Anjos que acolhem e auxiliam o próximo

A ajuda para moradores de rua vai muito além da distribuição de agasalhos



Por Por Katherine Rivas / Fotos: EVG DIGITAL RS

No dia 21 de maio, a noite mais fria de 2018, quando o termômetro marcou 8°C, dois moradores de rua morreram em São Paulo. Como não tinham marcas de violência, a suspeita é de que tenham morrido de hipotermia (queda de temperatura corporal).

A história se repete todo inverno. Para Maria Magdalena Alves, doutora em serviço social, que trabalha há 40 anos com projetos para moradores de rua, a fragilidade dessas pessoas é severa porque elas dormem e comem mal. Ela afirma que as operações das prefeituras para baixas temperaturas são insuficientes.

Maria explica que o cenário é complexo. Em São Paulo, por exemplo, o último Censo, de 2015, identificou 15.905 mil pessoas em situação de rua. No entanto, muitas instituições acreditam que sejam mais de 25 mil. “Existem só 7 mil vagas nos albergues de São Paulo. As pessoas passam a noite lá e às 6 horas têm que voltar para a rua. Pela Política Nacional para População de Rua, elaborada pelo Ministério de Desenvolvimento Social, esses locais deveriam oferecer outras atividades de convivência durante o dia, mas isso não existe.”

Maria aponta que para ajudar as pessoas no inverno não basta distribuir agasalhos. Para ela, isso ajuda a evitar mortes, mas é necessário fazer com que elas saiam das ruas.

A mudança

Há sete anos, o Projeto Anjos da Madrugada da Evangelização Universal (EVG) ajuda os moradores de rua a reconstruir suas vidas. O coordenador nacional da EVG, Bispo Alessandro Paschoall, afirma que o objetivo é que as pessoas conheçam a Verdade e superem as condições em que vivem. “Por maior que seja o frio, o agasalho é algo paliativo. Não estamos preocupados em resolver apenas uma situação, mas de mudar uma condição”, salienta.

O projeto está presente nos 26 Estados do Brasil. Neste ano, 26 mil pessoas foram beneficiadas. Foram distribuídos 121 mil marmitas, 63 mil litros de água e 168 mil litros de café. Esse trabalho contou com a ajuda de mais de 20 mil voluntários.

O Projeto Anjos da Madrugada contribui também para a reinserção social dos moradores de rua. Eles recebem cortes de cabelo, roupas, auxílio para localizar a família, assessoria jurídica e para retirar documentos e suporte para entrar ou voltar ao mercado de trabalho.

Nas noites mais frias

A atuação é ainda maior nas localidades em que o frio é mais intenso, como no Rio Grande do Sul. Lá, o projeto tem 8 mil voluntários. O coordenador da EVG no Estado, Pastor Neto Belém, reforça a missão dos voluntários: “80% das pessoas estão nas ruas por conta dos vícios e 20% tiveram dificuldade de relacionamento com os familiares. Nossa intenção é trazê-las de volta para a sociedade”.

Em Porto Alegre, 350 voluntários estão envolvidos no projeto. O trabalho ocorre toda terça-feira à noite e beneficia, em média, 200 moradores de rua. Eles recebem alimentação, roupa e são convidados a participar da reunião de domingo na Universal, quando podem tomar banho e desfrutar um café da manhã reforçado.

Leandro Francisco Cardoso, de 38 anos, evangelista da sede Niterói em Porto Alegre, foi resgatado pelo projeto. Ele morou 10 anos nas ruas. Com um histórico de sofrimento e maus-tratos desde a infância, ele abandonou sua casa com 16 anos, depois de uma briga com o pai, e foi morar na Praça Mathias.

Na rua, Leandro aprendeu a enfrentar o frio e a fome, mas não o sentimento de vazio. Ele pensou até em se jogar de um viaduto assim que o trem passasse e pôr fim à sua vida. Mas, ao fechar os olhos, foi impedido de se jogar. Um voluntário do projeto conversou com ele e o convidou para ir à Universal. “Foi a melhor decisão que eu tomei em toda a minha vida. Falei para o obreiro que iria na Igreja, mas, se não resolvesse, eu voltaria e me mataria. O pastor me recebeu muito bem, conversou comigo, fez uma oração por mim e todo aquele peso foi embora”, lembra.

A vida de Leandro começou a melhorar assim que saiu da igreja, pois um conhecido lhe ofereceu trabalho. Meses depois, ele conseguiu um emprego com carteira assinada e deixou as ruas. Há 13 anos restaurado, ele formou uma família, tem uma vida estável e foi transformado espiritualmente. Hoje, ele se dedica aos Anjos da Madrugada com esperança de que as pessoas que vivem na rua se encontrem como aconteceu com ele.

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