Quem é a “menina da foto”?

Enquanto o mundo focava na tragédia, ela buscava a Verdade e a Vida


Por Katherine Rivas / Fotos: Arquivo Pessoal e Demetrio Koch

Enquanto o mundo a reconheceu por anos apenas como a garotinha que aparece na foto histórica mostrada ao lado, a vietnamita Kim Phuc Phan Thi, de 55 anos, agradece a Deus por tê-Lo conhecido.

Embaixadora da Boa Vontade da Unesco, Kim visitou o Brasil no final de setembro para o lançamento da autobiografia A menina da foto – Minhas memórias: do horror da guerra ao caminho da paz. Ela recebeu a equipe da Folha Universal em uma tarde chuvosa de quinta-feira, contou sua história de luta e superação e afirmou que deseja levar a todos a mensagem de fé, amor e paz que aprendeu.

Kim ficou mundialmente conhecida em 8 de junho de 1972 ao ser fotografada por Nick Ut, da agência de notícias Associated Press, durante a Guerra do Vietnã. Na imagem, aos 9 anos de idade, ela aparece nua, correndo pela estrada, depois de ter sido atingida pelo fogo. Ela teve um terço do seu corpo queimado com uma bomba de napalm (sustância incendiária que queima a 2760 graus Celsius).

Aquela tarde permanece na memória de Kim: “eu, meus pais, irmãos e primos estávamos no Templo Cao Dai. Um soldado ordenou aos gritos que saíssemos, pois tudo iria explodir. As crianças começaram a correr por uma rodovia de Trang Bang até que um avião lançou quatro bombas negras. Ouvi um estrondoso barulho depois tudo era fumaça e fogo. Minhas roupas queimaram e meu braço esquerdo, minhas costas e nuca foram descamados.”

Aterrorizada, Kim continuou correndo até conseguir ver seus irmãos e alguns soldados. Exausta, ela parou no meio da estrada e implorou ajuda. Um jornalista lhe deu água, jogou o líquido em seu corpo e nesse momento ela desmaiou.

Ela foi resgatada pelo fotógrafo Nick Ut e levada a um hospital onde permaneceu 14 meses em recuperação e passou por 17 cirurgias. “Eu sabia que tinha me transformado da beleza às cinzas”. Kim perdeu a infância, sua casa e teve que lidar com cicatrizes e traumas. “Eu achava que nunca mereceria ser amada nem ter uma vida normal.”

Protagonista
A foto de Kim tornou-se um registro histórico, mas ela a rejeitava. “Eu estava muito decepcionada e me questionava por que o fotógrafo tinha retratado aquilo. Eu estava nua e isso representava a minha dor.” Dez anos depois, Kim teve acesso à filmagem daquele momento em que era possível vê-la e aos seus irmãos e primos correndo. “Foi quando percebi seu grande impacto.”

Aos 19 anos, aquela foto a tornou vítima novamente, desta vez de interesses políticos. “O governo descobriu que eu era a menina da foto e decidiu me usar em propaganda política.” Kim se viu cercada por jornalistas e pelo governo e foi forçada a abandonar os estudos na faculdade para cumprir a agenda deles.

Quanto mais o mundo queria conhecê-la, mais ela pensava em desaparecer. Ela queria fugir dos olhares das pessoas e acabar com a própria vida. “Eu orava para vários deuses e nenhum deles ouvia o meu chamado. Meu coração estava cheio de mágoa. Eu me questionava: onde Deus está? O Senhor não percebe que estou sofrendo? Por que não me ajuda?” Kim não se conformava com o fato de ser apenas “a menina da foto” e não poder estudar nem viver uma vida normal.

Kim passou por 17 cirurgias e ficou com grandes cicatrizes nas costas e no braço esquerdo. Ela achava que nunca teria uma vida normal. Hoje é casada e tem um filho

A verdade
Sua história começou a mudar ao conhecer a Palavra de Deus, quando ainda estava à procura de respostas e tentando fugir do governo e das pessoas.

Ela sempre se refugiava na Biblioteca Central de Saigon e ali encontrou uma resposta para suas inúmeras perguntas. “Fui até a seção de livros religiosos. Tinha de budismo, hinduísmo, caodaísmo e o Novo Testamento cristão. Eu abri o último e li em João 14:6: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim’. Eu acreditava em vários deuses, mas, ao ler aquilo, me questionei quem estava certo e errado.”

Em busca da Vida
No Natal de 1982, Kim se converteu ao cristianismo em uma igreja na cidade de Saigon. “Eu ouvi sobre a morte de Jesus pelos nossos pecados. Ouvi que Ele acabaria com toda a dor de quem estivesse de coração aberto e O aceitasse como seu Salvador. Eu queria muito que isso acontecesse comigo e foi o que fiz.”

Kim estabeleceu uma forte comunhão com Deus por meio da oração. Hoje essa mulher não é mais a menina fragilizada pelos conflitos do mundo, mas uma pessoa forte, cheia de alegria e esperança com uma fé viva que transborda.

E foi essa fé que a fez perdoar seus inimigos. Em 1996, Kim encontrou John Plummer, o piloto norte-americano que ordenou o bombardeio em sua vila, no Memorial de Veteranos do Vietnã em Washington. Ela o perdoou. “Quanto mais eu orava pelos meus inimigos, mais meu coração se libertava”, explica.

Kim entendeu que era impossível mudar sua história, mas que com amor era possível ter esperança no futuro. Durante anos ela tentou fugir da própria foto até entender que tinha em mãos um presente poderoso que a ajudaria a trabalhar pela paz. “Aquela foto se tornou a mais bonita do mundo. Se vivêssemos com amor, esperança e aprendêssemos a perdoar, as guerras não seriam necessárias”, ensina.

Ela também extraiu lições valiosas do que passou: que Deus permite o nosso sofrimento, pois, além dEle saber o quanto podemos suportar, deseja nos fortalecer; e que temos o livre-arbítrio. “Quando vejo a menina da foto, entendo que não foi Deus que causou meu sofrimento, mas o mundo. As guerras não estavam nos planos dEle, temos a liberdade de fazer o bem ou o mal. Deus tinha grandes planos para mim, Ele me transformou. Ele olhou para mim em 1972 e disse ‘meu plano para você ainda não terminou, pequena garota.’”

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