Olhe para si com bons olhos e olhe para os outros com bons olhos! Olhe para as circunstâncias de forma positiva e reaja de forma correta.

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