Atendimento precário mata mais do que falta de acesso

Pesquisa realizada em 137 países aponta ainda que 153 mil pessoas morrem por baixa qualidade da saúde no Brasil


Por Eduardo Prestes / Fotos: Reprodução, Adriano Vizoni/FOLHAPRESS e Jarbas Oliveira/FOLHAPRESS

Sempre que falamos em saúde temos a impressão de que a falta de acesso ao atendimento é a principal causa de mortes. Contudo um estudo recente, publicado pelo jornal científico The Lancet, no Reino Unido, parece contrapor essa ideia. A pesquisa feita em 137 países de baixa e média renda apontou que o atendimento precário mata mais do que essa carência. De acordo com o levantamento, estima-se que 5 milhões de mortes por ano sejam resultado de atendimento médico precário. O estudo, que foi conduzido pela Comissão de Saúde Global de Alta Qualidade, ainda mostra que o número ultrapassa as mortes por falta de acesso aos sistemas de saúde, estimado em 3,6 milhões de pessoas.

Baixa qualidade
O levantamento também revela que o atendimento de baixa qualidade é mais comum entre portadores de HIV/Aids, pessoas com problemas de saúde mental e transtornos de abuso de substâncias, entre outros grupos vulneráveis, como prisioneiros, refugiados e migrantes.

A baixa qualidade é um grande fator de mortalidade para os serviços de saúde em todas as condições nos países periféricos, incluindo 84% das mortes por doenças cardiovasculares, 81% das doenças evitáveis por vacinação, 61% das condições neonatais e metade das lesões maternas, acidentes em estrada, tuberculose, HIV e outras mortes por doenças infecciosas.

Impacto profundo
Para a presidente da Comissão, doutora Margaret Kruk (foto a esq.), da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, não é de surpreender que apenas um quarto das pessoas em países de baixa e média renda acredite que os sistemas de saúde de suas localidades funcionam bem. “O impacto de cuidados de má qualidade vai muito além da mortalidade, mas pode levar a sofrimento desnecessário, sintomas persistentes, perda de função e falta de confiança no sistema de saúde. Outros efeitos colaterais são recursos desperdiçados e gastos catastróficos com a saúde”, afirma.

Falhas no sistema
Em mais de 81 mil consultas em 18 países foi detectado que, em média, mães e crianças recebem menos da metade das ações clínicas recomendadas em atendimentos típicos. Há falhas ao monitorar a pressão arterial durante o trabalho de parto e no check-up pós-
parto, por exemplo. Além disso, cerca de 34% das pessoas relataram experiências ruins, citando falta de respeito, longo tempo de espera e consultas curtas. Trata-se de um panorama que lembra muito nosso país. E, por falar em Brasil, o mesmo estudo apontou que aqui cerca de 153 mil pessoas morrem por ano em razão da baixa qualidade e mau atendimento médico.

Ideia de futuro
Mesmo diante disso, precisamos falar em perspectivas da saúde para o futuro. Sem saúde, a própria ideia de futuro parece se dissipar. Já com boa saúde, as pessoas podem se manter, criar seus filhos e prosseguir na busca de seus objetivos. Então, é hora de mudar. Embora haja um entendimento de que a mudança não ocorre de uma hora para outra, é preciso aproveitar as eleições como uma oportunidade para que o primeiro passo em relação a isso seja dado. É primordial escolher candidatos que tenham planos de governo com propostas verdadeiras que possam modificar essa precária situação e cobrar dos representantes eleitos que essas mudanças sejam realmente realizadas. Quem ganha com isso é todo o povo brasileiro.

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