64% dos adultos brasileiros não estão com a vacinação em dia

Três em cada 10 adultos não foram imunizados nos últimos cinco anos



Por Por Katherine Rivas / Foto: Fotolia

Com prazos prorrogados, as campanhas de vacinação contra a gripe e a febre amarela deste ano comprovaram um problema: os adultos não estão com a vacinação em dia e só procuram a imunização em situações de alto risco.

A vacina contra a gripe, por exemplo, foi oferecida em datas além das previstas inicialmente, por motivo da baixa adesão. Só 77% do público-alvo foi imunizado. O objetivo era alcançar 90%. Vale ressaltar que, neste ano, 446 mortes por influenza foram registradas no País.

Uma pesquisa feita em 2017 pelo laboratório farmacêutico GSK divulgou que 64% dos adultos brasileiros não estão com a caderneta de vacinação em dia. O estudo denominado Vacinação pela Vida (Vaccinate for Life) foi realizado no Brasil, na Alemanha, Índia, Itália e nos Estados Unidos com mais de 6 mil pessoas com idades acima de 18 anos.

Só no Brasil foram mil participantes. Entre eles, 25% consideram que as vacinas são pouco importantes na vida adulta, 15% avaliam que elas são importantes em caso de viagens e 8% que elas são apenas necessárias para crianças.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que a falta de adesão à vacinação adulta é um problema mundial. “As primeiras vacinas que surgiram eram para doenças infantis, por isso que as de adulto são pouco difundidas. As vacinas têm mais aceitação entre idosos, grávidas e turistas, mas outros adultos não fazem nem ideia de onde a caderneta de vacinação está”, explica.

Ele acrescenta que o problema está também nos profissionais de saúde, que não estão acostumados a orientar sobre a importância da vacinação. “Falar sobre vacinas não faz parte da consulta de rotina nem das especialidades.”

Paulo Camiz, clínico-geral, médico geriatra e professor da Universidade de São Paulo (USP), concorda com Kfouri e considera que a vacinação já faz parte da cultura dos pediatras, mas não da cultura de outros médicos. Eles não falam sobre vacinas com os pacientes e, na maioria das vezes, só cuidam das especialidades.

Cultura de risco

Infelizmente, só um surto de febre amarela conseguiu motivar boa parte dos adultos a se vacinar nos dois últimos anos. Desde 2012, só as vacinas contra hepatite B, febre amarela e gripe tiveram alta procura, enquanto as vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola e meningite tiveram adesão baixa entre adultos. “Na hora do surto todos correm atrás das vacinas, mas pode ser tarde demais. Falta mentalidade preventiva no Brasil”, afirma Camiz.

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações, disponibiliza gratuitamente 19 tipos de vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em média, 300 milhões de doses para imunizar crianças, adolescentes, adultos e idosos são distribuídos em todos os Estados e municípios anualmente. Essa oferta, porém, não é suficiente para que os adultos atualizem a caderneta de vacinação.

Renato Kfouri considera que a solução está em um trabalho conjunto de informar e divulgar os riscos e os benefícios e que ele deve ser feito por médicos, governo e mídia, para sensibilizar os cidadãos. Ele recomenda que se facilite o acesso da vacinação para os adultos nas empresas, por exemplo. “Já é difícil a imunização chegar aos adultos, então, não esperemos que eles venham até as vacinas”, conclui.

Calendário de Vacinação do Ministério da Saúde para 2018

Adultos de 20 a 59 anos:

  • Hepatite B – Três doses, de acordo com a situação vacinal
  • Febre Amarela – Uma dose se nunca tiver sido vacinado
  • Tríplice Viral – Se nunca vacinado, são duas doses para quem tem 20 a 29 anos e uma dose para 30 a 49;
  • Dupla adulto (DT) – Reforço a cada 10 anos

Pessoas acima de 60 anos:

  • Hepatite B – Três doses, de acordo com a situação vacinal
  • Febre Amarela – Uma dose se nunca tiver sido vacinado
  • Dupla adulto (DT) – Reforço a cada 10 anos
  • Campanha de vacinação contra a gripe

Gestantes

  • Hepatite B -Três doses, de acordo com a situação vacinal
  • Dupla Adulto -Três doses, de acordo com a situação vacinal
  • dTpa- Uma dose a cada gestação a partir da 20ª semana
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