Vítimas do consumo inconsciente

Brasileiros jogam no lixo 41 mil toneladas de comida


Por Katherine Rivas / Foto: Fotolia

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 52 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar, ou seja, não têm acesso diário à comida de qualidade. Desse total, 14 milhões passam fome. Na contramão dessa informação, a Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO) informa que o Brasil desperdiça diariamente 41 mil toneladas de alimentos. Só no setor do comércio, o País joga fora 22 milhões de calorias que poderiam satisfazer as necessidades nutricionais de 11 milhões de pessoas.

Diante desse cenário, o Brasil ocupa o 10º lugar entre os países que mais desperdiçam alimentos, o que ocorre em toda a cadeia produtiva, desde a colheita, armazenamento, comercialização até o consumo.

A raiz do problema
Uma pesquisa da Unilever mapeou os hábitos de desperdício de mil brasileiros. O resultado mostrou que 61% descartam alimentos em perfeito estado semanalmente, sendo que 49% afirmam que isso acontece diariamente. Entre os alimentos mais desperdiçados estão verduras em geral (74%) e vegetais e frutas (73%).

Além disso, 78% justificaram que não sabem o que cozinhar ou comer. Esse fenômeno, segundo a pesquisa, é o chamado “cegueira da geladeira”: pessoas cuja geladeira está cheia mas que preferem solicitar delivery (entrega) ou ir a restaurantes.

O desperdício também é influenciado pela falta de planejamento nas compras (54%), armazenamento inadequado e preparo incorreto dos alimentos. Outra informação é que 46% dos brasileiros cozinham mais do que consomem.

Luciana Quintão, presidente da ONG Banco de Alimentos, considera que a raiz do desperdício está na falta de consciência do brasileiro, que joga fora cascas, talos e sementes que contêm mais nutrientes. Além disso, ele diz que: “as pessoas compram mais do que precisam, não reaproveitam as sobras e desconhecem o impacto causado pelo lixo que produzem”, diz.

Para ela, o pior erro é olhar para um único lado: o do desperdício, enquanto 52 milhões de pessoas estão em insegurança alimentar. “Tem gente que não tem o que desperdiçar. Enquanto uns fazem isso, outros passam fome”, ressalta.

As consequências do desperdício também incluem perdas econômicas (US$ 940 bilhões por ano, segundo a FAO) e degradação ambiental. Isso porque em cada quilo de comida jogada fora existem 400 gramas de gás metano.

“No Brasil, pagamos um preço alto pelas nossas escolhas. Existe uma ampla carência de nutrientes, muitas crianças vão para a escola só por causa da merenda. A sociedade precisa acordar, especialmente as pessoas que vivem com abundância”, aponta Luciana. Ela ainda reforça que quem não se importa com o desperdício individual está desrespeitando a sociedade inteira. “Se uma pessoa joga comida fora, também joga dinheiro no lixo e prejudica todo o sistema. Todos devemos unir esforços: de políticos a cidadãos.”

Mudança
Em outubro, acontecerá a Semana de Conscientização da Perda e Desperdício de Alimentos, uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e de entidades sociais para combater o problema. A Organização das Nações Unidas (ONU)estabeleceu também como um dos seus objetivos de desenvolvimento sustentável reduzir em 50% o desperdício de alimentos no mundo até 2030. “O caminho ainda é longo. Precisamos entender nosso papel dentro dessa cadeia produtiva, educar cidadãos responsáveis e ter um governo que tome soluções drásticas”,
finaliza Luciana.

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