Igreja chilena cria manual para evitar abusos em crianças

O documento proíbe sacerdotes de tocar genitais de menores. Será que é preciso de uma cartilha para saber o que é certo?


Por Rê Campbell / Fotos: Reuters

Após escândalos envolvendo o abuso sexual de crianças, a Igreja Católica enfrenta mais uma crise no Chile. No fim de setembro, o arcebispo Ricardo Ezzati causou polêmica ao divulgar um manual para sacerdotes com recomendações que beiram o absurdo, como não tocar as genitais de crianças e não beijá-las na boca.

Segundo a rádio chilena Bio Bio, o texto chamado Orientações que fomentam o Bom Tratamento e a Convivência Pastoral Saudável foi assinado pelo cardeal Ezzati e recomendava ainda não dormir com crianças, não dar palmadas nas nádegas delas e não tocar o seu peito. O manual explicava que os sacerdotes deveriam evitar condutas como fazer comentários sexuais e tirar fotos de crianças e adolescentes nus.

No item relativo a demonstrações de afeto, o texto proíbe sacerdotes de “abraçarem por trás” ou “lutar e fazer brincadeiras que impliquem tocar de forma inadequada”. A recomendação é “usar o tato somente de acordo com o apropriado ou permitido pela cultura local”.

Críticas
A cartilha provocou muitas críticas nas redes sociais. Segundo o jornal El País, vítimas de padres abusadores consideraram o texto “vergonhoso”. Os questionamentos levaram o arcebispo Ezzati a tirar o texto de circulação poucas horas depois de publicá-lo. Ele pediu desculpas pelo manual e afirmou que divulgaria outro documento após ajustes. Segundo Ezzati, o objetivo do manual seria prevenir abusos contra menores de idade.

Recentemente, o papa Francisco expulsou do sacerdócio o padre chileno Fernando Karadima por abuso sexual. Ele também já havia banido o padre Cristián Precht pelo mesmo motivo. O Ministério Público chileno investiga 139 religiosos católicos por abusos sexuais. Há 144 ações penais em todas as regiões do Chile.

O arcebispo Ezzati também é réu. Em 3 de outubro, ele compareceu ao Ministério Público de Rancagua, no centro do Chile, para depor como acusado do crime de ocultação de abusos sexuais.

Precisa de manual?
Será que sacerdotes precisam de uma cartilha para saber que certas condutas são inadmissíveis? Qualquer adulto, em qualquer posição, deveria saber o que se pode ou não fazer com crianças e adolescentes.

Ao lançar o manual em meio a dezenas de investigações contra religiosos, o arcebispo parece tentar esconder a questão principal: a Igreja Católica chilena acobertou durante décadas múltiplos abusos cometidos pelo clero.

Abuso sexual não é uma questão de conduta inadequada: é crime e deve ser tratado como tal. Não adianta esconder ou fingir que ele não existe. É preciso julgar e condenar todos os envolvidos. Só essa conduta pode levar a mudanças verdadeiras que protejam a vida de crianças e adolescentes.

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