“Aos 9 anos de idade, tentei o primeiro suicídio”

Após 14 tentativas frustradas de tirar a própria vida, Andreza Fernanda assistiu a um vídeo que a fez encontrar o verdadeiro sentido de existir


Por Flavia Francellino / Fotos: Demetrio Koch e Arquivo Pessoal

Aos 16 anos, Andreza Fernanda viveu um relacionamento abusivo que durou um ano e dois meses. Ela narra que, no início, era “tudo flores”, mas “depois, vieram os ciúmes e as proibições.” Então, a relação foi marcada por brigas e “idas e vindas” . Com as separações, ela começou a ter vários transtornos interiores. “Me tornei uma pessoa obcecada, implorava para que ele voltasse, mas ele me humilhava. Amava mais a ele do que a mim mesma.”

Por estar sozinha, ela perdeu a razão de viver. Ao todo, foram 14 tentativas de suicídio em três meses. “Tentei cortar os pulsos, coloquei uma faca no pescoço, saí em disparada com a moto em sinais de trânsito fechados.” Ela se recorda que chegou a ingerir 90 comprimidos para tentar dar fim à sua vida. “Cheguei a emagrecer muito: de 47 quilos passei a 39”, afirma.

Antes de entrar nesse relacionamento, no entanto, ela já carregava bagagens negativas vindas do passado de sua família. “Fui fruto de um adultério por parte do meu pai, minha mãe tentou o aborto três vezes. Cresci com esse sentimento de rejeição. Me recordo que, com 9 anos de idade, tentei o primeiro suicídio. Coloquei diversos remédios em um copo e, quando fui tomar, minha avó apareceu”, descreve.

Um vídeo
Os medicamentos tomados durante as tentativas de suicídio não atingiam o efeito esperado por Andreza. Então, em outra ocasião, ela ouviu uma voz que lhe dizia para que experimentasse veneno de rato. “Pesquisei para saber se teria chance de sair viva ou se ficaria com sequelas. Encontrei um vídeo. Achei que ele explicaria o que ia acontecer, mas foi bem diferente.”

O que encontrou, na verdade, foi um vídeo do Bispo Sérgio Corrêa (responsável pelos obreiros do Brasil) entrevistando uma pessoa afastada da presença de Deus que havia ingerido veneno de rato. No depoimento, o rapaz contou que havia ficado três meses em coma, mas que, pela misericórdia de Deus, tinha se livrado daquela situação.
Andreza relembra esse momento: “a câmera focou bem no rosto do Bispo, que disse: ‘será que você, que está querendo fazer o mesmo, terá a mesma chance?’ Então, aquelas palavras entraram em mim.”

A partir daí, Andreza, que já havia frequentado a Universal, decidiu retornar. “Minha mãe, que também estava afastada, disse que sabia onde eu poderia ser ajudada. Antes, ouvia das pessoas que o problema era meu, mas na Universal disseram que iriam lutar comigo”, admite.

Ela chegou à Igreja repleta de problemas espirituais. “Via vultos, ouvia vozes, fiquei três meses sem dormir, pois via uma pessoa que saía debaixo da minha cama para me enforcar.”

Agora, aos 23 anos, ela reconhece que é uma pessoa transformada. “Tenho a paz que tanto procurei. Encontrei o Maior motivo para viver: fui preenchida com a presença do Espírito Santo. Eu era um projeto falido em que Ele investiu com todas as forças”, assegura.

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